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quinta-feira, 15 de março de 2012

O Jesus dos Evangelhos: Mito ou Realidade? - Resenha do Debate entre Craig e Crossan


“Em 1994, a Chicago Tribune Magazine publicou um artigo sobre os pontos de vista do dr. Crossan intitulado “Gospel Truth” [“A Verdade do Evangelho”] com o subtítulo “Will Christians accept a revolucionary portrait of Jesus that is based on scholarship, not on faith?” [“Os cristãos aceitarão um retrato revolucionário de Jesus que se baseie na erudição, e não na fé?”]” foi com essas palavras que William L. Craig iniciou seu pronunciamento final no debate com John Dominic Crossan.

As palavras do dr. Craig expressam o espírito de nossa época, tanto lá quanto aqui no Brasil. Faça uma análise da história das capas das revistas Superinteressante, Galileu, História Viva ou quaisquer outras que tratem sobre ciência, religião, história, etc. A sua conclusão não poderá ser outra a não ser: “O Cristianismo é um engodo”. A tendência às visões progressistas, liberais, modernas, ou seja, a tendência a toda e qualquer visão antitradicional é incontestável.

Você nunca – jamais! – verá na capa das referidas revistas ainda que apenas uma pequena nota que corrobore sequer o ponto mais insignificante da tradição cristã. Isso, obviamente, gera no inconsciente coletivo da sociedade a petulante crença de que o Cristianismo foi testado... e fracassou. A história cristã seria tão somente de densas trevas. Suas crenças, então, um exemplo de ingenuidade pré-moderna (pesquise na Wikipédia sobre a “Teoria do Agendamento”).

Este livro prova o embuste que é o subtítulo do artigo publicado na Chicago Tribune Magazine. Que nos perdoem os editores de tal revista, bem como das revistas brasileiras de ciência, história, filosofia, etc, mas sinto lhes informar que, talvez, a verdade não seja tão evidente quanto pensam. William L. Craig apresenta uma defesa sólida da historicidade da ressurreição de Jesus, tão sólida que o dr. Crossan sequer ousou refutá-la – enrolou, enrolou, mas os pontos levantados pelo dr. Craig foram suficientes para provar que, se alguém aqui tem fé dogmática em algo, esse alguém é – pasmem! – o dr. John Dominic Crossan, que, diga-se de passagem, já esteve aqui em nosso país, falou na UFRJ e tem uma legião de fãs nas academias de história e teologia brasileiras.

Por que, então, nas academias de história e teologia não ouvimos nem falar das visões de William L. Crag, Craig Blomberg, Gary Habermas e, pior, Wolfhart Pannenberg e N.T. Wright sobre a ressurreição de Cristo? Ora, porque o magistério encontram-se tão imerso e cego pelos seus dogmas seculares (dogmas seculares? Sim, senhor! Veja aqui: http://ultimato.com.br/sites/guilhermedecarvalho/2012/02/14/todo-mundo-e-crente/  ) que a priori excluem qualquer possibilidade de seus pressupostos estarem equivocados. Pior, para eles a menor aproximação ao que tacham pejorativamente de “fundamentalismo” é vexante. Deste modo, associar-se à posição “fundamentalista” (há-há-há) da crença na literalidade e historicidade da ressurreição de Cristo é algo que não se pode fazer.

Mas o que fazer, então, se tudo indica que a posição do dr. Crossan é um engodo escravo de seus pressupostos dogmáticos e arbitrários, a saber, o naturalismo? Desmascará-la como o engodo que é, mostrando seu falso caráter acadêmico e expondo seu caráter puramente ideológico-dogmático. Resta saber, por fim, estará a academia pronta para aceitar um retrato revolucionário de Jesus que se baseie em fatos, e não em ideologias seculares? Na razão, e não em dogmas? Na história e não em preconceitos “progressistas”? Estará a academia pronta para aceitar um retrato revolucionário de Jesus, que é baseado na erudição e não na fé? Apresente este livro ao seu professor e verá quem é o fundamentalista da história.


Deus Não Está Morto: A Ressurreição do Teísmo na Filosofia do Séc. XX - William L. Craig


Neste vídeo, gravado no Mosteiro de São Bento (SP) o Dr. William L. Craig discorre sobre o ressurgimento do teísmo na Filosofia do século XX. Recomendadíssimo!



Se não abrir, clique no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=ASCwKwcEo3c

quinta-feira, 8 de março de 2012

SORTEIO DO LIVRO “APOLOGÉTICA CONTEMPORÂNEA”


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Céticos atacam a fé cristã como irracional. O que o cristão deve fazer diante disso? Deixar que a sociedade seja dominada pelo pensamento ateu?
Se não fizermos nada, o que espera por nós é o que já se vê na Europa: secularismo total. Na Europa, a evangelização é muito mais difícil porque a cultura é determinada pela convicção de que o Cristianismo é uma crença falsa e, por isso, irrelevante.

A apologética serve exatamente para mostrar ao mundo a veracidade da fé cristã. É uma disciplina que revela a plena possibilidade de defesa racional da fé.

Aprenda a defender sua fé com o livro “Apologética Contemporânea”, escrito pelo Dr. William Lane Craig. Iremos sortear um exemplar deste livro, em parceria com o blog “Apologia”. Você pode concorrer a este livro de duas formas: 1) compartilhando uma mensagem no facebook; ou 2) enviando email para 4 amigos. O Sorteio está previsto para o dia 30 de Abril.

 O ganhador do sorteio do livro "Apologética Contemporânea", escrito pelo Dr. William Lane Craig, foi Aureliano Dos Santos Rocha, email auremix_@....com



SOBRE O AUTOR DO LIVRO

Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, na Alemanha. Seu vasto conhecimento filosófico e teológico lhe rendeu debates com importantes ateus, agnósticos e anticristãos do mundo todo, como Christopher Hitchens, Antony Flew, Kai Nielsen, Bart Ehrman, John Dominic Crossan e Sam Harris. Este último, um dos quatro cavaleiros do neoateísmo, chegou a dizer que Craig “é o apologista que parece colocar o temor de Deus em muitos de meus colegas ateus”.

WILLIAM LANE CRAIG NO BRASIL

O Dr. Craig estará no Brasil para realizar uma série de palestras. Confira as datas:
12/03/2012 – Mosteiro da Faculdade São Bento (São Paulo)
13/03/2012 – Congresso de Teologia Vida Nova (São Paulo)
14/03/2012 – Congresso de Teologia Vida Nova (São Paulo)
15/03/2012 – Congresso de Teologia Vida Nova (São Paulo)
17/03/2012 – Igreja Batista de Itacuruçá (Rio de Janeiro)
19/03/2012 – Lançamento de livro na FNAC (São Paulo)
20/03/2012 – Universidade Mackenzie (São Paulo)

Não perca a oportunidade de ouvir um dos maiores apologistas cristãos da atualidade!


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dr William Lane Craig: A Surdez do Ateu



Filosofia e Apologética Cristã: Dr William Lane Craig: A Surdez do Ateu: "Dr Craig apresenta uma realidade muito comum e triste. Muitos ateus parecem ser literalmente surdos quando debatem sobre a existência de ..."

Visitem o blog do meu amigo Mike Moore:
http://mikemooreac.blogspot.com/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SORTEIO DO LIVRO "Apologética para questões difíceis da vida"

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Por que Deus não responde às minhas orações? Se Deus é onipotente, por que o mal existe? Se Deus é tão amoroso, por que sofremos? Qual é o significado do sofrimento para o cristão? Como ele deve lidar com suas dúvidas?
 
Todo aquele que busca compreender as razões de sua fé acaba se deparando com questões complicadas como sofrimento, dúvida, fracasso, existência do mal e orações não respondidas. Além disso, temas polêmicos como aborto e homossexualidade confrontam os cristãos diariamente, na mídia e nos debates políticos. Porém, muitas vezes, em meio a nossa sociedade cada vez mais intelectualmente estagnada, o cristão não encontra respostas bem elaboradas, francas e inteligentes.
Para isso, William Lane Craig escreveu Apologética para questões difíceis da vida, que acaba de ser lançado por Edições Vida Nova.
O autor é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, Inglaterra, e doutor em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. É um dos mais importantes filósofos da religião atuais, destacando-se também como apologeta cristão.
 
No dia 26 de novembro, a Vida Nova, em parceria com os blogs Apologia e Despertai Bereanos!, sorteará três exemplares de Apologética para questões difíceis da vida. Para participar do sorteio desse lançamento, clique aqui e preencha o formulário.
Já adiantamos que Vida Nova trará William Lane Craig ao Brasil para participar do 8º Congresso Vida Nova de Teologia, no primeiro semestre de 2012. Em breve, mais informações!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Tantos ateus, tão pouco tempo! (W. L. Craig - Questão da Semana)



Tradução: Vitor Grando
http://despertaibereanos.blogspot.com
vitor.grnd@gmail.com

Essa resposta do W.L.Craig é uma ótima introdução à apologética. Ele apresenta boas ferramentas ao leigo que quer estar "sempre preparado para responder a razão da nossa fé" (1 Pe 3.15). Recomendo para todo cristão!

Pergunta:

Dr. Craig, eu estudo na Universidade do Estado de Louisiana e trabalho na biblioteca da faculdade. De todas as pessoas com quem eu trabalho, metade são agnósticas e a outra metade ateísta. Eu me tornei um cristão nascido-de-novo há pouco mais de um ano, após cinco anos de ateísmo. Eu tenho percebido que muitos jovens creem, como eu cria, que a religião é coisa estúpida e de que não há Deus algum. Eu sequer menciono religião para meus colegas de trabalho e alguns deles, ainda assim, dizem coisas horríveis a respeito da religião e do Cristianismo. Eu trabalho com um inglês que diz que seu país é muito não-religioso onde até a menção do nome de Deus é ridicularizada. A América do Norte também tem se tornado descrente. Preocupo-me com nosso futuro. Não sei como combater o ateísmo. Sou cristão, convertido por experiências pessoais, não sou filósofo. Ateus pedem por respostas, respostas que eu não tenho tempo para procurar. Estou fazendo três graduações na LSU e nenhuma delas é filosofia. Como pode um simples estudante leigo, como eu, se tornar um decente defensor do Cristianismo contra esse colegas ateus? Sempre defenderei minha crença em Cristo, mas eles procuram por algo mais do que eu creio. Eles dizem que os crentes são estúpidos e ilógicos, portanto eu gostaria de argumentar fundamentado na lógica e provar a eles que os crentes não são estúpidos. Como alguém que não tem tempo de aprender filosofia ou ler teologia pode debater contra esses descrentes mente-fechada?

John

Dr. Craig responde:

Tendo já falado duas vezes na LSU, eu fiquei surpreso com a atmosfera de descrença que caracteriza a comunidade universitária lá. Isso lhe dá a oportunidade de ser ainda mais luz na escuridão.

Respondo a sua pergunta esta semana, John, porque eu penso que é uma pergunta que muitos cristãos encaram. Não temos tempo para nos tornarmos hábeis apologistas, e ainda assim nos encontramos em situação nas quais somos chamados a apresentar uma "razão para a esperança que há em nós" (1 Pedro 3.15). O que devemos fazer?

Algo fácil que podemos fazer é aprender a formular questões. Greg Kouhl recomenda fazermos duas perguntas aos descrentes:

1. O que você quer dizer com isso?

2. Que razões você tem para pensar isso?

É incrível como essas duas simples perguntas são capazes de embaralhar as pessoas! Por exemplo, pergunte ao descrente o que ele quer dizer quando diz que não acredita em Deus - ele é ateu ou agnóstico? (Prepare-se para explicar a diferença para ele!). O que quer que ele diga, pergunte-o, "Que razões você tem para pensar isso?" Muitas pessoas sequer entendem o que querem dizer com suas afirmações, e provavelmente a maioria não tem boas razões para elas. Enquanto você estiver fazendo perguntas, você não está fazendo afirmação nenhuma, portanto não tem que provar nada. Deixe o ônus da prova com os descrentes.

Outra coisa que você pode fazer é se referir a alguma fonte. Você não precisa ter um cérebo para dizer a alguém, "Você já viu a Blackwell Companion to Natural Theology? Antes de dizer que não há teístas inteligentes e nenhuma boa razão para crer em Deus, talvez seja melhor você dar uma olhada nesse livro primeiro. Caso contrário, você não estará realmente informado". Você não precisar ter lido esses livros se estiver com o tempo apertado. Tudo que você precisa é conhecer alguns títulos: God, Freedom, and Evil, de Alvin Plantinga. The Existence of God, de Richard Swinburne. Finite and Infinite Goods: A Framework for Ethics, de Robert Adams. The Book of Acts in the Setting of Hellenistic History, de Colin Hemer. Jesus Remembered, de James D. G. Dunn. The Resurrection of the Son of God, de N. T. Wright. Envergonhe o descrente pela sua ignorância dessa literatura. Se ele for alguém sincero, recomende que ele pesquisa neste site ou assista a um debate.

Terceiro, aprenda a citar nomes de estudiosos cristãos. Quando o descrente lhe disser que todos os cristãos são ignorantes, mostre-se surpreso e diga surpreendido, "Você realmente acha isso? O que você acha da obra de Alvin Plantinga - ou de William Alston?". Citar nomes pode ser desagradável quando alguém está querendo aparecer, mas num caso como este, você está apenas oferecendo contra-exemplos à alegação de que todos os cristãos são ignorantes, uma visão que está enraizada na ignorância. Aqui vão alguns nomes para serem mencionados: filósofos: Alvin Plantinga* (Universidade de Notre Dame), Peter van Inwagen (Universidade de Notre Dame), William Alston (Universidade de Syracuse), Richard Swinburne (Oxford), Robert Adams (Universidade da Carolina do Norte), Dean Zimmerman (Universidade Rutgers); cientistas: Francisco Ayala (altamente condecorado biólogo evolucionista), Allan Sandage (o astrônomo mais famoso do mundo), Christopher Isham (O maior cosmologista quantum do Reino Unido), George Ellis (uma vez descrito pra mim por um colega como a pessoa que mais sabe de cosmologia do que qualquer homem vivo), Francis Collins (líder do projeto genoma); estudiosos do Jesus histórico: John Meier (autor do estudo multi-volume sobre o Jesus histórico), N. T. Wright (outro grande escritor de obras sobre Jesus, James D. G. Dunn (grande estudioso da Universidade de Durham), Craig Evans (canadense estudioso do Jesus histórico de primeira linha). Pergunte ao descrente como ele pode fazer qualquer afirmação crível sobre o calibre intelectual dos cristãos se ele jamais leu qualquer destes estudiosos.

Quarto, apresente esta réplica às afirmações dele:

"Deixe-me ver se eu entendi: seu argumento é que

1. Cristãos são estúpidos e ilógicos.

2. Portanto, o Cristianismo não é verdadeiro.

Agora me explique como (2) se segue logicamente de (1)?"

Quem está sendo ilógico agora? Você pode até escrever a premissa e a conclusão num papel para ele. Pergunte a ele como a conclusão segue logicamente da premissa. Se ele quiser adicionar algumas premissas ao argumento, vá em frente e deixe-o fazê-lo, e então lhe pergunte quais razões ele tem para pensar que as premissas são verdadeiras. Diga a ele que atacar a inteligência dos cristãos em vez de atacar a visão dos mesmos é cair na falácia de argumentar ad hominem (a falácia de atacar a pessoa em vez da visão da pessoa). Novamente, quem é o ilógico?

Finalmente, John, deixe de dar desculpas e tire algum tempo para se preparar. Você pode tirar uma hora por semana, todo Sábado ou Domingo, e estudar um capítulo de On Guard. Você terminará em dez semanas. Memorize as premissas dos argumentos teístas para que estejam na ponta da língua. Eu garanto que se você fizer isso, estará preparado para lidar com quase todo descrente que cruzar seu caminho. Não é tão difícil, John! Sei que você é ocupado com suas aulas e trabalhos de casa, mas não posso crer que você não consegue arrumar uma hora da semana para investir na preparação apologética. Se fizer isso, não se arrependerá.

O texto original se encontra em: ReasonableFaith.org

Obs.: Só há um problema na resposta do W.L. Craig: a maioria das fontes que ele cita não existe em português - para infelicidade nossa! Sendo assim, temos que buscar alternativas aos recursos que ele indica, aqui vão algumas dicas:

(1) Alvin Plantinga, o filósofo citado pelo Craig, não tem nenhuma obra traduzida para o português, mas este blog é, talvez, a maior fonte de artigos traduzidos de Plantinga, tais artigos podem ser lidos aqui:

(2) Uma das melhores fontes de recursos apologéticos para nós brasileiros é o site Apologia.com.br

(2) O livro On Guard, que não tem tradução para o português, pode ser substituído por outro livro do W.L. Craig: A Veracidade da Fé Cristã

(4) Considero as seguintes obras a melhor introdução à apologética: (1) Cristianismo Puro e Simples - C.S.Lewis (2) Em Defesa de Cristo - Lee Strobel (3) Em Defesa da Fé - Lee Strobel (4) A Veracidade da Fé Cristã - W.L. Craig. Lendo tais obras você já será capaz de apresentar uma sólida defesa da fé cristã.

(5) Pesquise, pesquise e pesquise! A internet tem muitos recursos sobre os livros e autores citados pelo W.L. Craig - PESQUISE! Caso alguém precise de mais informações podem me escrever que eu responderei prontamenet.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sorteio do Livro "A Veracidade da Fé Cristã"


Este mês realizaremos o sorteio do livro “A Veracidade da Fé Cristã”, publicado pela Editora Vida Nova. O livro foi escrito pelo Dr. William Lane Craig, que pode ser considerado um dos maiores apologistas da atualidade. Isso porque não há outro que tenha enfrentado tantos proeminentes eruditos céticos em debates públicos como ele. O Dr. Craig já defendeu a fé cristã em debates publicos com céticos ilustres como Bart Ehrman, John Dominic Crossan, Anthony Flew, Gerd Ludemann, Richard Carrier, Paul Kurtz, entre outros. Pode-se ler a transcrição de vários desses debates em seu website (www.reasonablefaith.org).


Recentemente, o Dr. Craig enfrentou o ateu Christopher Hitchens em um debate sobre a existência de Deus. Hitchens é conhecido no Brasil como colunista da Revista Época e autor do livro “Deus não é grande – Como a religião envenena tudo”. Um blogueiro ateu escreveu sobre o debate: “Francamente, Craig espancou Hitchens como uma criança insensata.” Perceba com atenção que essas foram as palavras de um ateu – não as de um evangélico.


Se você deseja conhecer melhor este grande apologista, há diversos artigos de sua autoria publicados no blog Apologia.


Para participar do sorteio, basta clicar aqui e preencher o formulário. O evento está previsto para o dia 30 de Junho de 2009.

domingo, 30 de novembro de 2008

Uma Perspectiva Cristã Sobre a Homossexualidade - William Lane Craig


William L. Craig é doutor em Teologia pela Universidade de Munique e em Filosofia pela Universidade de Birmingham. Craig é o maior apologista Cristão de nossos tempos. Hábil debatedor, ele já enfrentou grandes pensadores céticos como Antony Flew, Bart Ehrman, John D. Crossan nos campi de Universidades como Harvard, Oxford e Princeton debatendo tópicos como a existência de Deus e a historicidade da ressurreição de Cristo. É autor dos livros A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã. Neste artigo ele desenvolve uma perspectiva cristã sobre a delicada, e contemporânea, questão da homossexualidade.

Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
DespertaiBereanos.blogspot.com

Uma das questões mais importantes e voláteis que a Igreja enfrenta hoje é a questão da homossexualidade como um estilo de vida alternativo. A Igreja não pode se esquivar dessa questão. Eventos como o brutal assassinato de Matthew Shepherd, o estudante homossexual de Wyoming, ou os recentes escândalos envolvendo padres pedófilos, que abalaram a Igreja Católica, servem para trazer essa questão para o centro da cultura Americana

Cristãos que rejeitam a legitimidade do estilo de vida homossexual são geralmente taxados de homofóbicos, intolerantes e até odiosos. Há uma grande intimidação em relação a essa questão. Algumas igrejas inclusive têm aprovado o estilo de vida homossexual e aceitam aqueles que praticam a homossexualidade como ministros da igreja.

E não pense que isso só tem acontecido em igrejas liberais. Um grupo de evangélicos chamado Evangelicals Concerned é um grupo de pessoas que aparentam ser cristãos nascidos-de-novo, crentes na Bíblia, mas também homossexuais praticantes. Eles alegam que a Bíblia não proíbe a atividade homossexual ou que seus mandamentos não são válidos para hoje, mas são apenas reflexo da cultura na qual eles foram escritos. Essas pessoas podem ser ortodoxas em relação à Jesus e todas as outras áreas de ensino; mas eles pensam que é correto ser um homossexual praticante. Eu lembro de ouvir um acadêmico do Novo Testamento numa conferência profissional relatar a história de que uma vez foi falar em um de seus encontros. "As pessoas estavam seriamente preocupadas sobre o que você iria dizer," seu anfitrião disse depois do encontro. "Por quê?" ele perguntou surpreso. "Você sabe que eu não sou homofóbico!" "Ah, não, não era essa a preocupação", seu anfitrião afirmou. "Eles temiam que fosse você ser muito histórico-crítico!"

Então quem somos nós para dizer que esses aparentes cristãos sinceros estão errados?

Essa é uma pergunta muito importante. Quem somos nós para dizer que eles estão errados? Mas essa pergunta levanta uma pergunta ainda mais profunda, que deve ser respondida primeiro: o certo e o errado realmente existem? Antes de determinar o quê é certo ou errado, você tem que saber se realmente há um certo e errado.

Bem, qual é a base para dizer que o certo e o errado existem, que realmente há uma diferença entre os dois? Tradicionalmente, a resposta tem sido que os valores morais se baseiam em Deus. Deus é, pela Sua própria natureza, perfeitamente santo e bom. Ele é justo, paciente, misericordioso, generoso - tudo que é bom vem dele e é um reflexo de Seu caráter. Agora, a natureza perfeitamente boa de Deus se traduz em mandamentos para nós, que se tornam nossos deveres morais, por exemplo, "Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, entendimento e força", "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", "Não matarás, furtarás, ou cometerás adultério". Essas coisas são certas ou erradas baseadas nos mandamentos de Deus, e os mandamentos de Deus não são arbitrários, mas fluem necessariamente de Sua natureza perfeita.

Esse é o entendimento Cristão de certo ou errado. Existe realmente um ser como Deus, que criou o mundo e nos criou à Sua imagem. E ele, realmente, nos ordenou certas coisas. Somos, realmente, obrigados a fazer certas coisas (e a não fazer outras). Moralidade não está apenas em sua mente. Ela é real. Quando falhamos em cumprir os mandamentos de Deus, nós estamos culpados perante Ele e necessitamos de Seu perdão. O problema não é só que nos sentimos culpados; nós realmente somos culpados, não importando como nos sentimos. Eu posso não me sentir culpado porque eu tenho uma consciência insensível, cauterizada pelo pecado; mas se eu tiver quebrado um mandamento de Deus, eu sou culpado, não importando como eu me sinta.

Então, por exemplo, se os Nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra e alcançassem o objetivo de lavar a mente ou exterminar quem quer que discordasse deles, para que então todos pensassem que o Holocausto tivesse sido algo bom, ainda assim seria errado, porque Deus afirma que é errado, não importando a opinião humana. Moralidade é baseada em Deus, então o certo e o errado existem realmente e não são afetados pelas opiniões humanas.

Eu enfatizei esse ponto por ser tão estranho para muitas pessoas na nossa sociedade hoje. Hoje muitas pessoas pensam no certo e errado não como uma questão de fato, mas como uma questão de gosto. Por exemplo, não há nenhum fato objetivo em brócolis é gostoso. É gostoso para alguns, mas ruim para outros. Pode ser ruim para você, mas é bom para mim! As pessoas pensam o mesmo em relação aos valores morais. Algo pode ser errado para você, mas certo para mim. Não há nenhum certo e errado na verdade. É apenas uma questão de opinião.

Agora, se não há nenhum Deus, então eu penso que essas pessoas estão absolutamente corretas. Na ausência de Deus tudo se torna relativo. Certo e errado se tornam relativos de acordo com diferentes culturas e sociedades. Sem Deus quem dirá que os valores de uma cultura são melhores do que os de outra? Richard Taylor, que é um proeminente filósofo americano - e não é cristão -, esclarece isso enfaticamente. Observe atentamente o que ele diz:

A idéia de... obrigação moral é clara o bastante, estabelecida essa referência a algum legislador superior... mais do que à referência ao estado. Em outras palavras, nossas obrigações morais podem... ser entendidas como aquelas que são impostas por Deus... Mas e se esse legislador mais-alto-que-o-homem não for mais levado em consideração? O conceito de obrigação moral... ainda assim fará sentido?[1]

Ele diz que a resposta é "Não." Eu cito: "O conceito de obrigação moral não é inteligível à parte da idéia de Deus. As palavras permanecem, mas o sentido se foi" [2]

Ele continua e diz:

A era moderna, repudiando a idéia de legislador divino, todavia, tem tentado manter as idéias de moralmente certo e errado, sem se dar conta que ao colocar Deus de lado eles também aboliram o sentido do certo e errado. Assim, até pessoas instruídas algumas vezes declaram que certas coisas como guerra, ou aborto, ou a violação de certos direitos humanos são moralmente erradas, e pensam que disseram alguma coisa verdadeira e com sentido. As pessoas instruídas não precisam ser lembradas, entretanto, que tais questões nunca foram respondidas à parte da religião.[3]


Você percebe o que esse filósofo não-Cristão está dizendo? Se não há Deus, se não há legislador divino, então não há nenhuma lei moral. Se não há lei moral, então não há nenhum certo e errado. Certo e errado são simples convenções humanas e leis variam de sociedade em sociedade. Mesmo se todas concordarem, continuariam sendo invenções humanas.

Então se Deus não existe, certo e errado não existem também. Qualquer coisa é válida, incluindo a homossexualidade. Então, uma das melhores maneiras de defender a legitimidade do estilo de vida homossexual é se tornar ateu. Mas o problema é que muitos defensores da homossexualidade não querem se tornar ateus. Em particular, eles querem afirmar que o certo e o errado existem. Então você os ouve fazendo julgamentos morais a todo tempo, por exemplo: "É errado discriminar os homossexuais". E esses julgamentos morais não são para serem entendidos como relativos a uma cultura ou sociedade. Eles condenariam uma sociedade como a Alemanha Nazista que lançou os homossexuais em campos de concentração, junto com os judeus e outros indesejáveis. Quando o Colorado formulou uma emenda proibindo certos direitos especiais para os homossexuais, Barbara Streisand convocou um boicote ao estado dizendo, "O clima moral no Colorado se tornou inaceitável".


Mas vimos que esses tipos de julgamentos morais não têm sentido a menos que Deus exista. Se Deus não existe, tudo é válido, incluindo a discriminação e perseguição aos homossexuais. Mas não para por aí: homícidio, estupro, tortura, abuso infantil - nenhuma dessas coisas seriam erradas, pois sem Deus não existe certo e errado. Tudo é permitido.

Então se podemos fazer julgamentos morais sobre o que é certo ou errado, temos que afirmar que Deus existe. Mas, então, a mesma pergunta que nós começamos - "Quem é você para dizer que a homossexualidade é errada?" - pode ser devolvida aos ativistas homossexuais: "Quem é você para dizer que a homossexualidade é certa?" Se Deus existe, então não podemos ignorar o que Ele diz sobre o assunto. A resposta correta ao "Quem é você...?" é "Eu? Não sou ninguém! Deus determina o que é certo e errado, e eu só estou interessado em aprender e obedecer o que Ele diz."

Então deixe-me recapitular o que vimos até aqui. A questão da legitimidade do estilo de vida homossexual é uma pergunta sobre o que Deus tem a ver com isso. Se não há Deus, então não há certo e errado, e não faz diferença que estilo de vida você escolhe - o perseguidor dos homossexuais é moralmente equivalente ao defensor da homossexualidade. Mas se Deus existe, não podemos seguir nos baseando em nossas opiniões. Temos que descobrir o que Deus acha sobre o assunto.

Então como descobrir o que Deus pensa? O Cristão diz, veja na Bíblia. E a Bíblia nos diz que Deus abomina os atos homossexuais. Logo, eles estão errados.

Então, basicamente o raciocínio é o seguinte:

(1) Somos todos obrigados a fazer a vontade de Deus.

(2) A vontade de Deus é expressa na Bíblia.

(3) A Bíblia proíbe o comportamento homossexual.

(4) Logo, o comportamento homossexual é contrário à vontade de Deus, ou é errado.

Agora se alguém resistir a este raciocínio, ele deve negar ou (2) A Vontade de Deus é expressa na Bíblia ou (3) A Bíblia proíbe o comportamento homossexual.

Vamos ver o ponto (3) primeiro: A Bíblia, de fato, proíbe o comportamento homossexual? Agora, veja como eu coloco a questão. Eu não perguntei se a Bíblia proíbe a homossexualidade, mas sim se a Bíblia proíbe o comportamento homossexual? Essa é uma distinção importante. Ser homossexual é um estado ou uma orientação; uma pessoa que tem orientação homossexual pode jamais expressar essa orientação em ações. Por contraste, uma pessoa pode se envolver em atos homossexuais mesmo sendo de uma orientação heterossexual. O que a Bíblia condena são as ações e comportamento homossexual. A idéia de uma pessoa sendo homossexual por orientação é uma característica da psicologia moderna e pode ter sido desconhecida para as pessoas do mundo antigo. Eles estavam familiarizados com os atos homossexuais, e é isso que a Bíblia proíbe.

Isso tem implicações enormes. Significa que todo esse debate sobre a questão de se a homossexualidade é algo que já nasce com o individuo ou é resultado de como você foi criado, na verdade não importa no final. O que importa não é como você recebeu sua orientação, mas o que você faz com ela. Alguns defensores da homossexualidade anseiam em provar que seus genes, e não sua criação, que determinam se você é homossexual porque então o comportamento homossexual seria normal e correto. Mas essa conclusão não se segue de jeito algum. Só porque você é geneticamente pré-disposto a algum comportamento não significa que tal comportamento é moralmente correto. Para exemplificar, alguns pesquisadores suspeitam que haja um gene que predispõe algumas pessoas ao alcoolismo. Isso significa que é correto para as pessoas com tal pré-disposição ir em frente e beber e se tornar um alcoólico? Óbvio que não! Se serve para qualquer coisa, serve para alertá-lo que deve se abster do alcoól para prevenir que isso aconteça. Agora a verdade da questão é que nós não compreendemos completamente os papéis exercidos pela hereditariedade e a criação na produção da homossexualidade. Mas isso realmente não importa. Mesmo se a homossexualidade fosse completamente genética, esse fato ainda assim não seria nada distinto de um defeito de nascimento, como fissuras palatinas ou epilepsia. Não quer dizer que é normal e que não devamos tentar corrigir.

De qualquer forma, mesmo se a homossexualidade resultar da genética ou da criação, as pessoas geralmente não escolhem serem homossexuais. Muitos homossexuais testemunham o quão agonizante é se encontrar com esses desejos e lutar contra eles, e eles te dirão que nunca escolheram ser assim. E a Bíblia não condena uma pessoa por ter orientação homossexual. O que ela condena são os atos homossexuais. É perfeitamente possível ser homossexual e ainda assim ser um cristão cheio do Espírito e nascido de novo.

Assim como um alcoólico que está limpo se levanta num encontro dos AA e diz, "Eu sou alcoólico", assim também um homossexual que está vivendo sem a prática e se mantendo puro deve estar pronto para se levantar um encontro de oração e dizer, "Eu sou um homossexual. Mas pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo, eu tenho vivido separado para Cristo". E eu espero que tenhamos a coragem e amor de recebê-lo como irmão ou irmã em Cristo.


Então, mais uma vez, a pergunta é: A Bíblia proíbe o comportamento homossexual? Bem, eu já disse que sim. A Bíblia é tão realista! Você pode esperar que ela não mencione um tópico como o comportamento homossexual, mas, de fato, existem seis lugares na Bíblia - três no Antigo Testamento e três no Novo Testamento - onde essa questão é abordada diretamente - para não mencionar todas as passagens que lidam com o casamento e a sexualidade que tem implicações para essa questão. Em todas as seis passagens os atos homossexuais são inequivocamente condenados.


Em Levítico 18.22 diz que é abominação um homem se deitar com outro homem como se fosse mulher. Em Levítico 20.13 a pena de morte é prescrita em Israel para tal ato, junto com adultério, incesto e bestialidade. Agora, algumas vezes os defensores da homossexualidade interpretam essas passagens à luz de outras proibições do Antigo Testamento contra o contato com animais impuros como porcos. Assim como os Cristãos não obedecem todas as leis cerimoniais do Antigo Testamento, assim também, eles dizem, não temos que obedecer as proibições em relação aos atos homossexuais. Mas o problema com esse argumento é que o Novo Testamento reafirma a validade das proibições do Antigo Testamento sobre o comportamento homossexual, como veremos abaixo. Isso mostra que essas passagens não eram somente parte das leis cerimoniais do Antigo Testamento, que já se passaram, mas sim parte da eterna lei moral de Deus. O comportamento homossexual é um pecado sério para Deus. O terceiro lugar onde os atos homossexuais são mencionados no Antigo Testamento é na terrível história de Gênesis 19 da tentativa de abuso aos visitantes de Ló pelos homens de Sodoma, de onde se deriva a palavra sodomia. Deus destruiu Sodoma por causa da perversidade deles.

Agora, se isso não é o bastante, o Novo Testamento também proíbe o comportamento homossexual. Em 1 Coríntios 6.9-10 Paulo escreve, "Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idolatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus." A palavra traduzida como "sodomita" se refere, na literatura Grega, ao intercurso sexual passivo ou ativo entre homens. (Como eu disse, a Bíblia é muito realista!). Essa palavra também é citada em 1 Timóteo 1.10 junto com fornicadores, ladrões, mentirosos e assassinos como "contrário à sã doutrina". O mais longo tratamento da atividade homossexual está em Romanos 1.24-28. Aqui Paulo fala sobre como as pessoas se desviaram do Deus Criador e passaram a adorar falsos deuses criados por si mesmos.

Ele diz,

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.


Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.


Acadêmicos liberais tem feito acrobacias para tentar dar outra explicação que não o sentido claro expresso nesses versículos. Alguns disseram que Paulo só está condenando a prática pagã do abuso de menores pelos homens. Mas tal interpretação é obviamente errada, visto que Paulo diz nos versos 24 e 27 que esses atos homossexuais são cometidos "homens com homens" e no verso 26 ele fala de atos de lesbianismo também. Outros acadêmicos têm dito que Paulo só está condenando os heterossexuais que se envolvem em atos homossexuais, mas não os homossexuais que o fazem. Mas essa interpretação é inventada e anacrônica. Já dissemos que foi apenas nos tempos modernos que a idéia de homossexual com orientação heterossexual se desenvolveu. O que Paulo está condenando são os atos homossexuais, não importando a orientação. Dado o contexto dessa passagem do Antigo Testamento e do que diz Paulo em 1 Coríntios 6.9-10 e 1 Timóteo 1.10, é claro que Paulo está proibindo tais atos. Ele vê esse comportamento como evidência de uma mente corrompida que se afastou de Deus e foi entregue por Ele à degeneração moral.

Então a Bíblia é muito clara no que diz respeito ao comportamento homossexual. É contrário ao plano de Deus e é pecado. Mesmo se não existissem todas essas passagens explicitas que lidam com os atos homossexuais, tais atos ainda seriam proibidos sob o mandamento "Não adulterarás". O plano de Deus para a atividade sexual humana é reservado para o casamento: qualquer atividade sexual fora da segurança dos laços matrimoniais - seja sexo pré-matrimonial ou extraconjugal, homo ou heterossexual - é proibida. O sexo foi desenhado por Deus para o casamento.


Alguém pode dizer que Deus fez o sexo para o casamento, então vamos permitir que os homossexuais se casem para que não estejam cometendo adultério! Mas essa sugestão é uma interpretação completamente errada da intenção de Deus para o casamento. Na história da criação em Gênesis, nos é dito como Deus fez a mulher como uma auxiliadora ideal ao homem, o complemento perfeito dado por Deus. Então é dito, "Por essa razão, deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se ambos uma só carne". Esse é o padrão de Deus para o casamento, e no Novo Testamento Paulo cita essa passagem e então diz, "Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja" (Ef. 5.32). Paulo diz que a união entre o homem e sua mulher é um símbolo vivo da unidade entre Cristo e seu povo, a Igreja. Quando pensamos nisso, podemos ver que terrível sacrilégio, que desprezo pelo plano de Deus, é a união homossexual. Isso ataca a intenção de Deus para a humanidade no momento da criação.

O que foi dito acima também demonstra o quão bobo é quando algum defensor da homossexualidade diz, "Jesus nunca condenou o comportamento homossexual, então por que deveríamos condenar?" Jesus não mencionou especificamente muitas coisas que sabemos que são erradas, tais como bestialidade ou tortura, mas isso não significa que ele as aprovou. O que Jesus faz é citar Gênesis para afirmar o padrão de Deus para o casamento como base de seu próprio ensinamento sobre o divórcio. Em Marcos 10.6-8, Ele diz, "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne." Dois homens se tornando uma só carne no intercurso homossexual seria uma violação da ordem e intenção de Deus. Ele criou homem e mulher para seria indissoluvelmente unidos no casamento, não dois homens ou duas mulheres.

Para recapitular, então, a Bíblia clara e consistentemente proíbe a atividade homossexual. Então se a vontade de Deus é expressa na Bíblia, daí se segue que o comportamento homossexual é contrário à vontade de Deus.

Mas suponha que alguém negue o ponto (2) que a vontade de Deus é expressa na Bíblia. Suponha que ele diga que as proibições contra o comportamento homossexual eram válidas para aquele tempo e aquela cultura, mas não são mais válidas hoje. Afinal, a maioria de nós provavelmente concordaria que certos mandamentos na Bíblia são relativos à cultura. Por exemplo, a Bíblia diz que as mulheres cristãs não deveriam usar jóias e os homens não deveriam ter cabelos compridos. Mas a maioria de nós diria que apesar desses mandamentos terem uma essência atemporal - por exemplo, a regra de se vestir modestamente - esse príncipio pode ser expresso diferentemente em diferentes culturas. Da mesma forma, algumas pessoas estão dizendo que as proibições da Bíblia contra o comportamento homossexual não são mais válidas para nossos dias e Era.

Mas eu penso que essa objeção representa um sério erro de interpretação. Não há evidência de que o mandamento de Paulo em relação aos atos homossexuais sejam culturalmente relativos. Longe de ser um reflexo da cultura no qual ele escreveu, os mandamentos de Paulo eram totalmente contra-culturais! A atividade homossexual era difundida na Grécia antiga e na sociedade Romana como é hoje nos Estados Unidos, e ainda assim Paulo se posicionou contra a cultura e se opôs a ela. Mais importante, temos visto que as proibições da Bíblia contra a atividade homossexual estão enraizadas, não na cultura, mas no padrão estabelecido por Deus para o casamento logo na criação. Você não pode negar que a proibição da Bíblia sobre as relações homossexuais expressam a vontade de Deus a menos que rejeite também que o próprio casamento represente a vontade de Deus.

Bem, suponha que alguém diga, "Eu acredito em Deus, mas não no Deus da Bíblia. Por isso eu não acredito que a Bíblia expressa a vontade de Deus." O que você diria a essa pessoa?


Parece-me que existem duas formas de responder. Primeiro, você poderia tentar mostrar para ela que Deus se revelou na Bíblia. Essa é a tarefa da apologética cristã. Você pode falar sobre as evidências para a ressurreição de Jesus ou profecias cumpridas. As Escrituras nos ordenam a ter tal defesa pronta para compartilhar com qualquer um que nos perguntar por que acreditamos no que acreditamos (1Pe 3.15).

Ou segundo, você pode tentar mostrar que o comportamento homossexual é errado apelando para verdades morais aceitas pela maioria que mesmo pessoas que não crêem na Bíblia aceitam. Enquanto essa abordagem é mais difícil, todavia, eu acredito ser crucial se nós Cristãos quisermos impactar nossa cultura contemporânea. Vivemos em uma sociedade que é cada vez mais secular, cada vez mais pós-Cristã. Não podemos apenas apelar para a Bíblia se quisermos influenciar os legisladores ou as escolas públicas ou outras instituições já que a maioria das pessoas não acredita mais na Bíblia. Devemos apresentar razões que tenham um apelo maior.

Por exemplo, eu acho que muitas pessoas concordariam com o principio de que é errado se envolver em comportamento auto-destrutivo. Pois tal comportamento destrói o ser humano que é inerentemente valioso. Assim, muitas pessoas, eu acho, diriam que é errado se tornar alcoólico ou fumante viciado. Elas diriam que é bom comer bem e se exercitar. Além do mais, eu acho que quase todo mundo concordaria com o príncipio de que é errado se envolver em comportamento que prejudique uma outra pessoa. Por exemplo, nós restringimos os fumantes a certas áreas para que outras pessoas não inalem fumaça passivamente, e formulamos leis contra a embriaguês na direção para que pessoas inocentes não se machuquem. Quase todo mundo concorda que você não tem direito de se envolver em comportamento que seja destrutivo a outro ser humano.

Mas não é difícil demonstrar que o comportamento homossexual é um dos comportamentos mais auto-destrutivos e prejudiciais que uma pessoa pode se envolver. O fato não é publicamente divulgado. Hollywood e a mídia inflexivelmente tendem a colocar um ar de alegria sobre a homossexualidade, enquanto na verdade é um estilo de vida depressivo, perturbador e perigoso, tão viciante e destrutivo quando o alcoolismo ou o fumo. Mas as estatísticas que eu vou compartilhar com você estão bem documentadas pelo Dr. Thomas Schmidt no seu memorável livro Straight and Narrow?[4]

Para começar, existe uma quase compulsiva promiscuidade associada com o comportamento homossexual. 75% dos homens homossexuais têm mais de 100 parceiros durante toda a vida. Mais da metade desses parceiros são estranhos. Apenas 8% dos homens homossexuais e 7% das mulheres homossexuais têm relacionamentos que duram mais de três anos. Ninguém sabe a razão dessa promiscuidade estranha e obsessiva. Pode ser que os homossexuais estão tentando satisfazer uma profunda necessidade psicológica através das relações sexuais, necessidade que nunca é satisfeita. Homens homossexuais têm em média 20 parceiros por ano. De acordo com o Dr. Schmidt,

"O número de homens homossexuais que experimenta algo como fidelidade vitalícia se torna, falando estatisticamente, quase sem sentido. A promiscuidade entre homens homossexuais não é um simples estereótipo, e não é simplesmente a experiência maioritária - é praticamente a única experiência. Fidelidade vitalícia é quase não-existente na experiência homossexual."

Aliada à promiscuidade compulsiva o uso de drogas é difundido entre os homossexuais para aprofundar suas experiências sexuais. Os homossexuais de um modo geral são três vezes mais propensos a terem problemas com bebidas do que a população média. Estudos revelam que 47% dos homens homossexuais têm um histórico de abuso de alcoól e 51% têm um histórico de abuso de drogas. Há uma correlação direta entre o número de parceiros e o nível de drogas consumidas.

Além do mais, de acordo com Schmidt, "Existem enormes evidências de que algumas desordens mentais ocorrem com muito mais frequência entre homossexuais." Por exemplo, 40% dos homens homossexuais tem um histórico de depressão profunda. Os homens de um modo geral apresentam um histórico de depressão de apenas 3%. De forma similar, 37% das mulheres homossexuais têm um histórico de depressão. Isso leva a um alto índice de suícidio. Os homossexuais são três vezes mais propensos a tentativas de suícidio do que a população média. De fato, homens homossexuais tem um índice de tentativa de suícidio seis vezes maior do que dos homens heterossexuais, e as mulheres homossexuais tentam se suicidar duas vezes mais do que mulheres heterossexuais. Nem a depressão nem o suícidio são os únicos problemas. Os estudos revelam que os homossexuais são mais propensos à prática de pedofilia do que os homens heterossexuais. Qualquer que seja a causa dessas desordens, o fato é que qualquer um que considere a possibilidade de se envolver num estilo de vida homossexual não pode se iludir sobre onde ele está entrando.

Outro segredo bem guardado é quão fisicamente perigoso o comportamento homossexual é. Não vou descrever o tipo de atividade sexual praticada pelos homossexuais, mas deixe-me dizer que nossos corpos, macho e fêmea, foram desenhados para o intercurso sexual de uma forma que os corpos de dois homens não foram. Como resultado, a atividade homossexual, 80% é de homens, é muito destrutiva, resultando em problemas como danos à prostáta, úlceras e rupturas, incontinência crônica e diarréia.

Além desses problemas físicos, as doenças sexualmente transmissiveís são muito disseminadas entre a população homossexual. 75% dos homens homossexuais têm uma ou mais doenças sexualmente transmissíveis, não incluindo a AIDS. Isso inclui todo o tipo de infecções não-virais como gonorréia, sífilis, infecções bacterianas e parasitas. Também é comum entre os homossexuais doenças virais como herpes e hepatite B (que afeta 65% dos homens homossexuais), ambas sendo incuráveis, bem como a hepatite A e verrugas anais, que afetam 40% dos homens homossexuais. E eu sequer incluí a AIDS. Talvez a mais chocante e terrível estatística é que, deixando de lado aqueles que morrem devido a AIDS, a expectativa de vida do homem homossexual é de 45 anos aproximadamente. E a do homem comum é de 70 anos.Se você incluir aqueles quem morrem de AIDS, que agora afeta 30% dos homens homossexuais, a expectativa de vida cai para 39 anos de idade.


Então eu acredito que se pode fazer uma boa defesa de que o comportamento homossexual é errado apenas baseando-se em príncipios morais aceitos geralmente. Assim, totalmente à parte da proibição Bíblica, existem boas razões para considerar a atividade homossexual como errada.

Isso tem importantes implicações para a política pública em relação ao comportamento homossexual. Pois políticas e leis públicas são baseadas em príncipios morais aceitos por todos. É por causa disso, por exemplo, que temos leis que regulam a venda de bebidas alcoólicas de várias formas ou leis proibindo o jogo ou restringindo o fumo. Essas restrições sobre a liberdade individual são impostas para o bem comum. Da mesma forma, alguns estados, como nosso estado da Geórgia, têm leis proibindo a sodomia, e a Suprema Corte afirmou que tais leis são constitucionais. Embora essas leis não sejam obrigatórias, elas são legais à luz do risco apresentado por tal comportamento.


Agora em outros casos, leis obrigatóricas em relação à homossexualidade podem ser propostas, e os Cristãos tem que pensar bem sobre isso em relação aos individuos. Por exemplo, um Cristão pode não ver nenhuma razão para que não seja dada oportunidade igual de compra e aluguel de imóveis para pessoas que são homossexuais. Mas eu posso imaginar que um Cristão pode apresentar um projeto de lei contra as oportunidades de trabalho iguais para homossexuais. Pois alguns empregos podem ser inapropriados para tais pessoas. Por exemplo, você gostaria que uma lésbica praticante fosse a professora de educação física da sua filha na escola? Você gostaria de que o técnico do seu filho fosse um homossexual que entrasse no vestiário junto com os garotos? Eu não apoiaria uma lei que forçasse as escolas públicas a contratar essas pessoas.

Ou novamante, as aulas de saúde das escolas públicas deveriam ensinar que a homossexualidade é um estilo de vida legítimo, ou será que os estudantes deveriam ler Heather has Two Mommies (Heather tem duas mamães)? As uniões homossexuais devem ser reconhecidas como sendo tão legais quanto os casamentos homossexuais? Deveria se permitir que os homossexuais adotassem crianças? Em todos esses casos, se pode argumentar a favor de restrições às liberdades homossexuais se baseando no bem público e na saúde pública geral. Não é uma questão de impor os valores pessoais de alguém sobre outro alguém, visto que isso se baseia nos mesmos príncipios morais que são usados, por exemplo, para banir o uso de drogas ou restringir o uso de armas. A liberdade não significa licença para se envolver em ações que possam prejudicar os outros.

Recapitulando, vimos que, primeiro, o certo e errado existem porque se baseiam em Deus. Então se quisermos saber o que é certo ou errado, devemos ver o que Deus diz sobre isso. Segundo, vimos que a Bíblia consistentemente e claramente proíbe os atos homossexuais, assim como proíbe todo o ato sexual fora do matrimônio. Terceiro, vimos que as proibições Bíblicas em relação a tais comportamentos não podem ser explicadas à luz do contexto cultural nas quais fram escritas porque tais proibições estão pautadas no plano divino para o casamento homem-mulher. Além do mais, mesmo à parte da Bíblia, existem príncipios morais geralmente aceitos que implicam que o comportamento homossexual é errado.

Agora, que aplicações práticas isso tem para todos nós como individuos?

Primeiro, se você é um homossexual ou tenha essa inclinação, se mantenha puro. Se você não é casado, deve praticar abstinência de toda atividade sexual. Eu sei que isso é difícil, mas o que Deus está pedindo que você faça é simplesmente o mesmo que ele requer de todas as pessoas solteiras. Isso significa não só manter seu corpo puro, mas especialmente sua mente. Assim como o homem heterossexual deve evitar a pornografia e a imaginação, você, também, precisa manter sua vida e pensamento limpos. Resista à tentação de racionalizar o pecado dizendo, "Deus me fez assim." Deus deixou muito claro que ele não quer que você ceda aos seus pecados, mas sim que você O honre mantendo o corpo e a mente puros. Finalmente, procure aconselhamento profissional Cristão. Com tempo e esforço, você pode vir a usufruir de relações normais e heterossexuais com sua esposa. Há esperança.

Segundo, para aqueles que são heterossexuais, precisamos nos lembrar que ser homossexual não é nenhum pecado. A maioria dos homossexuais não escolheu tal orientação e gostaria de mudar se pudesse. Precisamos aceitar e apoiar carinhosamente irmãos e irmãs que lutam com esse problema. E, em geral, precisamos estender o amor de Deus a essas pessoas. Palavras vulgares e piadas sobre homossexuais jamais devem passar pelos lábios de um Cristão. Se você se encontrar tendo prazer quando alguma aflição cai sobre um homossexual ou se tem sentimentos de ódio aos homossexuais, então você precisa refletir bastante e com afinco nas palavras de Jesus relatadas em Mateus: "Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para Sodoma e Gomorra do que para você." (Mt. 10.15; 11.42).


Notas

1 Richard Taylor, Ethics, Faith, and Reason (Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-Hall, 1985), pp. 83-4.

2 Ibid.

3 Ibid., pp. 2-3.

4 Thomas Schmidt, Straight and Narrow? (Downer’s Gove, Ill.: Inter-Varsity Press, 1995).

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Quem Precisa de Apologética Cristã? - William L. Craig

William L. Craig é doutor em Teologia pela Universidade de Munique e em Filosofia pela Universidade de Birmingham. Craig é o maior apologista Cristão de nossos tempos. Hábil debatedor, ele já enfrentou grandes pensadores céticos como Antony Flew, Bart Ehrman, John D. Crossan nos campi de Universidades como Harvard, Oxford e Princeton debatendo tópicos como a existência de Deus e a historicidade da ressurreição de Cristo. É autor dos livros A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã. Neste artigo sua argumentação é a favor da necessidade e utilidade da apologética cristã. Através da sua própria experiência e da exposição de versículos Bíblicos ele nos mostra a importância da apologética para a saúde da Igreja, fortalecimento dos crentes e de uma maior influência da Igreja na cultura em que está inserida. Artigo importante tanto para os que duvidam do valor da apologética como para aqueles que já se utilizam dela na prática de evangelização e ensino. Três pequenos textos de minha autoria podem servir de introdução ao tema da apologética:
Amando a Deus de Todo o Entendimento
Atos 17,18, 19 e a Necessidade de Líderes Intelectuais na Igreja
A Responsabilidade de Batalhar pela fé


Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
DespertaiBereanos.blogspot.com

Eu fico honrado pelo privilégio de ter sido convidado para apresentar a Conferência Stob deste ano. Há uma tentação de tentar justificar a seleção como um preletor Stob apresentando um par de palestras impressionantes e acadêmicas. Mas uma ligação do presidente Plantinga me esclareceu que esse não era o propósito nem a audiência destas preleções. Eu pensei em falar sobre alguns pontos chaves da teologia filosófica cristã. Mas o presidente Plantinga me encorajou a falar sobre a questão da apologética cristã, um tópico aparentemente caro ao coração de Henry Stob, mas um tanto quanto negligenciado nos últimos anos. Ele me encorajou a refletir sobre minha experiência como apologista cristão e compartilhar alguns conselhos práticos sobre essa disciplina. Então é isso que eu decidi fazer.

Hoje nos faremos essa pergunta fundamental: Quem precisa de apologética cristã?

Para começar, eu acredito que devemos distinguir entre a necessidade e a utilidade da apologética. A distinção é importante. Pois mesmo se a apologética for absolutamente desnecessária, não se segue que ela seja inútil. Por exemplo, não é necessário saber como digitar para se usar um computador - você pode "catar milho", como eu faço - mas, todavia, a habilidade de digitar é muito útil para usar um computador. Ou ,novamente, não é necessário conservar sua bicicleta para ir pedalar, mas pode ser um benefício real mantê-la em ordem. Da mesma forma, a apologética cristã pode ser de grande utilidade mesmo se não for necessária para algum fim. Assim, em relação à apologética, precisamos nos perguntar não só "quem precisa?" mas também "para que que ela serve?"

Apologética cristã pode ser definida como um ramo da teologia cristã que procura apresentar uma garantia racional das alegações de verdade do Cristianismo. Aqueles que tratam a apologética com desdém tendem a mensurar o valor da apologética focando em sua alegada necessidade de garantir a crença cristã. Alguns pensadores, particularmente da tradição Reformada Holandesa, veem esse papel como desnecessário e algumas vezes até como mal orientado.

Agora, eu concordo plenamente com os epistemologistas Reformados contemporâneos como Alvin Plantinga que os argumentos e evidências apologéticas não são necessários para que a crença cristã seja garantida para qualquer pessoa. A alegação dos racionalistas teológicos (ou evidencialistas, como eles erroneamente são chamados hoje) de que a fé cristã é irracional na ausência de evidências positivas é difícil de ser conciliada com as Escrituras, que parecem ensinar que a fé em Cristo pode ser imediatamente fundamentada no testemunho interior do Espírito Santo (Rom. 8.14-16; 1 Jn. 2.27; 5.6-10), então os argumentos e evidências se tornam desnecessários. Em outro lugar, eu caracterizei o testemunho do Espírito Santo como auto-autenticado, e por essa noção eu quero dizer (1) que a experiência do Espírito Santo é verídica e inconfundível (apesar de não necessariamente ser irresistível ou indubitável) para quem a tem e quem a observa; (2) que tal pessoa não precisa de argumentos ou evidências suplementares para saber e saber com confiança que ele está, de fato, experimentando o Espírito de Deus; (3) que tal experiência não funciona, nesse caso, como premissa de qualquer argumento de experiência religiosa com Deus, mas sim é a experiência imediata com o próprio Deus; (4) que em certos contextos a experiência com o Espírito Santo implica a compreensão de certas verdades da religião cristã, tais como "Deus existe", "Eu estou reconciliado com Deus", "Cristo vive em mim", e por aí vai; (5) que tal experiência provê não só segurança subjetiva da veracidade do Cristianismo, mas sim conhecimento objetivo dessa verdade.; e (6) que argumentos e evidências incompatíveis com essa verdade são subjugadas pela experiência com o Espírito Santo por quem o recebe.

Evidencialistas cristãos podem insistir que mesmo se a crença cristã puder ser garantida na ausência de argumentos apologéticos positivos, ainda assim deve ter, no mínimo, recursos apologéticos defensivos para derrotar as várias objeções contra as quais é confrontada. Mas mesmo essa alegação mais modesta é precipitada, pois se o testemunho do Espírito Santo na vida de uma pessoa é suficientemente poderoso (como deve ser), então isso irá simplesmente se sobrepor a quaisquer objeções dirigidas à crença cristã, desta forma removendo a necessidade de apologética defensiva. Um crente não instruído o suficiente para refutar argumentos anti-cristãos está garantido em sua crença se baseando apenas no testemunho interno do Espírito mesmo quando confrontado com tais objeções não refutadas. Mesmo quando uma pessoa é confrontada com o que é, para ela, objeções irrespondíveis ao teísmo Cristão ela ainda assim, devido à obra do Espírito Santo, está dentro de seus direitos epistêmicos - digo mais, sob obrigação epistêmica - de crer em Deus. Visto que crenças pautadas no testemunho objetivo e verídico do Espírito são parte das invalidáveis considerações da razão, a fé do crente é garantida mesmo se não tiver nenhuma noção de argumentos apologéticos (como é o caso da maioria dos cristãos hoje e da história da Igreja)

Por contraste, o evidencialista cristão encara duras dificuldades: (1) Ele negaria o direito à fé cristã a todos aqueles que carecem da habilidade, do tempo, ou da oportunidade de entender e avaliar argumentos e evidências. Essa consequência iria, indubitavelmente, entregar milhões de pessoas que são cristãs à descrença. (2) Àqueles que foram apresentados mais argumentos convincentes contra o teísmo Cristão teriam uma desculpa justa perante Deus para sua descrença. Mas as Escrituras dizem que todos os homens não tem desculpa para não responder à revelação que possuem (Rm 1.21). (3) Essa visão cria um tipo de elite intelectual, um sacerdócio de filósofos e historiadores, que iriam ditar às massas da humanidade se é ou não racional acreditar no Evangelho. Mas certamente a fé está disponível para todos aqueles que, respondendo à ação do Espírito, clamam pelo nome do Senhor. (4) A fé fica sujeita às excentricidades da razão humana e das areias movediças das evidências, tornando a fé cristã racional em uma geração e irracional na próxima. Mas o testemunho do Espírito torna toda geração contemporânea de Cristo e assim assegura uma base sólida para a fé.

Então eu, na verdade, não penso que a apologética é necessária para que a fé cristã seja garantida. Mas não se segue daí que a apologética cristã seja, portanto, inútil ou não tenha nenhum beneficio em garantir a fé cristã. Se os argumentos da teologia natural e das evidências cristãs são bem sucedidos, então a crença cristã é garantida por tais argumentos e evidências para a pessoa que os compreende, mesmo se ainda assim essa pessoa estivesse garantida na ausência de tais argumentos. Tal pessoa é duplamente garantida em sua crença cristã, já que ela usufrui de duas fontes de garantia racional.

Pode-se pressentir os grandes benefícios de ter essa dupla garantia racional para as crenças cristãs. Ter argumentos persuasivos para a existência de um Criador e Projetista do universo ou evidências para a credibilidade histórica dos relatos do Novo Testamento sobre a vida de Jesus aliado ao testemunho interno do Espírito pode aumentar a confiança na veracidade das alegações de verdade do Cristianismo. No modelo epistemológico de Plantinga, no mínimo, teríamos uma garantia racional ainda maior para crer em tais alegações. Maior garantia racional pode fazer um descrente abraçar a fé mais prontamente ou inspirar um crente a compartilhar a sua fé com mais confiança. Além do mais, a disponibilidade de garantia racional para a veracidade das alegações de verdade do Cristianismo independente do testemunho do Espírito pode ajudar a predispor um descrente a responder à ação do Espírito quando ouvir o Evangelho e pode prover ao crente um suporte epistêmico em tempos de deserto espiritual ou de dúvida quando o testemunho do Espírito parece obscurecido. Pode-se imaginar inúmeras outras formas onde a posse de dupla garantia racional para as alegações do Cristianismo poderia ser benéfica.

Então, a pergunta é: a teologia natural e as evidências Cristãs garantem a crença cristã? Eu acredito que sim. Nos meus trabalhos públicos eu tenho formulado e defendido versões dos argumentos cosmológico, teleológico e ontológico para a existência de Deus e também tenho defendido o teísmo contra as mais proeminentes objeções à crença em Deus apresentadas por pensadores ateístas, tais como o problema do mal, o ocultamento de Deus, e a coerência do teísmo. Além do mais, tenho argumentado a favor da autenticidade das radicais alegações pessoais de Jesus e a historicidade do túmulo vazio, suas aparições post-mortem a vários indivíduos e grupos, e a inesperada crença dos primeiros discípulos de que Deus o havia feito ressurgir dos mortos. Além do mais, eu tenho argumentado, que a melhor explicação para esses fatos é a explicação dada pelos próprios discípulos: Deus fez Jesus ressurgir dos mortos.

Se esses argumentos estão corretos, então a crença no teísmo cristão é garantida pela teologia natural e pelas evidências cristãs como também pelo testemunho interno do Espírito Santo. Dessa forma, enquanto os argumentos apologéticos não são necessários para que saibamos que o Cristianismo é verdadeiro, ainda assim eles são suficientes, e essa dupla garantia racional para as crenças cristãs pode ser de grande ajuda. Assim, o sucesso da Epistemologia Reformada e a falha do racionalismo teológico de nenhuma forma implicam que a apologética é inútil ou não é importante.

Mais do que isso: mesmo se a apologética cristã não for necessária em relação à garantia racional da crença cristã, a apologética cristã pode ser útil e mesmo necessária para muitos outros fins. Permitam-me mencionar três fins em relação aos quais a apologética cristã desempenha um papel vital na sua realização.

1. Transformação da cultura. A apologética é útil e pode ser necessária para que o Evangelho seja efetivamente ouvido na sociedade ocidental hoje. De um modo geral, a cultura ocidental é profundamente pós-cristã. Isso é produto do Iluminismo, que introduziu na cultura Europeia o fermento do secularismo que já impregnou toda a sociedade ocidental. O marco do Iluminismo era o "livre-pensar", isto é, a busca de conhecimento somente pela razão humana e sem restrições. Apesar disso não levar necessariamente a conclusões não-cristãs e apesar de que a maioria dos pensadores Iluministas eram teístas, foi esse o profundo impacto da mentalidade Iluminista que fez com que os intelectuais ocidentais não mais considerem o conhecimento teológico possível. Teologia não é fonte de conhecimento genuíno e, portanto, não é ciência. Razão e religião são, portanto, contrários entre si. Somente as opiniões das ciências físicas são tidas como guias autoritativos para o nosso entendimento do mundo, e a confiante suposição é que a imagem de mundo que emerge das ciências genuínas é uma imagem completamente naturalista. A pessoa que segue a busca da razão sem retroceder acaba por se tornar ateu ou, no máximo, agnóstico.


Por que essas considerações culturais são importantes? Simplesmente porque o Evangelho nunca é ouvido no isolamento. É sempre ouvido no contexto cultural no qual vivemos. Uma pessoa que cresce num contexto cultural onde o Cristianismo ainda é visto como uma opção intelectualmente viável demonstrará uma abertura ao Evangelho muito maior do que uma pessoa que vive num ambiente secularizado. Pois para uma pessoa secularizada, acreditar em fadas e duendes é o mesmo do que acreditar em Jesus Cristo! Ou, para dar uma ilustração mais realista, é como se fossemos abordados nas ruas por um devoto de Hare Krishna que nos convida a crer em Krishna. Para nós tal convite soará bizarro, estranho e até engraçado. Mas para uma pessoa nas ruas de Bombai, tal convite seria, eu presumo, causa de reflexão séria e razoável. Eu temo que os evangélicos pareçam tão estranhos para as pessoas nas ruas de Bonn, Estocolmo ou Paris como os devotos de Krishna.

O que nos espera na América do Norte, se a secularização continuar da forma que está, já é evidente na Europa. Apesar de que a maioria dos europeus permanece afiliado nominalmente ao Cristianismo, somente 10% são praticantes, e menos da metade desses são teologicamente evangélicos. A tendência mais significante na afiliação religiosa europeia é o crescimento daqueles que se denominam como "não-religiosos" que foram de 0% da população em 1900 para mais de 22% hoje. Como resultado, a evangelização é imensuravelmente muito mais difícil na Europa do que nos Estados Unidos. Tendo vivido na Europa por treze anos, onde eu falei e evangelizei nos campi de várias universidades por todo o continente, eu posso testemunhar pessoalmente quão difícil a situação é. É difícil para o evangelho sequer ser ouvido. Por exemplo, eu lembro claramente quando eu falei na Universidade do Porto em Portugal, os estudantes eram tão incrédulos em relação ao perfil de um intelectual cristão com doutorados de duas universidades europeias que eles suspeitaram que eu fosse um impostor. Ele chegaram a telefonar para a Universidade de Louvain, na Bélgica, onde eu era um pesquisador visitante, para confirmar minha filiação à Universidade!

Os Estados Unidos estão seguindo o mesmo caminho, estando o Canadá mais a frente. A imersão do Canadá no secularismo tem sido precipitada. Em 1900 os evangélicos representavam 25% da população canadense. Em 1989 os evangélicos canadenses desceram para menos de 8% da população. Minha experiência em falar em campus de Universidades do Canadá sugere que o Canadá incorpora um tipo de cultura meio-Atlântica mais próxima do secularismo curopeu do que o seu vizinho do sul. Pluralismo e relativismo são a sabedoria convencional das Universidades canadenses. O politicamente correto e as leis que restringem a expressão nos debates de importância ética servem como armas para oprimir instituições e idéias cristãs. A imersão do Canadá no secularismo ilustra o quão importante é manter o contexto cultural simpático ao Cristianismo para a efetividade da evangelização. Felizmente, durante a última década os evangélicos Canadenses começaram a inverter essa tendência. Mas o retrocesso vai ser muito mais difícil do que o avanço porque isso está na espinha de uma cultura que se tornou oposta à cosmovisão cristã.

É por essa razão que os Cristãos que desprezam o valor da apologética pelo fato de "ninguém vir a Cristo através de argumentos intelectuais" tem a visão tão limitada. Pois o valor da apologética vai muito mais além do que o contato evangelístico imediato. A tarefa mais ampla da apologética cristã é ajudar a criar e sustentar um contexto cultural no qual o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para homens e mulheres pensantes. No seu artigo "Christianity and Culture" (Cristianismo e Cultura) o grande teólogo de Princeton, J. Greshan Machen afirmou corretamente,


Idéias falsas são o maior obstáculo à aceitação do evangelho. Podemos pregar com todo o fervor de um reformador e ainda assim só conseguir ganhar uma alma aqui e ali se permitirmos que todo o pensamento coletivo da nação seja controlado por idéias que impedem que o Cristianismo seja visto como nada mais do que uma ilusão inofensiva.

Infelizmente, o alerta de Machen permaneceu sem ser ouvido, e o Cristianismo Bíblico se restringiu intelectualmente ao isolamento cultural, do qual só começou a sair recentemente.


Agora, grandes oportunidades estão a nossa frente. Vivemos num tempo onde a filosofia cristã está experimentando um renascimento genuíno, revitalizando a teologia natural, numa época em que a ciência está mais aberta à existência transcendental de um Criador e Projetista do cosmos mais do que em qualquer tempo recente, e numa época em que a crítica bíblica tem renovado a busca pelo Jesus Histórico tratando os Evangelhos seriamente como fontes históricas da vida de Jesus e confirmado as principais características do Jesus retratado nos Evangelhos. Estamos intelectualmente equilibrados para ajudar a reformular nossa cultura de tal forma a reconquistar o fundamento perdido, para que o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para pessoas pensantes.

Agora eu posso imaginar alguns de vocês pensando, "Mas nós não vivemos uma cultura pós-moderna na qual esses apelos à apologética tradicional não são mais eficazes? Visto que os pós-modernos rejeitam os cânons tradicionais da lógica, da racionalidade, da verdade, argumentos racionais a favor da veracidade do Cristianismo não funcionam mais. Ao invés disso, na cultura de hoje deveríamos simplesmente compartilhar nosso testemunho e convidar as pessoas a participar conosco."

Na minha opinião esse tipo de pensamento não poderia ser mais equivocado. A idéia de que vivemos numa cultura pós-moderna é um mito. Na verdade, uma cultura pós-moderna é uma impossibilidade; seria algo completamente impossível de se viver. Ninguém é um pós-moderno quando o assunto é a leitura de uma bula de remédio em contraste com uma caixa de veneno de rato! É melhor você acreditar que esses textos tem um sentido objetivo! As pessoas não são relativistas quando o assunto é ciência, engenharia e tecnologia; mas elas são relativistas e pluralistas em questões de religião e ética. Mas, veja, isso não é pós-modernismo; isso é modernismo! É como o antigo Positivismo e o Verificacionismo, que afirmam que qualquer coisa que você não possa provar com os cinco sentidos é uma simples questão de gosto pessoal e expressão emocional. Vivemos num contexto cultural que continua profundamente modernista.

De fato, eu penso que o pós-modernismo é um dos mais articulados enganos criados por Satanás. "Modernismo está morto", ele nos diz, "Você não deve mais temê-lo. Esqueça-o; está morto e sepultado". Enquanto isso o modernismo, se fingindo de morto, ressurge travestido de pós-modernismo, se mascarando como um novo desafio. "Seus velhos argumentos e apologética não são mais eficazes contra esse novo advento", nos é dito. "Deixe-os de lado; eles não têm nenhum uso. Apenas compartilhe seu testemunho." De fato, alguns, cansados de longas batalhas com o modernismo, recebem com alívio a chegada do novo visitante. E, assim, Satanás nos engana e faz com que deixemos a lógica e as evidências, que são nossas melhores armas, de lado, e assim o modernismo triunfa sobre nós. Se adotarmos essa atitude suicída, as consequências para a Igreja na próxima geração serão catastróficas. O Cristianismo será reduzido a uma simples voz numa cacofonia de vozes que competem entre si, cada uma compartilhando seu testemunho e nenhuma afirmando para si a verdade objetiva sobre a realidade, enquanto o naturalismo científico molda a visão da nossa cultura em relação ao mundo como ele é.

Agora, é claro, não é preciso dizer que ao fazer apologética nós temos que ser relacionais, humildes e atrativos; mas isso de maneira alguma é um insight do pós-modernismo. Desde o ínicio os apologistas cristãos sabiam que deveríamos apresentar a razão da esperança que há em nós com "mansidão e respeito" (1 Pe 3.15). Ninguém precisa abandonar os cânons da lógica, da racionalidade e da verdade para exemplificar essas virtudes bíblicas.


E quanto a ideia de que as pessoas na nossa cultura não estão mais interessadas nem mais respondem à argumentação e às evidências racionais para o Cristianismo, nada poderia estar mais distante da verdade. Se me permitem falar sobre minhas experiências pessoais, por mais de vinte anos eu tenho falado e evangelizado em campi de universidades da América do Norte e da Europa, compartilhando o Evangelho num contexto onde eu defendo intelectualmente as alegações de verdade Cristãs. Eu sempre termino minhas preleções com uma sessão de perguntas e respostas. Durante todos esses anos ninguém jamais se levantou e disse algo como, "Seu argumento é baseado nos padrões ocidentais e chauvinistas de lógica e racionalidade" ou expressado algum outro sentimento pós-moderno. Isso jamais acontece. Se você aborda as questões no nível racional, as pessoas também respondem no nível racional. Se você apresenta evidências cientifícas e históricas para as alegações de verdade cristãs, os estudantes descrentes podem argumentar com você sobre fatos - que é exatamente o que você quer -, mas eles não atacam a objetividade da ciência ou da história. Se você apresenta uma argumento dedutivo para uma alegação de verdade cristã, os estudantes descrentes podem levantar objeções às suas premissas ou à conclusão - o que é, novamente, exatamente como uma discussão deve proceder -, mas eles não discutem o seu uso da lógica.

Agora, eu encontro estudantes que suspeitam de um preletor cristão. Por isso eles gostam de ouvir ambos os lados quando uma questão é apresentada. Por essa razão os debates são algo bastante atrativo para a evangelização universitária. Eu competi por oito anos em debates de colégio, debatendo tópicos sobre política pública como o programa de assistência militar, controle de salários e preços, e por aí vai. Eu nunca sonhei que o debate se tornaria uma atividade ministerial. Mas logo após terminar meu doutorado em teologia, eu comecei a receber convites de grupos de estudantes cristãos do Canadá para debater tópicos como "Deus existe?", "Jesus ressuscitou dos mortos?", "Humanismo vs. Cristianismo", e por aí vai. E o que eu tenho visto é que enquanto alguns poucos ou talvez até uns duzentos vem me ouvir dar uma preleção num campus, centenas e até milhares vêm ouvir um debate onde podem ouvir ambos os lados. Por exemplo, 2.200 estudantes da UC Riverside ouviram o meu debate com Greg Cavin sobre a ressurreição de Jesus. Na Universidade de Wisconsin em Madison 4.000 estudantes ouviram - na noite de um jogo de basquete! - meu debate com Antony Flew sobre a existência de Deus. Agora há pouco em Fevereiro 3.000 estudantes da Universidade de Iowa enfrentaram uma nevasca de sete polegadas [polegada = 2,54 cm] de neve para ouvir o meu debate com um professor local de Ciências da Religião conhecido pela sua aversão ao Cristianismo. Mais tarde na primavera deste ano 3.000 estudantes na Universidade de Purdue ouviram meu debate com o jovem filósofo humanista Austin Dacey sobre a questão "Deus existe?". A abordagem em todos esses debates é a abordagem da argumentação racional e das evidências. Há um tremendo interesse entre estudantes em ouvir uma discussão balanceada das razões a favor e contra à crença cristã.


Então, não se engane pensando que as pessoas na nossa cultura não estão mais interessadas nas evidências a favor do Cristianismo. O oposto é o verdadeiro. É de uma importância vital preservarmos uma cultura na qual o Evangelho é ouvido como uma opção viva para pessoas pensantes, e a apologética será a dianteira e o centro ajudando a trazer esse resultado.

2. Fortalecer os crentes. Não só a apologética é vital para a transformação da cultura, mas ela também exerce um papel vital na vida individual das pessoas. Um desses papéis é fortalecer os crentes.

Jan e eu passamos o verão de 1982 vivendo num apartamento em Berlin, me preparando para o meu exame oral em teologia na Universidade de Munique. Eu vinha me preparando por mais de um ano para esses exames críticos, e eu tinha uma pilha de notas de quase um pé de altura que eu tinha memorizado praticamente toda e revisado diariamente nos dias anteriores ao exame. Durante nosso tempo lá, nós tivemos o prazer de receber Ann Kiemel e seu marido Will enquanto eles passaram por Berlin. Ann era a preletora cristã mais popular da América. Ela era única, ela falava para individuos totalmente estranhos e os encorajava cantando algumas canções improvisadas e compartilhando sua fé. Ela era extremamente sentimental e emocional. Ela contava histórias - algumas fictícias, algumas verdadeiras - que fazem toda a audiência derramar lágrimas em minutos.


Bem, enquanto estávamos conversando um dia, eu pensei que poderia aprender algumas lições pela sua experiência. "Ann", eu perguntei, "Como você se prepara para suas mensagens?"
"Ah, eu não me preparo", ela disse.
Eu fiquei totalmente chocado. "Você não se prepara?" eu disse.
"Não", ela respondeu.
Eu fiquei totalmente desconcertado. "Bem, então, o que você faz?" perguntei.
"Ah, eu só compartilho minhas lutas."

Eu não podia acreditar. Eu estava me matando em anos de preparação para o ministério - e ela não se preparava! E não havia a menor dúvida quanto à sua eficácia. Ela alcançada milhares de pessoas com o Evangelho. Ela contava histórias de como acadêmicos cabeça-dura se desmanchavam pelas suas canções e histórias e vinham A Cristo. Eu pensei, "Por que eu estou fazendo tudo isso enquanto tudo que você precisa fazer é compartilhar suas lutas?"

Nós retornamos para os Estados Unidos naquele outono para fazer um sabático na Universidade de Arizona em Tucson, onde um ex-colega de classe vivia. Eu comparilhei com ele a minha conversa com Ann e disse como isso havia me transtornado. Ele disse algo pra mim que foi bastante confirmador. Ele me disse, "Bill, um dia essas pessoas que a Ann Kiemel trouxe ao Senhor vão precisar do que você tem para oferecer."

Ele estava certo. Emoções te levam apenas a um certo ponto, e aí você precisará de algo mais substancial. A apologética provê essa sustância. Ao falar em igrejas ao redor do país, eu frequentemente encontro pais que se aproximam de mim após o culto e dizem algo como "se você estivesse aqui há dois ou três anos atrás! Nosso filho (ou filha) tinha perguntas sobre a fé que ninguém conseguia responder, e agora ele perdeu a fé e se afastou do Senhor."

Arrebenta meu coração encontrar pais assim. Ao viajar, eu também tenho encontrado outras pessoas que me disseram como elas deixaram de apostatar por ter lido um livro apologético ou visto o vídeo de um debate. No caso delas a apologética foi um meio através do qual Deus as fez perseverar na fé. Agora, é claro, a apologética não pode garantir a perseverança, mas pode ajudar e em alguns casos, pela providência de Deus, ser até necessária. Recentemente eu tive o privilégio de falar na Universidade de Princeton sobre argumentos para a existência de Deus, e após minha preleção eu fui abordado por um jovem que queria falar comigo. Claramente segurando as lágrimas, ele me disse que há poucos anos atrás ele vinha lutando com dúvidas e estava prestes a abandonar sua fé. Alguém lhe deu um vídeo de um dos meus debates. Ele disse "Isso me salvou de perder a fé. Não há como te agradecer o suficiente."

Eu disse, "Foi o Senhor que te salvou de cair."

'Sim", ele respondeu, "mas Ele te usou. Não há como te agradecer o suficiente." Eu lhe disse o quão emocionado eu estava por ele e lhe perguntei sobre seus planos futuros. "Eu estou me graduando esse ano", ele me disse, "e eu planejo ir para o seminário. Eu vou ser pastor." Glória a Deus pela vitória na vida desse homem!

Outros estudantes que eu encontrei em Princeton estavam inscritos numa aula dada pela crítica do Novo Testamento Elaine Pagels que eles apelidaram de "aula caça-fantasmas" devido ao efeito destrutivo à fé de muitos estudantes cristãos. Eles não tinham noção de como a visão da Prof. Pagels sobre os evangelhos gnósticos estava fora de contexto com o academicismo proeminente. Foi um privilégio compartilhar com eles as bases para a credibilidade do testemunho neotestamentário sobre Jesus.

A experiência deles não é incomum. No colégio e na faculdade os jovens cristãos são intelectualmente agredidos com todo tipo de cosmovisão não-cristã aliada a um enorme relativismo. Se os pais não estão intelectualmente engajados com sua fé e não tem bons argumentos a favor do teísmo cristão e boas respostas para as perguntas de seus filhos, então estamos num verdadeiro perigo de perder nossa juventude. Não basta ensinar nossas crianças histórias simples da bíblia; eles precisam de doutrina e apologética. É difícil entender como as pessoas hoje podem ser pais sem ter estudado apologética.

Infelizmente, nossas igrejas jogaram a toalha nessa área. Não é suficiente focar em entretenimento e pensamentos devocionais bobos nos grupos de jovens e escolas bíblicas. Temos que treinar nossos filhos para a guerra. Não podemos enviá-los para o ensino médio e para a universidade armados de espadas de borracha e armaduras de plástico. O tempo de brincar já passou.

Mas a apologética Cristã faz muito mais do que salvaguardar de lapsos. Os efeitos positivos e edificantes do treinamento apologético é ainda mais evidente. Eu vejo isso toda hora nos campus de universidades onde eu debato. John Stackhouse uma vez comentou para mim que esses debates são uma versão ocidentalizada do que os missionários chamam de "encontro de poderes" . Eu acredito que isso seja uma análise perceptiva. Os estudantes cristãos saem desses encontros com uma confiança renovada em sua fé, de cabeça erguida, orgulhosos de serem cristãos, e confiantes ao falar de Cristo no campus. Algumas vezes após um debate os estudantes dizem, "Eu não posso esperar para compartilhar minha fé em Cristo!"


Muitos cristãos não compartilham sua fé com os descrentes simplesmente por causa do medo. Eles têm medo de que os não-cristãos lhe façam uma pergunta ou levante uma objeção que eles não saibam responder. E então eles escolhem ficar em silêncio e assim escondem sua luz sob o alqueire, desobedecendo o mandamento de Cristo. O treinamento apologético é um grande impulso ao evangelismo, pois nada inspira mais confiança e coragem do que saber que se tem boas razões para acreditar no que se acredita e boas respostas para as perguntas e objeções comuns que podem ser levantadas. Bom treinamento em apologética é uma das chaves para um evangelismo sem medo.

Dessa e de muitas outras maneiras a apologética ajuda a edificar o corpo de Cristo fortalecendo individualmente os crentes.

3. Evangelizar os descrentes. Poucas pessoas discordariam de mim quando digo que a apologética fortalece a fé dos Cristãos. Mas muitos diriam que a apologética não é muito útil na evangelização. "Ninguém vem a Cristo através de argumentos", lhe dirão. (Eu não sei quantas vezes já ouvi isso.)

Essa atitude negativa em relação ao papel da apologética na evangelização certamente não é a visão bíblica. Ao lermos os Atos dos Apóstolos, é evidente que era a atitude padrão dos apóstolos argumentar a favor da veracidade da visão cristã, tanto com cudeus quanto com pagãos. (ex., At 17:2‑3, 17; 19:8; 28:23‑24). Ao lidar com a audiência Judaica, os apóstolos apelaram para o cumprimento de profecias, os milagres de Jesus, e especialmente a ressurreição como evidência de que ele era o Messias (At 2:22‑32). Quando eles confrontaram as audiências gentias que não aceitavam o Antigo Testamento, os apóstolos apelaram para a obra de Deus na natureza como evidência da existência do Criador (At 14:17). Depois apelaram para as testemunhas oculares da ressurreição de Jesus para mostrar especificamente que Deus se revelou em Jesus Cristo (At 17:3031; 1 Cor. 15:3‑8).

Francamente, eu acredito que aqueles que veem a apologética como fútil na evangelização simplesmente não evangelizam muito. Eu suspeito que eles tenham tentado usar argumentos apologéticos em alguma ocasião e o descrente continuou sem ser convencido. E por isso eles tiraram a conclusão de que a apologética não é eficaz na evangelização.

Por um lado essas pessoas são vítimas de uma falsa expectativa. Quando você observa que somente uma minoria das pessoas que ouvem o Evangelho o aceitam e que só uma minoria desses que aceitam o fazem por razões intelectuais, não deveríamos nos surpreender que o número de pessoas com as quais a apologética é eficaz é relativamente baixo. Mas pela própria natureza da questão, devemos esperar que a maioria dos descrentes permaneçam não convencidos pelos nossos argumentos apologéticos, assim como a maioria permanece imóvel à pregação da cruz.

Bem, então, porque se preocupar com a minoria da minoria com a qual a apologética é eficaz? Primeiro, por que toda pessoa é preciosa para Deus, uma pessoa pela qual Cristo morreu. Como um missionário chamado para alcançar um grupo obscuro, o apologista cristão é chamado para alcançar a minoria das pessoas que responderão à argumentação e evidência racional.

Mas, segundo - e aqui o caso difere significantemente do caso do grupo de pessoas obscuras -, esse grupo de pessoas, apesar de relativamente pequeno em números, é grande em influência. Uma dessas pessoas, por exemplo, foi C.S. Lewis. Pense no impacto que a conversão de um homem continua a ter! Eu acho que as pessoas que mais se entusiasmam com meu trabalho apologético tendem a ser engenheiros, pessoas da área de medicina, e advogados. Tais pessoas estão entre os mais influentes formadores de opinião hoje. Então alcançar essa minoria de pessoas gerará uma grande colheita para o Reino de Deus.


De qualquer forma a conclusão geral de que a apologética é ineficaz na evangelização é precipitada. Lee Strobel recentemente me disse que perdeu a conta do número de pessoas que vieram a Cristo através de seus livros Em Defesa de Cristo e Em Defesa da Fé. Na minha experiência pessoal tenho experimentado a eficácia da apologética na evangelização. Estamos continuamente animados em ver pessoas comprometendo suas vidas a Cristo através de apresentações apologéticas do Evangelho. Após uma conversa sobre os argumentos a favor da existência de Deus ou sobre as evidências para a ressurreição de Jesus ou uma defesa do particularismo Cristão, eu frequentemente concluo com uma oração de aceitação a Cristo, e os cartões de comentário indicam aqueles que registraram tal compromisso. Essa última primavera eu fiz uma turnê pelas Universidades de Illinois, e nós ficamos muito animados ao ver que após praticamente toda apresentação, os estudantes fizeram decisões por Cristo. Eu cheguei a ver estudantes virem a Cristo através de uma defesa do argumento cosmológico kalam!


Uma das mais emocionantes foi o caso de Eva Dresher, uma física polonesa que eu encontrei na Alemanha logo após completar meu doutorado em filosofia. Enquanto eu e Jan conversávamos com Eva, ela mencionou que a física havia destruído sua crença em Deus e que a vida tinha se tornado sem sentido para ela. "Quanto eu olho para o universo tudo que eu vejo é escuridão", ela explicou, "e quando eu olho para mim mesmo tudo que eu vejo é sombrio". (Que dolorosa declaração do predicamento moderno!) Bem, nesse momento Jan se voluntariou, "Ah, você deveria ler a dissertação do doutorado do Bill! Ele usa a física para provar que Deus existe." Então lhe emprestamos minha dissertação sobre o argumento cosmológico para ela ler. Ao longo dos dias, ela se tornava cada dia mais animada. Quando ela chegou na seção sobre astronomia e astrofísica, ela estava muito alegre e orgulhosa. "Eu conheço esses cientistas que você está citanto!" ela exclamou maravilhada. Quando ela chegou ao final, sua fé havia sido restaurada. "Obrigado por me ajudar a crer que Deus existe", ela disse.


Nós respondemos, "Você gostaria de conhecê-lO de uma maneira pessoal?" Então marcamos um horário para encontrá-la naquela noite num restaurante. Enquanto isso preparamos de memória as Quatro Leis Espirituais. Depois do jantar nós abrimos o livreto e começamos, "Assim como existem leis físicas que governam o universo físico, assim também existem leis espirituais que governam nosso relacionamento com Deus..."

"Ah, leis físicas! leis espirituais!" ela exclamou. "Isso é exatamente para mim!" Quando chegamos aos círculos no final que representam duas vidas e lhe perguntamos qual círculo representava sua vida, ela colocou sua mão sobre os círculos e disse, "Ah, isso é tão pessoal! Eu não posso responder agora." Então nós lhe encorajamos a levar o livreto para casa e entregar sua vida a Cristo.

Quando nós a vimos no dia seguinte, sua face estava radiante de alegria. Ela nos disse que havia ido para casa e na privacidade do seu quarto orou para receber a Cristo. Então ela jogou no vaso todo o vinho e os tranquilizantes que ela vinha usando. Ela era uma pessoa verdadeiramente transformada. Nós lhe demos uma Bíblia Good News [Boas Novas] e lhe explicamos a importância de manter uma vida devocional com Deus. Nossos caminhos se distanciaram por muitos meses. Mas quando nós a vimos novamente ela ainda estava entusiasmada com sua fé, e ela nos disse que suas posses mais preciosas eram a Bíblia Good News e seu livreto das Quatro Leis Espirituais. Isso foi uma das mais vívidas ilustrações que eu vi de como o Espírito Santo pode usar argumentos e evidências para levar as pessoas a um conhecimento salvifíco de Deus.

Tem sido emocionante, também, ouvir histórias de como as pessoas tem vindo a Cristo através da leitura de algo que eu escrevi. Por exemplo, quando eu estava falando em Moscou, alguns anos atrás, eu encontrei um homem de Minsk em Belarus. Ele me disse que logo após a queda do comunismo ele havia ouvido alguém lendo em Russo meu livro The Existence of God and the Beginning of the Universe [A Existência de Deus e o Ínicio do Universo] pelo rádio em Minsk. No final da transmissão ele havia sido convencido de que Deus existia e entregou sua vida a Cristo. Ele me disse que hoje ele serve ao Senhor numa Igreja Batista em Minsk. Glória a Deus! Mais cedo nesse ano na Universidade do Texas, eu encontrei uma mulher que estava participando de minhas preleções. Ela me disse chorando que por 27 anos ela havia estado longe de Deus e se sentido desesperançada e sem sentido. Pesquisando numa livraria ela achou meu livro Will the Real Jesus Please Stand Up? [O Verdadeiro Jesus, por favor, levante-se], que contém meu debate com John Dominic Crossan, co-presidente do radical Seminário Jesus, e comprou uma cópia. Ela disse que enquanto lia, ela ia se abrindo a Cristo, até que finalmente entregou sua vida a Ele. Quando eu perguntei o que ela fazia, ela disse que era psicóloga e trabalhava numa prisão feminina do Texas. Pense na influência cristã que ela pode ter num ambiente tão desesperançoso!

Se eu puder, quero contar uma última história. Nos últimos anos eu tive o privilégio de me envolver em debates com apologistas muçulmanos em vários campus no Canadá e Estados Unidos. Esse verão, numa manhã de Sábado, eu recebi uma ligação. A voz do outro lado da linha anunciou, "Olá! Aqui é Sayd al-Islam ligando de Omã!" aí eu pensei, "ah, não! Eles me encontraram!" Ele continuou e explicou que ele havia perdido sua fé muçulmana secretamente e havia se tornado ateu. Mas agora lendo vários livros apologéticos cristãos, que ele havia comprado na Amazon.com, ele passou a crer em Deus e estava prestes a se comprometer com Cristo. Ele estava impressionado com as evidências para a ressurreição de Jesus e havia me ligado porque ainda tinha muitas perguntas que precisavam ser respondidas. Nós conversamos por uma hora, e eu senti que no seu coração ele já cria em Cristo; mas ele queria ser cauteloso e ter certeza que tinha as evidências certas antes de dar o passo conscientemente. Ele me explicou, "Você entende que eu não posso lhe dizer meu verdadeiro nome. No meu país eu tenho que levar um tipo de vida dupla por que senão eu sou morto." Eu orei com ele para que Deus continuasse a guiá-lo em direção à verdade, e então nos despedimos. Você pode imaginar quão grato a Deus meu coração ficou por Ele ter usado esses livros - e a internet! - na vida desse homem! Histórias como essa são inúmeras e, é claro, nunca ouvimos todas elas.

Então aqueles que dizem que a apologética não é eficaz com os descrentes falam a partir de sua experiência limitada. Quando a apologética é persuasivamente apresentada e combinada sensivelmente com uma apresentação do Evangelho e um testemunho pessoal, o Espírito de Deus usa isso para trazer certas pessoas para Si. A apologética é necessária nesses casos? Essas pessoas teriam vindo a Cristo de qualquer forma, mesmo se não tivessem ouvido os argumentos? Acredito que temos que dizer, "Só Deus Sabe!" No mínimo, Ele sabe se Ele tem conhecimento-médio, certo? Podemos não saber o valor de verdade de tais contrafatuais da liberdade; mas nós podemos saber e sabemos por experiência que Deus usa a apologética na evangelização para trazer os perdidos a Ele.

Concluindo, a apologética cristã é uma parte vital do currículo teológico. Apesar de não ser necessária para garantir a crença Cristã, ela é, eu acredito, todavia suficiente para garantir a crença cristã e, portanto, de grande benefício. A apologética executa um papel vital, e talvez crucial, na transformação da cultura, no fortalecimento dos crentes, e na evangelização dos descrentes. Por todas essas razões, eu estou não-apologeticamente entusiasmado com a apologética cristã.


Notas:

1 Eu acho que epistemologistas Reformados como Alvin Plantinga puderam oferecer um modelo epistemológico, no qual, se o teísmo cristão for verdadeiro, mostra que a crença cristã pode ser garantida na ausência de argumentos apologéticos. Eu devo apenas ajustar esse modelo para os propósitos da teologia cristã eliminando o tão chamado sensus divinitatis, que não encontra nenhuma base nas Escrituras, em favor do testimonium Spiritu Sancti internum, ou o testemunho interno do Espírito Santo, que é atestado nas Escrituras. Além do mais, ao invés de tomar o testemunho do Espírito como um processo formador de crença análogo a uma faculdade cognitiva (um constructo que torna difícil assegurar que é literalmente verdade que "eu creio em Deus," visto que a faculdade ou processo não é meu), eu devo entender o testemunho do Espírito como um forma de testemunho produzido pelo Espírito de Deus em mim ou como parte das circunstâncias que fundamentam a crença que eu formo em Deus e nas grandes verdades do Evangelho.


2. Alguns epistemologistas reformados, apesar de endossarem os argumentos da teologia natural, todavia, expressam ceticismo em relação aos prospectos da apologética histórica porque quando é adicionado mais especificidade a uma hipótese, a probabilidade dessa hipótese diminui rapidamente. Tal objeção é, entretanto, duplamente equivocada. Primeiro, as probabilidades não precisam diminuir e podem, na verdade, aumentar ao se acrescentar progressivamente evidências especificas para a informação prévia de alguém pelo refinamento das hipóteses. O erro da objeção é que esta afirma que a base evidencialista é constante enquanto adiciona hipóteses adicionais, ao invés de aumentar as evidências ao falarmos de crenças cristãs especifícas. Segundo, de qualquer forma os historiadores não avaliam hipóteses históricas através de cálculos probabilísticos. Ao invés, eles usam como critério de avaliação a extensão explanatória, o poder explanatório, o grau de ad hoc, e por aí vai. Esse é o meio pelo qual eu argumento a favor da hipótese da Ressurreição.

 
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