sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Aprendendo a filosofar com Richard Swinburne



É o que o tópico diz. Entrei em contato, por e-mail, com ninguém menos que Richard Swinburne e tive o prazer de obter resposta duas vezes. A primeira eu lhe perguntei sobre o seu ritmo de leitura e suas dicas para um futuro filósofo, depois lhe perguntei sobre alguns livros sobre Filosofia da Religião, Epistemologia e Lógica. Outros estudiosos importantes como o historiador do Novo Testamento, Michael Licona, e também Craig Blomberg também me responderam, mas certamente a de Swinburne é a mais simpática e que vale a pena ser reproduzida aqui. As respostas estão aí para quem possa se interessar (tentarei traduzi-las na parte dos comentários):


Primeira Resposta:

Dear Vitor, Your question about how many books I read in a year is not as easy to answer as you suppose. While I certainly read some books in entirety, I read many individual chapters of books and many articles in journals, and there are also some books which I skip through very quickly. But clearly I read far more earlier in my philosophical career than I do now when I am devoting much more time to sorting out my ideas and putting them on paper. That said, perhaps I read about 12 full books in a year, but also considerable numbers (perhaps 100) of individual chapters and papers. If you are aiming to be a philosopher, you must read 1 or 2 books of each of the classical authors - Plato, Aristotle, Aquinas, Descartes, Leibniz, Berkeley, Hume, and Kant, and then modern authors who have influenced the Anglo-American tradition of philosophy (but not so much those who have been more important in the Continental tradition - if you share my view that their writing is not quite important as that in the Anglo-American tradition). Then you must read lots of modern articles (and in the case of important authors their books) on the topics which interest you particularly. There are large numbers of good anthologies in English on each of the areas of philosophy - for example ethics, metaphysics, philosophy of religion, and so on, which you must study. But it is most important all the time to be writing essays which respond to what you have read and try to provide in summary your own solutions to the issues. There's no avoiding the need for interaction with philosophy teachers who will criticise your writing. I do hope that you find suitable teachers in Brazilian universities. Philosophy of religion (in the way in which that subject has been developed in the Anglo-American tradition over the past 50 years) is not yet very influential in Brazil. Probably the philosopher who knows more about it than anyone else is Dr Agnaldo Portugal who teaches at the University of Brasilia. There is also Dr Desiderio Murcho who translated my little book IS THERE A GOD? into Portugese, and has just begun to teach in a Brazilian university, but unfortunately I've forgotten which that university is.(I don't know whether he would consider himself a 'Christian', but he knows about the philosophy of religion.) With best wishes for your studies Richard Swinburne

Segunda Resposta:
Dear Vitor, Both Bill Craig and Tim Morson are good philosophers; and I can commend their books to you. Tim was my doctoral supervisee, and his views are very much the same as mine; he writes in a very simple and engaging way. For anthologies on philosophy of religion, I can commend to you: (ed) Brian Davies, PHILOSOPHY OF RELIGION: A GUIDE AND ANTHOLOGY, and (ed.) Michael Peterson and other PHILOSOPHY OF RELIGION: SELECTED READINGS. I can also commend a new introductory textbook Michael Murray and Michael Rae INTRODUCTION TO THE PHILOSOPHY OF RELIGION. I'd also suggest to you anthologies on metaphysics: (ed.) Peter van Inwagen and Dean Zimmerman, METAPHYSICS: THE BIG QUESTIONS and (ed.) Michael Loux, METAPHYSICS: CONTEMPORARY READINGS. I'd also recommend very strongly that you read first an introductory textbook on metaphysics by Michael Loux METAPHYSICS: A CONTEMPORARY INTRODUCTION. On epistemology, I also strongly advise you to read some introduction first before you look at an anthology of contemporary writings, since the latter tend to be a bit sophisticated. I can certainly commend Noah Lemos, AN INTRODUCTION TO THE THEORY OF KNOWLEDGE; and also the fuller book by Robert Audi, EPISTEMOLOGY. Then you could look at (ed.) Sven Bernecker and Fred Dretske KNOWLEDGE, READINGS IN CONTEMPORARY EPISTEMOLOGY. Before you look at any of these I suggest you also look at an anthology which includes many classical readings (therefore in effect an anthology of the history of philosophy); (ed.) Louis Pojman and James Fieser, INTRODUCTION TO PHILOSOPHY: CLASSICAL AND CONTEMPORARY READINGS. On logic, you don't need an anthology, only a good textbook. One which I see well commended is Patrick Hurley, A CONCISE INTRODUCTION TO LOGIC. You should also read a few of the easily comprehensible classical works. For example, Plato, THE REPUBLIC and PHAEDO; Decartes, DISCOURSE ON METHOD and MEDITATIONS ON THE FIRST PHILOSOPHY, David Hume ENQUIRY CONCERNING HUMAN UNDERSTANDING; John Stuart Mill UTILITARIANISM. These would be a good beginning! I hope you find all this useful. With best wishes Richard Swinburne

14 comentários:

Wagner disse...

Que legal saber que Richard Swinburne responde a emails!

Quanto ao prof. Dr. Agnaldo Portugal, eu utilizei uma tradução que ele fez de um artigo do Swinburne no meu blog:

http://www.apologia.com.br/?p=62

O currículo do Dr. Agnaldo está aqui:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4785690Y7

Abraço

Vitor Grando disse...

Não sabia que essa tradução era dele, pensava que era sua. Você sabe algo em relação à fé pessoal dele?

O Swinburne responde sim cara, e responde muito bem, fiquei muito feliz em receber uma resposta dessas.

Vale a pena!

Um abraço!

Daniel Grubba disse...

Que legal este post. Como você sabe, gosto muito de investigar a vida pessoal dos grandes estudiosos e descobrir seus segredos...
Não conheço este filósofo. O que você pode dizer sobre ele em linhas gerais.
Abçs,
Daniel

Vitor Grando disse...

Daniel,

Para falar a verdade nunca li nada de Swinburne, a única coisa que eu sei é que, juntamente com Plantinga, ele foi um dos grandes responsáveis pelo "avivamento" recente do Cristianismo no meio acadêmico.

Guilherme de Carvalho disse...

Caros,

de fato Swinburne foi importante para o crescimento da presença cristã no campo da filosofia da religião; mas não sei se diria "no campo acadêmico" de modo geral. Acho que haveria outros nomes. E Plantinga está em uma linha bem diferente de Swinburne.

Tive a oportunidade de ouví-lo pessoalmente no Elizabeth Hall, em Oxford. A sua fala é incrivelmente chata :-D Mas ele é mesmo genial.

Não creio, no entanto, que ele seja uma boa opção para nós, em termos de pensamento cristão. É muito racionalista. Mas isso é a minha opinião, naturalmente. :-D

Vitor Grando disse...

Guilherme,

Como você é um conhecedor do assunto, sua contribuição foi muito importante! Obrigado.

Provavelmente, quando diz de outros nomes você se refere a Wolterstorff, Dooyeweerd, Clouser, estou certo? Já vi esses nomes no seu site, mas confesso que só conheço o primeiro, e mesmo assim pouco, estou lendo Reason Within The Bounds of Religion dele e estou gostando bastante!

Vitor Grando

Guilherme de Carvalho disse...

Sim, Wolterstorff tem uma origem reformada - o que não é o caso de Swinburne.

Aqui tem uma história interessante. Wolterstoff e Plantinga estudaram no Calvin College, vc sabe. O pessoal lá era Kuyperiano, mas haviam duas correntes: os intelectualistas (liderados por William Harry Jellema) e os reformacionais (liderados por Evan Runner). Dizem que as "batalhas" entre os dois grupos foram épicas :-D

Assim os dois eram kuyperianos "jellemanianos". Depois ficaram importantes e ajudaram a fundar a society of christian philosophers.

Assim, para ajudar no mapeamento: há os filósofos cristãos clássicos (tipo o Swinburne e o Craig), e os reformados clássicos (tipo Paul Helm); e há os reformados kuyperianos, que se dividem em intelectualistas (wolterstorff p. ex.) e os reformacionais (Clouser p. ex.).

Que confusão!! :-D

abraço

obs: esse livro do wolterstorff é muito jóia mesmo.

Vitor Grando disse...

Guilherme,

Sua contribuição é muito útil!

Não conheço a diferença entre intelectualistas e reformacionistas, você poderia explicá-la brevemente?

Um abraço!

Guilherme de Carvalho disse...

Olá Vitor!

Sabe, acho que vou postar sobre isso em algum momento - essa coisa das duas linhas do kuyperianismo. Aguarde aí.

A propósito, jóia demais ter traduzido o Plantinga. Vou comentar no Blog.

abr,

Guilherme

Vitor Grando disse...

Vou aguardar Guilherme!

E se você achar que em alguma parte a tradução não está correta ou clara o suficiente, por favor envie sua opinião.

Um abraço,

Vitor Grando

Anônimo disse...

Prezado Vitor,

Há um livro do Swinburne traduzido para o português (de Portugal) pela editora Gradiva: "Será que Deus Existe?", mas parece que está esgotado, talvez você o encontre em algum sebo ou na internet. A abordagem dele parece passar à margem da Revelação e é aqui que eu vejo a grande deficiência em seus sistema epistemo-teológico (veja o livro "A Revelação de Deus" do Peter Jensen, publicado pela Cultura Cristã: http://www.amx.com.br/_model1/produto.asp?produto=CEP-0540&emp=cep) . Se me permite sugerir um teólogo e filósofo com uma abordagem distinta da de Swinburne, eu citaria o Gordon H. Clark. Infelizmente ele não possui nenhum livro traduzido para o português, mas tem alguns artigos no monergismo.com do Felipe Sabino. Há algumas resenhas dos livros dele (em inglês) no site http://www.apuritansmind.com/Apologetics/GordonClark/GordonClarkMainPage.htm . Uma que eu apreciei consideravelmente foi esta acerca do livro "A Christian View of Men and Things": http://www.apuritansmind.com/Apologetics/GordonClark/McMahonSummaryMenThings.htm . Os livros dele podem ser adquiridos ou na amazon.com ou no site da The Trinity Foundation http://www.trinityfoundation.org/ . Obrigado e fique na Paz do Senhor! Osmar Neves, Padre Bernardo-Go em 04/10/2008.

Anônimo disse...

Infelimente os links que eu citei foram editados na publicação. Sugiro então que acesse www.apuritansmind.com/Apologetics/Apologetics.htm e busque a página sobre Gordon Clark ecrita pelo Dr. C. Matthew McMahon. Há alguns dados biográficos e resenhas de alguns livros, inclusive "A Christian View of Men and Things". Obrigado.

Osmar Neves, Padre Bernardo-GO em 06/10/2008.

Daniel disse...

O professor Desidério Murcho dá aulas como professor substituto na Universidade Federal de Ouro Preto. Inclusive semestre passado deu um curso sobre o sentido da vida. Disponibilizou a grande maioria dos textos trabalhados no curso no seu site:

http://dmurcho.com/meaning.html

O texto sobre o Absurdo de Nigel é particularmente estimulante e interessante. Cheio de argumentos ótimos.

O professor Desidério trabalha em três sites:
http://criticanarede.com/
http://blog.criticanarede.com/
E no blog coletivo com cientistas:
http://dererummundi.blogspot.com/

Que pena que o livro:
SERÁ QUE DEUS EXISTE?
Richard Swinburne
Não está disponível nas livrarias brasileiras. Só em Portugal, pela Gradiva:
http://criticanarede.com/fa_7.html

Achei muito legal as dicas e os comentários sensatos do professor. Ele pareceu muito honesto ao dizer que lia muito mais artigos e capítulos de livros do que livros inteiros.

Certa vez pedi a um professor fazer um grupo de estudos para corrigir algumas das várias falhas de formação e eu e uma colega dissemos que inicialmente queríamos rever as noções de metafísica e ontologia, e ele recomendeu os verbetes "metafísica" e "ontologia" do dicionário de Ferrater Mora.

http://ontologos.blogspot.com/2007/07/ontologia-dicionrio-de-jos-ferrater.html

Sobre metafísica: http://criticanarede.com/oqemetaf.html

Aqui no Brasil antes de você escrever artiguinhos dizendo o que pensas vão te exigir muitas leituras. Primeiro terás que provar que sabes ler para muito depois poder produzir algo. Há uma certa razoabilidade e um exagero nisso aí. Mas achei interessante notar como que por lá os professores estão sempre atentos para que se filosofe, se ensaie os passos na filosofia. Infelizmente, por aqui ninguém costuma discutir muito sobre metodologia de abordagem de problemas filosóficos, sobre estrutura de ensaios filosóficos, como abordar problemas filosoficamente, sobre argumentação, especificidade da filosofia, dos problemas filosóficos, etc. Tudo isso só torna a tarefa mais difícil.

http://hermes-embuscadesophia.blogspot.com/2008/09/os-instrumentos-do-ofcio.html
http://hermes-embuscadesophia.blogspot.com/2008/09/os-instrumentos-do-ofcio-ii.html
http://hermes-embuscadesophia.blogspot.com/2008/09/os-instrumentos-do-ofcio-iii.html
http://hermes-embuscadesophia.blogspot.com/2008/09/os-instrumentos-do-ofcio-iv.html
http://hermes-embuscadesophia.blogspot.com/2008/09/os-instrumentos-do-ofcio-v.html

Bons e maus ensaios filosóficos:
http://www.filedu.com/rhepburnbonsemausensaios.html

Como se escreve um ensaio filosófico?
http://cef-spf.org/docs/ensaio.pdf

Estrutura de um ensaio filosófico (o livro citado está traduzido pela Vozes):
http://qualia-esob.blogspot.com/2008/03/estrutura-de-um-ensaio-filosfico.html
Martinich, A. P. (1998). Philosophical writing: an introduction. Oxford: Backwell Publishers.
MARTINICH, A. P. Ensaio filosófico – o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 2002.

Desculpem o exagero de informações,

Um abraço e obrigado pelo texto,

Daniel

Hélio disse...

Bela bibliografia... anotada!...

se bem que para entender a igreja evangélica brasileira hoje, eu acho que bastaria o Utilitarianism do Stuart Mill... hehehe

 
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