domingo, 13 de janeiro de 2008

Eu li Correntes Cruzadas - Colin Russell

Correntes Cruzadas - Colin Russell

Terminei meu primeiro livro do ano, mas já tenho outros nove na fila de espera. Correntes Cruzadas trata da relação entre a ciência e a fé, em especial a fé cristã. É um livro um tanto quanto chato de se ler, mas nos dá alguma base de conhecimento sobre a relação tão controversa entre religião e ciência. Segue ai a contra-capa do livro:

"Contrária às opiniões populares dos nossos dias, a história da ciência não revela um conflito entre a ciência e a religião. Apesar das grandes e controversas mudanças em nossa maneira de ver a realidade física e o cosmos, há uma evidência histórica poderosa de um débito enorme e mútuo entre o cristianismo e a ciência. Nada é comparável ao crescimento da ciencia moderna ocorrido na história a não ser uma possível exceção: o surgumento do próprio cristianismo.

O Professor Colin Russel (Open University) analisa os estranhos e múltiplos caminhos nos quais a ciência se desenvolveu durante os cinco últimos séculos e, em particular, sua interação com a fé cristã. Ele o faz explorando diversos tópicos chave, como o crescimento da tecnologia e a controvérsia evolucionista.

Assumindo uma tradição antiga, Colin Russel emprega como ilustração principal, a imagem de um rio, crescente desde a sua nascente até o presente "dilúvio" do conhecimento científico e manipulação que para muitos se mostra insuperável."

Atos 17,18 e 19 e a Necessidade de Lideres Intelectuais na Igreja

O Pensador de Rodin

O período histórico em que a Igreja Cristã se mostrou mais saudável, sem dúvidas, foi o período registrado no livro de Atos e, justamente por isso, é desse período que devemos buscar o modelo de Igreja mais apropriado. Mas ao compararmos as práticas dessa Igreja de 2000 anos atrás com a Igreja contemporânea, a diferença é gritante. A Igreja se preocupa muito no porquê de não alcançarmos os mesmos resultados da Igreja de Atos, mas nossa preocupação deveria ser menos em atingir os mesmos resultados da Igreja de Atos e mais com o modelo de Igreja que agrada a Deus, o modelo que Atos nos ensina. Não devemos focar nossa atenção no fim, mas sim no meio.

Os capítulos 17, 18 e 19 do livro de Atos revelam um principio declaradamente ignorado nos nossos dias – a importância de liderança intelectual na Igreja. O grande responsável pela expansão do Cristianismo naqueles dias, o Apóstolo Paulo era uma referência não só espiritual, mas também intelectual. Enquanto nós tendemos a mistificar por demais a pregação das boas novas, vemos que Paulo usava de toda sua habilidade intelectual para, literalmente, persuadir as pessoas a crerem em Jesus Cristo (At 17.4). Porque não deveríamos fazer o mesmo?

Paulo era um homem altamente intelectual que não perdia uma oportunidade de arrazoar com os gentios acerca das Escrituras (At 17.1) ou de enfrentar com argumentos, os filósofos da época (At 17.18), inclusive citando poetas pagãos por pelo menos três vezes em seus escritos (At 17.28, 1Co15.33, Tt 1.12) e ainda ensinando na Escola de Filosofia de Tirano (At 19.9). Outro que merece menção por sua habilidade de persuasão e oratória é Apolo que usava de suas habilidades naturais para convencer os judeus, por meio das Escrituras, que o Cristo é Jesus (At 18.28). Em cinco ocasiões, apenas nesses três capítulos de Atos, são usadas as palavras persuadir (At 17.4, 18.4, 19.8), convencer (At 18.28) e arrazoar (At 17.2). Tais palavras se referem essencialmente ao uso do intelecto.

É notória a diferença entre como a Igreja de Atos encarava a importância do intelecto e como nós hoje a encaramos. Hoje, talvez a maioria dos pastores não tenha sequer treinamento teológico. Filosófico então nem se fala. Por isso a Igreja é presa fácil para a influência do pensamento secular. Enquanto os futuros lideres e influenciadores dos valores da nação, sejam estes advogados, psicólogos, cientistas, médicos, filósofos estudam no mínimo quatro anos para tirar um diploma de bacharel. Nossos pastores desprezam o valor do estudo em seus ministérios, muitos nem sequer buscam instrução teológica, quanto mais de qualquer outra ciência. Qual cristão é citado como fonte de informação quando se trata de história, filosofia, psicologia, sociologia ou política? A Igreja nunca vai influenciar positivamente a cultura enquanto desprezar o valor pensamento, que é o que realmente move a cultura. O sociólogo John G. Gager apontou que apesar de a Igreja primitiva ter sido um movimento minoritário que enfrentou o desprezo e marginalização cultural e intelectual, ela só manteve a unidade interna e o testemunho corajoso por causa do papel dos intelectuais e apologistas Cristãos da época. A Igreja sabia quem eram seus intelectuais e apologistas e isso dava confiança e força para eles enfrentaram a marginalização pelo resto da sociedade. Hoje, a situação não é diferente, a Igreja Evangélica é ridicularizada pela sociedade, mas com a triste diferença que não temos uma liderança intelectual para nos apoiar. Se quisermos vencer devemos nos preparar para a batalha. Uma batalha que não é travada nas ruas, mas sim nas Universidades do país de onde saem os futuros lideres da nação. Enquanto o pensamento for reduto de Satanás, fica fácil de saber quem se sairá vencedor.

Vitor Pereira 02.09.2007

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cristão ou Pagão?


Quais são as semelhanças entre a Igreja de Atos e a Igreja contemporânea? Acredito que a resposta da maioria é um longo e esclarecedor silêncio, o que não é nada bom. Nós não oramos como a Igreja de Atos orava. Não estudamos a Palavra como a Igreja de Atos estudava. Não vivemos em unidade e comunhão como a Igreja de Atos vivia. E pior, não vivemos o mesmo evangelho que eles viviam. Pelo contrário, nos assemelhamos mais aos pagãos que usavam os deuses para que pudessem cumprir seus desejos egoístas, do que aos verdadeiros cristãos usados por Deus para cumprir os desejos d’Ele, custe o preço que custar. Quem somos nós afinal? Cristãos ou pagãos?


O Cristianismo cresceu em um ambiente altamente hostil. Lutou contra uma fé judaica severa e ortodoxa e contra um Império intolerante. O fermento dos fariseus e o fermento de Herodes. A religião e a política. Um ambiente onde adorar um homem que se dizia Deus era blasfêmia punida por apedrejamento, e onde não se curvar perante a imagem do imperador era crime punido com a morte. Ao aceitar a Cristo, o neófito estava ciente de ser bem-aventurado, não na paz e tranqüilidade, mas sob perseguição intensa. Jesus deixou para seus apóstolos a responsabilidade de pregar uma mensagem de consolação futura, porém de abnegação, de altruísmo e sacrifício. Paulo chega a ponto de convidar Timóteo a participar de seus sofrimentos (1Tm1.8,2.3), que por sinal foram muitos (2Co 11.23-29). É tarefa árdua encontrar algum seguidor de Jesus nas páginas do Novo Testamento que tenha tido uma vida fácil. Foi nessas circunstâncias que a mensagem cristã deu seus primeiros passos, e assim a fé cristã se expandiu por todas as cidades antigas, até que...


Dezembro de 312 d.C. Na véspera da batalha da ponte Milvio, o então Imperador de Roma Constantino teve um sonho no qual ele via no céu uma enorme cruz com os dizeres IN HOC SIGNO VINCES (Vences por este sinal). No mesmo dia, Constantino mandou cravar na armadura de seus soldados uma cruz. E Roma venceu a batalha. Após essa experiência marcante, Constantino se converteu ao Cristianismo, religião até então marginalizada em Roma, tornando-a a religião oficial do Império Romano. Bom? Nem tanto. Roma era uma cidade altamente pagã, os seus cidadãos acreditavam em vários deuses, cada deus com uma função especifica. Você oferecia algo a um deus e ele te dava algo em troca. A principal diferença entre o cristianismo e o paganismo é que o cristianismo é um ideal altruísta – primeiro Deus e os outros – e o paganismo um ideal egoísta – primeiro eu. A função dos deuses do paganismo é satisfazer os nossos desejos. Já no cristianismo somos nós que temos que satisfazer os desejos de Deus. Primeiro os objetivos d’Ele, depois os nossos. O fato de o Cristianismo ter se tornado a religião oficial não serviu para extirpar o pensamento pagão dos cidadãos romanos, pelo contrário, foi o paganismo que influenciou o pensamento Cristão dando origem às diversas doutrinas anti-biblicas da Igreja Católica Apostólica Romana. Os santos do catolicismo não passam de deuses pagãos disfarçados que tem como objetivo a satisfação dos nossos desejos antes de qualquer coisa.


Mas como esse artigo não é mais uma tentativa evangélica de demonizar o Catolicismo, vamos voltar nossa atenção para a trave em nossos olhos. Que tipo de religião será que nós evangélicos estamos seguindo? Receio que a resposta não é a que Jesus gostaria de ouvir. A influência pagã não é “privilégio” apenas dos Católicos Romanos. Basta uma visita às maiores denominações evangélicas para saber que a coisa não anda muito bem. Os templos mais cheios são aqueles comandados por líderes que apelam para a realização pessoal do individuo e não para os propósitos eternos de Deus. A ênfase é no “eu” e não no “Ele”. O grande erro do movimento evangélico é acreditar que a maior preocupação de Deus é com o seu bem-estar e com o seu sucesso. È duro de ouvir, mas a realidade é que Deus não se importa tanto com a prosperidade dos fiéis quanto com os seus propósitos eternos. Ele jamais te prometeu riqueza material ou sucesso financeiro, assim como também não promete que sua vida será tranqüila, e te adverte que você enfrentará problemas. Soaria bastante estranho para um cristão primitivo a mensagem de um desses apóstolos ou profetas modernos com suas promessas de riqueza material, conforto, paz e prosperidade. Provavelmente Paulo ficaria horrorizado ao saber que um dos objetivos de um dos maiores líderes evangélicos do país, René Terra Nova, é “resgatar” (de onde?) o desejo de prosperar na Igreja do Brasil!¹ A diferença entre a Igreja de ontem e a de hoje é gritante e pode ser resumida no seguinte, eles focavam nos propósitos de Deus, nós focamos nos nossos próprios propósitos. Porque será que nos nossos púlpitos o Novo Testamento é lido tão pouco? Será porque só é possível encontrar promessas de prosperidade e triunfo no Antigo Testamento? Até quando desprezaremos as riquezas espirituais que nos aguardam e nos contentaremos com as riquezas materiais? Até quando nos recusaremos a ouvir a verdade e nos entregaremos às fabulas? Às vãs filosofias hedonistas, humanistas e pagãs? A situação é critica, devemos despertar para a influência mundana na nossa fé. Não adianta expandir o cristianismo nominal se continuarmos trocando os valores de Deus pelos valores do mundo. Como podemos incentivar os crentes a pensarem em dinheiro se é justamente isso que Jesus disse que dificulta nossa entrada no céu? Como podemos continuar alimentando egos? Quando oraremos de verdade “Seja feita a Tua vontade”!?


Atributo essencial do verdadeiro cristão é a renovação da mente. O que inclui o despojar do pensamento mundano e o revestimento do pensamento cristão. Não é fácil, mas é necessário. Pense como os cristãos primitivos pensavam, os propósitos de Deus estão muito acima de nós e de nossos propósitos terrenos. O objetivo do cristão é servir a Deus custe o que custar, inclusive às custas da própria vida. O apelo que eu faço é que todos reflitam sobre que religião tem vivido, a religião do egoísmo ou a verdadeira religião de Cristo. É tempo de pararmos de usar Deus como um servo e aprender que os servos somos nós. É tempo de perdermos a vida por Cristo para que possamos encontrar os tesouros da verdadeira vida.


Vitor Pereira
18.10.2007


¹Fonte: http://www.mir12.com.br/congre07/index2.php?pg=ZW50cmV2aXN0YQ==&id=51

Depois de 20 dias, estamos de volta!

Pois é, Dezembro foi um mês muito estressante e de muito trabalho, e por isso esse blog foi deixado de lado por um tempo, mas agora que a maré baixou, eu posso continuar esse trabalho e entrar em contato com os leitores. Meu momento atual é de trabalho, e ainda não posso me dedicar inteiramente à obra de Deus, e à ler e escrever. Mas nem tudo é ruim, apesar do ritmo estressante de trabalho (cheguei a trabalhar até 15 horas por dia), o mês de Dezembro trouxe coisas boas... sete novos livros! Dentre eles Ensaios Apologéticos com artigos dos maiores apologistas cristãos, como William L. Craig, J.P. Moreland, Francis Beckwith, Ravi Zacharias dentre outros, e A Veracidade da Fé Cristã do grande William Lane Craig. Com certeza é garantia de bons textos no blog! Pra começar o ano, posto um artigo que escrevi a quase 2 meses, refletindo sobre a religião que temos vivido.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Neste Natal, dê um livro!

Nada melhor do que um livro para formar um bereano. Eu acredito imensamente no poder que um livro têm para transformar vidas, por isso eu sempre peço e dou livros de presente, e ainda mais nós como cristãos, devemos sempre estar na vanguarda do pensamento intelectual da sociedade. Faça algo, dê um livro!
Muitas livrarias online façam promoções imperdiveis, nesse mês eu comprei Correntes Cruzadas de Colin Russell e A Biblioteca de C.S.Lewis de James Stuar Bell, ambos com 62% de desconto na livraria Erdos www.erdos.com.br , além desses que eu citei, a erdos têm dezenas de outros titulos excelentes com grandes descontos, vale a pena!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Eu li Encontrando Deus nas Dificuldades da Vida - Bill Hybels...

Encontrando Deus nas Dificuldades da Vida - Bill Hybels

É um daqueles livrinhos oriundos de pregações, pequeno e de poucas páginas que se lê em meia hora. É um livro simples, mas não fala nada de novo, bom para ler no ônibus ou em fila de banco.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Eu li As Confissões de Sto.Agostinho



"Escritas dez anos após sua conversão (397-400), as Confissões são, ainda hoje, modelo de narração autobiográfica. Escritura serrada, densa, nutrida de citações meditadas das Escrituras e de reflexões filosóficas, são um grande espelho da alma inquieta e perturbadora de Agostinho. Revelam uma vontade intensa de encontrar a verdade definitiva, absoluta, que satisfaça sua imensa sede de saber, de crer, de ser perdoado. Livro único, as Confissões revelam os dotes, o impulso da vida, a sensibilidade aos problemas da existência humana. Referem à vida humana como exemplo do que é para o ser humano a procura de Deus. O título, Confissões, indica o propósito da obra. A palavra significa simultaneamente confissão dos erros, das falhas, dos pecados e louvor a Deus. O próprio Agostinho, nas Retractationes II, 6, referindo-se a esta obra revela: `Os treze livros das minhas Confissões louvam o Deus justo e bom por meus males e bens, e elevam até ele a mente e o coração dos homens; senti esse efeito enquanto as escrevia, e torno a senti-lo cada vez que as leio`. As Confissões estimulam o espírito e o coração do homem para Deus."

 
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