Alvin Plantinga é tido, ao lado de Richard Swinburne, o principal filósofo da religião do mundo e esse texto é clássico e uma de suas obras principais. Definitivamente um texto essencial para os estudantes de Filosofia da Religião. Plantinga segue a tradição da filosofia analítica onde a lógica é o fundamento do conhecimento, o conhecimento deve passar pelo crivo da lógica e é essa a abordagem que Plantinga utilizada para analisar importantes questões sobre a Filosofia da Religião. O livro é dividido em
Natural Atheology e
Natural Theology.
Na primeira parte, Plantinga analisa algumas das principais objeções à racionalidade da crença em Deus - vale lembrar que o objetivo de Plantinga não é provar a existência de Deus, mas apenas fundamentar racionalmente tal crença. A primeira objeção que ele analisa e que mais detalhadamente o faz é o
problema do mal - é racional crer no Deus cristão tendo em vista todo o mal presente no mundo? Plantinga parte do pressuposto de que a onipotência de Deus é geralmente mal compreendida quando analisamos essa questão. Onipotência, segundo ele, não é poder fazer absolutamente tudo, mas sim, poder fazer tudo que é
logicamente possível. Por exemplo, Deus não pode criar um círculo quadrado ou fazer um número se tornar presidente do Brasil pois tais coisas são
logicamente impossíveis. Com esta pressuposição, ele nos mostra que é logicamente impossível Deus criar um mundo de criaturas
livres que não possam
livremente optar pelo mal. E com isso o teísmo cristão permanece racionalmente justificado e a principal objeção da
Natural Atheology cai por terra. É claro que a breve análise deste blog não é suficientemente ampla para cobrir toda a questão, apenas uma breve síntese do pensamento deste importate pensador da religião.
As outras objeções da
Natural Atheology são a teoria Freudiana de projeção, Marx, o verificacionismo entre outras. Estas ele analisa brevemente e não se estende principalmente porquê as duas primeiras só tem valor para a psicologia e sociologia mas não dizem nada sobre a teologia, no máximo diz algo sobre os crentes, mas não tem valor algum quando o assunto é a existência ou inexistência de Deus.
Na segunda parte,
Natural Theology, ele examina os principais argumentos a favor da existência de Deus, que são, o argumento cosmológico (na versão de Tomás de Aquino), o argumento teleológico (na versão de Paley) e o argumento ontológico, este último é o que Plantinga analisa mais extensivamente. O
Argumento Ontológico, formulado pela primeira vez por
Anselmo de Cantuária, é um controverso argumento que tenta deduzir a existência de Deus a partir do próprio conceito de Deus e de outras verdades necessárias. Anselmo afirmava que se uma pessoa pode compreender a noção do maior ser concebível, então, esse Ser deve necessariamente existir, pois, se não existisse não seria o maior Ser concebível. Esse argumento persuadiu pensadores como Duns Scotus, Descartes, Leibniz e Espinosa, já outros, como Schopenhauer taxavam o argumento de "uma piada fascinante". Nos últimos anos, Alvin Plantinga têm sido o maior defensor do argumento. Segundo ele, apesar de soar um tanto quanto falso logo de ínicio, o argumento ainda não foi derrotado por nenhum pensador nem Gaunilo e nem Kant.
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Bem, devido a escassez do meu tempo, fico lhes devendo uma análise um pouco mais detalhada do livro e de seus argumentos. Mas, para quem se interessar por Filosofia da Religião, seja teísta ou ateu, aproveito para anunciar que com o intuito de promover ainda mais a cosmovisão cristã, vamos promover um sorteio de um exemplar deste livro (seminovo) que está sendo comentado aqui: