sábado, 17 de janeiro de 2009

Quando Cosmovisões Colidem: C.S.Lewis e Freud - Parte II de II


Armand Nicholi


Série de palestras que deram origem ao livro acima.

Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
DespertaiBereanos.blogspot.com



Dr. Armand Nicholi é professor da Escola de Medicina de Harvard há 20 anos. Ele também ministra um curso popular na Universidade de Harvard sobre as cosmovisões contrastantes de Sigmund Freud e C.S.Lewis.

C.S. Lewis e Sigmund Freud: uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte.

Parte Dois

O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. Na parte um , Nicholi explicou as visões de Freud sobre Deus e o Sofrimento.



Como alguém muda sua cosmovisão de uma para outra que é dramaticamente diferente? Com C.S. Lewis, essa transformação aconteceu através de um longo período de tempo. Ainda assim, sua conversão não foi menos dramática do que a de Paulo, Agostinho, Tolstoy, Pascal e muitos outros.

Essas são algumas das influências que pressionaram Lewis a mudar sua cosmovisão: Primeiro, Lewis gradativamente se tornou ciente de que a maioria dos grandes autores que ele vinha lendo por anos, eram crentes. Isso começou a fazê-lo pensar. Então, ao reler Eurípedes e Space, Time and Deity de Samuel Alexander, Lewis foi forçado a pensar sobre um profundo anseio dentro de si mesmo; ele reconheceu que era um tipo de anseio que ele experimentava periodicamente mas não conseguia entender bem. Ele chamou isso de "alegria" e escreveu bastante sobre isso. Ele percebeu que essa alegria não era um fim em si mesmo, mas um lembrete de algo ou alguém maior. Posteriormente, ele veio a crer que esse alguém é o Criador.

Segundo, Lewis ficou chocado durante uma conversa com um dos seus colegas professores de Oxford ao ouvir ele, um ateu declarado, afirmar que as evidências para a autenticidade dos evangelhos eram muito boas. As evidências eram persuasivas e as histórias dos Evangelhos pareciam ser verdadeiras. Lewis disse que é impossível compreender o impacto que isso teve nele vindo desse membro específico da faculdade.

Terceiro, ele leu O Homem Eterno de G. K. Chesterton e finalmente passou a crer em Deus. Ele escreve sobre isso de forma sucinta em Surpreendido pela Alegria:

Você tem que me imaginar sozinho naquele quarto em Magdalene, noite após noite, sentindo, a todo momento que minha mente se desviava do meu trabalho, a permanente, e persistente aproximação dEle, o qual eu não queria encontrar de maneira alguma. O que eu temia, finalmente, me sobreveio. No Trinity Term de 1929 eu finalmente desisti, e admiti que Deus era Deus, e me ajoelhei e orei: talvez, aquela noite, o mais relutante e desapontado convertido de toda Inglaterra.


Nesse momento Lewis era um teísta, não um Cristão. Ele se ocupou por muitos longos meses para entender a história do Evangelho e as doutrinas da redenção e ressurreição. Ele chegou a ler o Evangelho de João em Grego.
Então, no outono de 1931, ele jantou com dois membros da faculdade, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, e Hugo Dyson, um professor de literatura Inglesa. Depois do jantar, os três conversaram sobre a grande questão concernente a verdade dos Evangelhos e se fizeram a pergunta que um dos pupilos de Lewis se referiu como, "Será verdadeiro, será verdadeiro, esse conto mais impressionante de todos?" Eles conversaram e caminharam por horas por um caminho chamado Caminho de Addison. O relógio na Torre de Magdalene marcava três da manhã antes deles partirem. Essa conversa teve um profundo efeito em Lewis. Nove dias depois, Lewis viajou de moto com seu irmão. Ele escreveu, "Quando saímos eu não acreditava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, e quando chegamos ao zoológico, eu já cria." Depois, Lewis escreveu: "Minha longa conversa com Dyson e Tolkien tiveram um grande impacto nisso."

A conversão de Lewis revolucionou sua vida. Ele se tornou um prolifíco autor, vendendo milhões de cópias de livros e influenciando muitas pessoas em universidades, especialmente nesse país e na Europa. Devido ao fato dele mesmo ter sido ateu pela primeira metade de sua vida, ele conhecia os argumentos muito bem. Por exemplo, Lewis concordava com Freud em crer que nós, de fato, possuímos um profundo desejo por Deus, mas ele discordava com a noção de Freud de que Deus, portanto, era nada mais do que produto da satisfação de um desejo. O que nós desejamos, Lewis apontou, não tem nada a ver com a questão de se Deus existe ou não. De acordo com a teoria de Freud, o desejo da não-existência de Deus seria tão forte quando o desejo de sua existência. Lewis, portanto, disse que tudo que isso nos diz é algo sobre nossos sentimentos, mas muito pouco sobre a existência ou inexistência de Deus. Então Lewis tendia a responder a maioria dos argumentos formulados por Freud.

A Questão da Mortalidade

Vamos mudar agora para nosso segundo assunto, a questão da mortalidade, a qual Freud se referiu como "o doloroso mistério da morte." Sócrates disse que o verdadeiro filósofo está sempre negando a morte e o ato de morrer. E, de fato, a maioria dos grandes escritores escreveram continuamente sobre isso.

Uma questão fundamental da nossa existência, uma que aprendemos ainda cedo na vida, é que nós estamos aqui na terra por um curto período. Nós somos as únicas criaturas na terra que podem prever nossa própria morte. Ao mesmo tempo, nós temos um profundo anseio pela permanência e um profundo e penetrante medo de sermos separados daqueles que nós amamos sendo abandonados. O medo de ser abandonado é o primeiro medo que experimentados quando crianças, um bebê chora quando sua mão sai do quarto. Pesquisas no Hospital Geral de Massachusetts mostraram que, em pacientes terminais, isso é o que eles mais temem, o medo de serem deixados sozinhos, de serem abandonados. É um medo temos em mente por toda nossa vida. Ainda assim não podemos escapar da cruel realidade de que cada respiro que damos, cada batida do coração, cada hora do dia nos aproxima ainda mais da hora em que deixaremos para trás aqueles que nós amamos.

Agora, como você processa essa informação? Como você entra em acordo com isso? Os psiquiatras dizem que essa questão é tão importante que você não pode realmente viver sua vida até que entre em um acordo com essa informação. Mas como você processa isso sem se encher de ansiedade ou e medo? Isso é o que Freud chamou de "o doloroso mistério da morte."

Freud e o Mistério da Morte.

Freud escreveu frequentemente sobre a morte. Eu mencionarei apenas uns poucos comentários que ele escreveu e como ele frequentemente se confrontava com sua própria morte.

Em 1932, numa obra chamada Totem e Tabu, Freud fez a interessante observação de que a morte não existe na nossa mente inconsciente: "Nosso inconsciente não acredita em sua própria morte. Ele se comporta como se fosse imortal. Nós não conseguimos imaginar nossa própria morte e quando tentamos fazê-lo nos apercebemos que somos, de fato, ainda espectadores, assim, ninguém crê em sua própria morte." Freud evitou dar qualquer interpretação filosófica dessa observação provocadora de que nas profundezas de nossas mentes, "todos nós estamos convencidos de nossa imortalidade."

Em O Futuro de uma Ilusão, Freud falou frequentemente sobre o doloroso mistério da dor. Ele terminou um ensaio com a curiosa sugestão de que se você quer suportar a vida você deve estar preparado para a morte. Ele pareceu perceber o que as pessoas na minha área tem falado durante anos, que nós não podemos realmente começar a viver nossas vidas até, de alguma forma, resolver o problema da nossa própria morte. E quando isso permanece não resolvido, gasta-se uma energia excessiva ou negando a morte ou se tornando obcecado com ela.

Freud não deixou dúvidas sobre como ele lidava com o problema. Ele se tornou obcecado com a morte. Seu colega Ernst Jones, seu biografo oficial, escreveu:

Pelo que sabemos da vida de Freud, ele parece ter sido possuído por pensamentos de morte. Mais do que qualquer grande homem que eu posso imaginar. Mesmo na época que estávamos nos conhecendo ele tinha o desconcertante hábito de partir dizendo "Adeus. Você talvez não me verá nunca mais." E então haviam os repetidos ataques do que ele chamava de "o pavor da morte". Ele odiava envelhecer. Mesmo quando ele tinha quarenta anos e a cada ano que se passava, os pensamentos de morte se tornavam cada vez mais despóticos. Ele disse uma vez que ele pensava sobre isso cada dia de sua vida, o que é bastante incomum.

Freud sonhava com a morte continuamente, e desde cedo em sua vida ele era obcecado em prever sua morte. O médico de Freud descreveu sua preocupação com a morte como supersticiosa e obsessiva. Freud estava certo que morreria aos 41, depois aos 51, depois 61, depois 62, depois aos 70. Ele entrava num hotel e se lhe fosse entregue o quarto 63. Ele saia e permanecia, por meses, convencido de que morreria aos 63 anos. Quando Freud perdeu um ente querido, ele se sentiu totalmente desesperançoso. Numa carta para Jones, ele escreveu, "Eu tinha a sua idade quando meu pai morreu e isso revolucionou minha alma. Você consegue se lembrar de um tempo tão cheio de morte quanto esse?" Quando tinha 64 anos, Freud perdeu uma jovem e linda filha, e ele se perguntava quando chegaria a sua hora. Ele desejava que fosse logo. Ele disse, "Eu não sei o que resta dizer depois de um evento paralizante como esse que não gera nenhuma dúvida posterior para quem não é crente" . Em outra carta ele escreveu, "Como um descrente, eu não tenho ninguém para acusar e não há lugar onde fazer uma queixa." Três anos depois o neto favorito de Freud morreu de tuberculose. Ele escreveu para um amigo, "Isso é difícil de suportar. Eu acho que jamais experimentei tamanha dor. Talvez minha própria doença contribua para isso. Eu trabalho por pura necessidade. Tudo perdeu o sentido para mim." E em outra carta ele afirmou, "Para mim, essa criança tomou o lugar de todos os meus filhos e netos já que eu não me importo com nenhum dos meus netos. Eu não encontro nenhuma alegria na vida."

Freud morreu aos 83 anos depois de uma batalhar contra um câncer que durou 16 anos. Seu livro favorito era o Fausto de Goethe, a história de Fausto fazendo um pacto com o diabo. Logo antes de Freud morrer, ele foi até a estante da livraria e pegou um livro de Balzac entitulado The Fatal Skin, no qual o personagem principal também faz um pacto com o diabo. O livro termina quando o herói não consegue controlar seu medo da morte e morre em estado de pânico. Estranho, como último livro. Depois de ler o lviro, Freud lembrou seu médico da promessa que ele havia feito de facilitar sua passagem quando o tempo tivesse chegado. Seu médico injetou dois centigramas de morfina que o fizeram dormir, então 12 horas depois ele injetou mais dois centigramas. Freud morreu às três da manhã do dia 12 de Setembro de 1939.

C.S. Lewis e a Morte

C.S. Lewis também escreveu sobre a mortalidade. Em O Problema do Sofrimento, Lewis descreve como, quando ateu, o problema do sofrimento humano, especialmente a capacidade humana de prever sua morte enquanto intensamente deseja permanecer, foi uma barreira para ele crer num Deus bom e todo-poderoso. Após sua conversão, ele entendeu a morte como um resultado da queda, uma transgressão das leis de Deus, e que a morte não era parte do plano original. (Talvez essa seja a razão de não termos símbolo para a morte no nosso inconsciente, e termos tamanha dificuldade em aceitar nossa mortalidade.)

Lewis fez referência frequente ao principio básico que a morte ilustra. Quando tinha 31 anos, antes de sua conversão, Lewis escreveu uma carta que afirmava, "Eu penso que eu entendo isso todo ano no Outono, assim como a simples natureza e a exuberante vida do mundo está morrendo, de que algo mais está acordando. Será que isso é significante? A morte do homem natural sempre significa o nascimento do espiritual; será que algo jamais dorme se não para que algo mais acorde?"

Então alguns anos depois numa outra carta, ele escreveu, "Pode alguém acreditar que não havia nada de persistente naquele motivo de sangue, morte, e ressurreição que aparece e todos os grandes mitos?" Ele estava começando a notar enquanto estudava toda a literatura antiga que mesmo nas culturas pagãs haviam essas estranhas histórias de um deus vindo à terra, morrendo, e ressuscitando. Ele se perguntava o que isso significava. E quando você olha para a natureza, de fato você vê coisas mesmo na vida vegetal onde uma semente cai na terra, morre e volta a vida na forma de uma planta ou uma grande árvore. Será que isso pode estar apontando para o que ele eventualmente chamava de "o grande milagre," a ressurreição? Ele disse, "Certamente a história da mente humana se encaixa muito melhor se você supor que tudo isso eram as primeiras sombras de algo cuja realidade veio em Cristo mesmo se nós não conseguirmos compreender isso completamente no presente."

Tragédia Pessoal

Em sua vida pessoal, C. S. Lewis se confrontou com a morte quando era criança. Aos nove anos ele perdeu, em poucos meses, seu avô paterno, um tio, e sua linda mãe. Numa autobiografia, Surpreendido pela Alegria, ele se lembra de sempre estar confinado no seu quarto, doente com dor de cabeça e de dente. Ele estava profundamente triste por sua mãe não ter ido vê-lo. Ele não conseguia compreender a razão disso


Isso era por que ela estava doente, também: e o que era estranho é que haviam diversos médicos no seu quarto, e vozes e gente indo e vindo por toda a casa, portas se abrindo e fechando. Parecia ter durado por horas. E então meu pai, às lágrimas, entrou no meu quarto e começou a tentar explicar para a minha mente apavorada coisas que eu jamais havia concebido antes.


Disseram a ele que sua mãe estava morrendo de câncer. Ele chamou isso de "toda a existência mudando em algo estranho e ameaçador, enquanto a casa se enchia de aromas estranhos e barulhos durante a madrugada e conversas murmuradoras sinistras."



"Meu pai jamais se recuperou dessa perda," ele observou. Talvez Lewis também não, no sentido de que ele foi enviado para um colégio interno, pois seu pai estava muito deprimido para cuidar dele. Numa idade muito precoce, ele perdeu pai e mãe.



Quando tinha 18 anos e era estudante em Oxford, Lewis se juntou ao exército. Ele se feriu durante manobras na França e, numa preleção em Oxford muitos anos depois, ele fez a interessante observação de que a guerra não torna a morte mais frequente, 100 por cento de nós morremos e essa percentagem não pode ser aumentada." Ele afirmou que a guerra coloca diversas mortes mais cedo e um dos aspectos positivos da guerra é que ela nos alerta de nossa mortalidade. Quando ele tinha 23 anos ele escreveu uma carta para seu pai sobre a morte de um velho professor, amigo de ambos. Ele afirmou:


Eu vi a morte com bastante frequência [na guerra] e mesmo assim não consigo deixar de vê-la como extraordinária e incrível. Uma pessoa real é tão real e tão obviamente viva e diferente do que o corpo morto. Não é possível crer que que aquele algo se tornou em nada, que alguém pode subitamente se transformar em nada.


Isso me lembra de dos meus estudantes de medicina que acabam de iniciar a prática médica; muito frequentemente eles me chamam para falar de suas experiências na residência. Uma das coisas que os estudantes mencionam com frequência é quão diferente uma pessoa é antes e depois da morte, quão diferente um corpo é de uma pessoa viva. Eles sentem que há algo que desaparece, que não está lá após a morte, e que nós somos muito mais do que nossos corpos. Lewis pareceu reconhecer isso quando ainda era muito jovem.


A Morte Importa


Em Anatomia de uma Dor, Lewis escreveu sobre a morte de sua esposa que era para ele tudo de importante. Como eu mencionei, muitos psiquiatras consideram esse livro um clássico no entendimento do luto. Lewis faz você sentir raiva, ressentimento, solidão, e medo. Sua raiva se torna palpável quando ele imagina que Deus é um "sádico cósmico, o imbecil odioso". Ele escreveu, "É difícil ter paciência com pessoas que dizem que não há morte ou que a morte não importa. A morte existe," ele continua, "e o que quer que importa. Poderíamos também dizer que o nascimento não importa."

Lewis nunca perdeu seu senso de humor. Quando ele tinha 59 anos de idade, uma mulher escreveu para ele e disse quão terrível era ter acabado de perder um amigo. Lewis escreveu de volta, "
Não há nada de desonroso em morrer. Eu conheço pessoas respeitáveis que morreram." Em outra carta, alguns anos depois, ele escreveu, "Que estado nós chegamos para não conseguir dizer, 'Estarei feliz quando Deus me chamar' sem ter medo disso, é mórbido. Apesar de tudo, o próprio São Paulo disse o mesmo. Porque não deveríamos pensar mais para a frente, no advento?"

Lewis concluiu que nós podemos apenas fazer três coisas em relação a morte: desejá-la, temê-la, ou ignorá-la. Ele afirmou que a terceira tentativa, a qual o mundo moderno chama de saúde, certamento é a mais dificil e precária de todas.


Lewis sofreu um ataque cárdiaco em 15 de Junho de 1963, e entrou em coma. Ele se recuperou apesar disso, e viveu as poucos meses seguintes calmo e feliz. Seu último biografo nota que antes de sua conversão, Lewis era extraordinariamente ansioso em relação a morte, mas após sua conversão ele parecia ter uma maravilhosa calma quanto a isso, até mesmo uma antecipação. Relatos de seus últimos dias atestam a calma e paz interior.

Durante esse tempo, ele escreveu para um amigo de longa dada afirmando, "Apesar de eu não estar infeliz de maneira alguma, eu não consigo deixar de lamentar o fato de ter revivido em Julho". Ele continuou, "Quero dizer, tendo sido levado tão suavemente até os portões, parece duro ter o portão fechado na cara e saber que todo o processo tem que recomeçar um dia. Pobre Lázaro." E para um outro amigo ele perguntou, "Deve-se honrar Lázaro ao invés de Estevão como primeiro mártir. Ter sido trazido de volto e ter que passar por tudo de novo deve ter sido bem difícil." E então ele disse, "Quando você morrer, me procure. É tudo tão divertido, solenemente divertido, não é?"

Duas semanas antes de sua morte, Lewis almoçou com um colega da faculdade. Ele disse que Lewis estava alerta de que o fim estava próximo e que jamais houve um homem tão bem preparado. Em 22 de Novembro de 1963, às 4 da tarde, o irmão de Lewis lhe trouxe seu chá da tarde. Ele observou que Lewis estava sonolento, mas calmo e alegre. As 5h30, ele estava morto.

Nós estudamos as cosmovisões contrastantes de duas mentes prolíficas. Uma visão alega que o universo é um acidente e que nossa existência é uma questão de pura chance. A outra vê o universo como resultado de um projeto e nossa existência como parte desse projeto. Um vê a morte como um mistério doloroso que causa grande ansiedade, desespero e amargura. O outro vê a morte como o passo final do projeto para o qual sua vida foi criada, um passo que pode ser experimentado com calma e até antecipação por causa do que Lewis chamou de "o grande milagre", a ressurreição.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Livros Lidos de 2008

E que venham os livros de 2009!



Para Entender a Idade Média - G.K. Chesterton


E por que homens que não conhecem a História... pensam que a conhecem?


É inteiramente razoável que os homens prósperos do nosso tempo não saibam História. Se a conhecessem, teriam de conhecer a história muito pouco edificante de como se tornaram prósperos...

É inteiramente razoável, digo, que não saibam História: mas por que raios pensam que sabem? Aqui está uma opinião, tomada a esmo do livro de um dos mais cultos dentre os nossos jovens críticos, obra muito bem escrita e inteiramente digna de confiança – quando trata do seu próprio tema, que é um tema moderno. Diz esse escritor: “Na Idade Média, houve pouco ou nenhum avanço social ou político” até a Reforma e a Renascença.

Ora, eu poderia igualmente bem afirmar que, no século XIX, houve pouco avanço na ciência e na técnica até a vinda de William Morris (1), e depois justificar essa afirmação dizendo que não tenho nenhum interesse pessoal por teares a vapor ou águas-vivas – o que certamente é o caso. Porque isto é tudo o que o escritor realmente quis dizer: que não tem nenhum interesse pessoal por arautos ou abades mitrados. Tudo isso está muito bem; mas por que, ao escrever sobre coisas que não existiam na Idade Média, esse autor sente a necessidade de dogmatizar sobre um assunto de que evidentemente nunca ouviu falar? E sobre o qual, apesar de tudo, talvez ainda se pudesse contar uma História muito interessante?

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(1) William Morris (1834-1896): Artista e escritor inglês, contribuiu com grande sucesso para a valorização e o aprimoramento das mais variadas formas de arte (desde a decoração até a arquitetura e a iluminura), chegando mesmo a fundar empresas bem-sucedidas nesse ramo (entre elas, a tipografia Kelmscott Press, em 1890). Ao fim da vida, deixou de lado os seus êxitos artísticos e empresariais para dedicar-se a difusão de idéias socialistas.
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Pouco antes da conquista pelos normandos (2), países como o nosso apresentavam um feudalismo ainda incipiente e completamente pulverizado, sulcado por contínuas ondas de bárbaros, bárbaros que nunca tinham montado um cavalo. Praticamente não havia casa de pedra ou de tijolo na Inglaterra; quase não havia estradas, apenas sendas batidas; praticamente não havia lei, apenas costumes locais. Essa era a Idade das Trevas, da qual surgiria a Idade Média.
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(2) A conquista da Inglaterra pelos normandos comandados por Guilherme o conquistador ocorreu no ano de 1066.
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Mas tomemos agora a Baixa Idade Média, duzentos anos depois da conquista normanda e praticamente outro tanto antes do início da Reforma. As grandes cidades surgiram; os cidadãos são privilegiados e importantes; os trabalhadores organizaram-se em Corporações de Ofício livres e responsáveis; os Parlamentos são poderosos e litigam com os próprios reis; a escravidão desapareceu quase por completo; abriram-se as grandes Universidades, que ministram esse programa de ensino tão admirado por Huxley (3); repúblicas tão orgulhosas e patrióticas como as dos antigos pagãos erguem-se como estátuas de mármore ao longo da costa mediterrânea; e por todo o norte os homens construíram igrejas tão grandiosas que os homens talvez nunca mais as igualem. E isso – que, na sua maior parte, foi realizado mais propriamente não em dois, mas em um século –, é a isso é o que o nosso crítico chama “pouco ou nenhum avanço social ou político”. Praticamente não há instituição moderna importante que tenha influenciado a sua vida – da escola em que estudou ao Parlamento que o governa –, que não teve os seus principais avanços na Idade Média.
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(3) Thomas Henry Huxley (1825-1895): biólogo inglês, amigo de Charles Darwin e um dos maiores defensores e divulgadores da teoria evolucionista, o que fez especialmente através do seu livro Man´s Place in Nature (“O lugar do homem na natureza”, 1863), em que pela primeira vez os princípios do evolucionismo são aplicados ao homem.
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Se alguém pensa que escrevo isso por pedantismo, espero poder mostrar-lhe em um momento que tenho um objetivo mais humilde e mais prático. Quero considerar a natureza da ignorância, e começo por dizer que, em qualquer sentido escolar e acadêmico, sou eu mesmo muito ignorante. Assim como dizemos de um homem como Lord Brougham (4) que tinha um grande conhecimento geral, eu diria que tenho uma grande ignorância geral.
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(4) Henry Peter, Lord Brougham (1778-1868): político britânico nascido em Edimburgo. Suas numerosas obras, às vezes contraditórias entre si, cobriram quase todos os ramos do conhecimento da época, tendo ele escrito sobre Filosofia, Teologia, Economia e até Matemática. Destacou-se também por ter fundado revistas e sociedades de difusão do conhecimento e por ter realizado reformas no Parlamento britânico.
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Só que este é exatamente o ponto a que pretendia chegar. É um conhecimento geral e uma ignorância geral: sei pouco de História, mas sei um pouco de quase toda a História. Não sei muito, digamos, sobre Martinho Lutero e sua Reforma, mas sei que ela fez uma diferença enorme; ora, não saber que o rápido progresso dos séculos XII e XIII fez uma diferença enorme é pelo menos tão extraordinário como nunca ter ouvido falar de Martinho Lutero. Também não estou muito bem informado sobre os budistas, mas sei que se interessam por filosofia; não saber que os budistas se interessam por filosofia, acredite em mim, seria tão chocante como não saber que os medievais se interessavam pela experimentação e pelo progresso políticos.

Da mesma forma, não sei muito sobre Frederico o Grande. Na minha infância, a enorme coleção de volumes de Carlyle sobre o assunto inspirava-me medo: parecia haver tantas coisas a conhecer! No entanto, apesar desses receios, eu seria perfeitamente capaz de adivinhar, com uma razoável probabilidade de acerto, o tipo de assunto que esses volumes continham. Por exemplo, eu arriscaria (penso que não incorretamente) que os volumes deviam conter a palavra “Prússia” em um ou mais lugares; que, de tempos a tempos, se falaria de guerra; que se faria alguma menção de tratados e fronteiras; que a palavra “Silésia” poderia ser encontrada caso se procurasse diligentemente, bem como os nomes de Maria Teresa e Voltaire; que em algum lugar de todos aqueles volumes, o seu grande autor diria se Frederico o Grande tivera um pai, se chegara a casar-se, se possuíra grandes amigos, se tivera algum hobby ou aficção literária de qualquer tipo, se havia morrido no campo de batalha ou na cama, e assim por diante. Se eu tivesse reunido coragem suficiente para abrir um daqueles volumes, provavelmente teria encontrado alguma coisa, ao menos nessas linhas gerais.

Agora, troque a imagem; imagine o jornalista ou homem de letras comum, jovem e bem educado, recém-saído de uma escola pública ou faculdade, parado diante de uma coleção ainda maior de livros ainda maiores das bibliotecas da Idade Média – digamos, todos os volumes de São Tomás de Aquino. Digo-lhe que, de nove casos em dez, aquele jovem bem-educado não tem a menor noção do que iria encontrar naqueles volumes encadernados em couro. Pensa que irá encontrar discussões sobre as capacidades dos anjos de se equilibrarem sobre pontas de agulhas, e talvez o fizesse. Mas afirmo que ele não pensa – nem de longe – que irá encontrar um professor universitário a discutir quase todas as coisas que Herbert Spencer discutiu: política, sociologia, formas de governo, monarquia, liberdade, anarquia, propriedade privada, comunismo, e todas as variadas idéias que, no nosso tempo, se dedicam a brigar em nome do futuro “socialismo”.

Igualmente, não sei muito sobre Maomé ou o maometanismo. Não levo o Alcorão para ler na cama toda noite. Mas, se em determinada noite o fizesse, há pelo menos um sentido em que sei o que não encontrarei nele. Suponho que a obra não transbordará de fortes encorajamentos ao culto dos ídolos; que não se cantarão ali em alta voz os louvores do politeísmo; que o caráter de Maomé não será submetido a nada que se parece com o ódio e o ridículo; e que a grande doutrina moderna da irrelevância da religião não será enfatizada sem necessidade.

Mas troque novamente a imagem, e imagine o homem moderno (o pobre homem moderno) que tivesse levado um volume de teologia medieval para a cama. Ele esperaria encontrar ali um pessimismo que não há, um fatalismo que não há, um amor à barbárie que não há, um desprezo pela razão que não há.

Aliás, seria na verdade muito bom que fizesse a experiência. Far-lhe-á bem de uma forma ou de outra: ou o fará dormir – ou o fará acordar.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quando Cosmovisões Colidem: C.S.Lewis e Freud - Parte I de II

Armand Nicholi


Série de palestras que deram origem ao livro acima.

Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
DespertaiBereanos.blogspot.com
Dr. Armand Nicholi é professor da Escola de Medicina de Harvard há 20 anos. Ele também ministra um curso popular na Universidade de Harvard sobre as cosmovisões contrastantes de Sigmund Freud e C.S.Lewis.


C.S. Lewis e Sigmund Freud: uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte.

O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. A parte dois aparece na The Real Issue de Março de 1998 e aborda a mudança de cosmovisão de Lewis e sua conversão

As cosmovisões de Sigmund Freud e C.S. Lewis, ambas predominantes na nossa cultura hoje, apresentam interpretações diametralmente opostas de quem nós somos, nossa identidade, de onde viemos, de nossa herança cultural e biológica e de nosso destino. Primeiro, vamos arrumar as bases para nossa discussão fazendo três perguntas. Quem é Sigmund Freud? Quem é C.S.Lewis? E o que é uma cosmovisão?

Poucos homens influenciaram mais a estrutura moral de nossa civilização do que Sigmund Freud e C.S. Lewis. Freud foi o médico Vienense que desenvolveu a psicanálise. Muitos historiadores colocam suas descobertas ao lado das de Plank e Einstein. Suas teorias proveram um novo entendimento sobre como nossas mentes funcionam. Suas idéias permeiam diversas disciplinas incluindo a medicina, literatura, sociologia, antropologia, história e o direito. A interpretação do comportamento humano no direito e na crítica literária é profundamente influenciada pela suas teorias. Seus conceitos estão tão permeados na nossa linguagem que nós usamos termos como repressão, complexo, projeção, narcisismo, ato falho e rivalidade fraterna sem sequer nos apercebemos de sua origem.

Devido ao inegável impacto de seu pensamento na nossa cultura, os estudiosos se referem a esse século como o "século de Freud". Por que isso? À luz do que sabemos hoje, Freud é continuamente criticado, desacreditado, e difamado; ainda assim sua figura continua a aparecer em capa de revistas e artigos de primeira página em jornais como o The New York Times. As recentes pesquisas históricas intensificaram o interesse nas controvérsias em torno de Freud e seu trabalho. Como parte de seu legado intelectual, Freud defendeu veementemente uma filosofia de vida secular, materialista e ateísta.

Apesar do fato de C.S.Lewis ter conquistado reconhecimento intelectual muito antes de sua morte em 1963, seus livros acadêmicos e populares continuaram a vender milhões de cópias por ano e sua influência continua a crescer. Durante a Segunda Guerra Mundial, os pronunciamentos de Lewis no rádio fizeram sua voz a segunda mais reconhecida na BBC perdendo apenas para Churchill. Nos anos que se seguiram, a foto de Lewis apareceu na capa da Times e outras revistas importantes.

Hoje, a grande quantidade de livros pessoais, biográficos e literários sobre Lewis, o grande número de sociedades sobre C.S.Lewis em universidades; os periódicos e jornais sobre C.S.Lewis; como também o recente filme e peça sobre sua vida confirmam o sempre crescente interesse nesse homem e na sua obra. Como um jovem membro da universidade de Oxford, Lewis mudou de uma visão secular e ateísta para uma espiritual; uma cosmovisão que Freud frequentemente atacava, mas a qual Lewis abraçou e definiu em muitos de seus escritos após a conversão. Tanto Lewis quanto Freud possuíam dons literários extraordinários. Freud ganhou o prêmio Goethe de literatura em 1930. Lewis, que ensinou em Oxford e foi catedrático de Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge, produziu alguns dos maiores criticismo literários e possui uma grande quantidade de livros acadêmicos e de ficção vastamente lidos.

Cosmovisões conflitantes.

Agora, sobre a questão da definição de "cosmovisão". Em 1933, numa preleção chamada "A questão da Weltanschauung," Freud definiu cosmovisão como "uma construção intelectual que resolve todos os problemas de nossa existência, uniformemente, sobre o fundamento de uma hipótese dominante."

Todos nós, quer nos apercebamos ou não, temos uma cosmovisão; temos uma filosofia de vida, nossa tentativa de fazer nossa existência ter sentido. Ela contêm nossas respostas às principais questões que dizem respeito ao sentido de nossas vidas, questões que nos perturbam em algum período de nossas vidas, e que nós frequentemente pensamos apenas quando acordamos às três da manhã. O resto do tempo que estamos sozinhos nós temos o rádio e a televisão ligados que impedem que fiquemos sozinhos com nós mesmos. Pascal dizia que a única razão de nossa infelicidade é que nós não conseguimos ficar sozinhos num quarto. Ele alegou que nós não gostamos de confrontar a realidade de nossas vidas; a condição humana é tão basicamente infeliz que nós fazemos de tudo para nos distrair de pensar nisso.

O vasto interesse e permanente influência das obras de Freud e Lewis se originam nem tanto de seus estilos literários singulares, mas mais do apelo universal que tem as questões que eles trabalharam; questões que permanecem extraordinariamente relevantes às nossas vidas pessoais e à nossa crise social e moral contemporânea.

A partir de visões diametralmente opostas, eles falaram sobre questões como, "Há sentido e propósito para a existência?" Freud diria, "Certamente não! Não podemos nem, do nosso ponto de vista científico, abordar a questão de se há ou não sentido para a vida." Mas ele afirmaria que se você observar o comportamento humano, perceberá que o principal propósito da vida parece ser a conquista da felicidade e do prazer. Assim Freud delineou o "principio do prazer" como uma das principais características de nossa existência.

Lewis, por outro lado, disse que o sentido e propósito são encontrados na compreensão do porquê estamos aqui em relação ao Criador que nos fez. Nosso propósito principal é estabelecer um relacionamento com esse Criador. Freud e Lewis também discutiram as fontes da moralidade e da consciência. Todos os dias nós acordamos e fazemos uma série de decisões que nos sustentam ao longo do dia. Essas decisões são geralmente baseadas no que nós consideramos que é certo: o que nós valorizamos, nosso código moral. Decidimos estudar com afinco e não usar as idéias de outras pessoas, por que de alguma forma isso é parte de nosso código moral. Já Freud disse que nosso código moral vem da experiência humana, como nossas leis de tráfego. Nós fazemos os códigos por que eles são convenientes para nós. Em algumas culturas você dirige na esquerda, em outras você dirige na direita.

Mas Lewis discordaria disso. Ele disse que apesar das diferenças culturais, há um código moral básico que transcende a cultura e o tempo. Essa lei não é inventada, como as leis de tráfego, mas é descoberta, como as verdades matemáticas. Então, Freud e Lewis tinham um entendimento completamente diferente da fonte da verdade moral.

Lewis e Freud também falaram sobre a existência de uma inteligência além do universo; Freud disse "Não", Lewis disse "Sim". Suas visões os levaram a discutir o problema dos milagres na era científica. Freud alegou que os milagres contradizem tudo que aprendemos através da observação empírica, eles não ocorrem de fato. Entretanto, Lewis perguntaria; "Como sabemos que eles não ocorrem? Se há alguma evidência, a filosofia que você trás para interpretar a evidência determina como você interpretará." Então, de acordo com Lewis, nós precisamos entender se nossa filosofia exclui os milagres e, portanto, afeta nossa interpretação da evidência.

Tanto Freud quanto Lewis falaram muito sobre a sexualidade humana. Freud considerava todo tipo de amor uma forma de sexualidade sublimada, até mesmo o amor entre amigos. Lewis disse que qualquer um que pense que a amizade é baseada em sexualidade nunca teve um amigo realmente.

Eles também discutiram o problema da dor e do sofrimento. Freud era extremamente perturbado por esse problema, e Lewis escreveu alguns maravilhosos livros que ajudam a explicar o problema do sofrimento que todos nós experimentamos. O Problema do Sofrimento [Editora Vida] é uma discussão bastante intelectual da questão. Quando a mulher de Lewis morreu, ele escreveu Anatomia de uma dor [Editora Vida], que eu recomendo enfaticamente. As pessoas da minha área dizem que esse é o melhor trabalho sobre o processo de luto.

E, é claro, ambos discutiram o que Freud chamou de "O doloroso mistério da morte". Mas eu voltarei a isso mais tarde. Cada uma das questões que eu abordei são filosóficas por natureza. É significante notar que os trabalhos filosóficos de Freud tiveram mais influência na secularização da cultura do que seus trabalhos científicos. Eu vou discutir dois desses temas.

Deus em Questão

Primeiro, a existência de uma inteligência para além do universo, o que os cientistas modernos chamam de "A questão de Deus". Norman Ramsay, professor de física de partículas em Harvard, ganhou o Prêmio Nobel de Fìsica em 1989. Ele me disse recentemente que mesmo em seu campo, os cientistas tem se tornado interessados na questão de se há ou não uma inteligência para além do universo. Ele disse que é uma área de interesse relativamente recente para eles e que tem sido provocada principalmente pela aceitação da teoria do Big Bang. Eu repliquei dizendo que eu não entendi bem a relação. Ele disse, "Bem, quando acreditava-se que o universo não tinha começo era mais fácil, pois ninguém tinha que se preocupar com o que veio antes. Mas desde que alguém aceita a idéia de que o universo teve um inicio num ponto especifico do tempo, tem que pensar também sobre o que ocorreu antes. Então os físicos agora estão pensando sobre questões que somente teólogos e filósofos pensaram no passado."

Ao olharmos para o mundo ao nosso redor, nós fazemos uma de duas suposições: ou vemos o mundo como um acidente e nossa existência neste planeta como uma questão de pura chance, ou presumimos alguma inteligência para além do universo que não só provê ao universo um desenho e ordem, mas também provê sentido e propósito à vida. Como vivemos nossas vidas, como terminamos nossas vidas, o que percebemos, como interpretamos o que percebemos, tudo é formado e influenciado consciente ou inconscientemente por uma dessas duas suposições básicas.

Tendo isso em mente, Freud dividiu todas as pessoas entre "crentes" e "descrentes". Descrentes incluem todos aqueles que se consideram cínicos, céticos, escarnecedores, agnósticos ou ateus. Crentes incluem o resto, cuja crença varia desde um mero assentimento intelectual de que há algo ou alguém além deste mundo até aqueles como Lewis, Agostinho, Tolstoy e Pascal que tiveram uma experiência transformadora depois da qual sua fé se tornou o principal princípio motivador e organizador de suas vidas.

Freud foi de encontro, clara e enfaticamente, à noção de que há "Alguém" além deste mundo. Ele descreve sua cosmovisão como secular e a chama de "cientifica", e ele alegou que não há nenhuma outra fonte de conhecimento do universo que não seja "a cautelosa observação, o que chamamos de pesquisa." Logo, nenhum conhecimento, ele disse, pode ser derivado de revelação ou intuição. Ele afirmou que a noção do universo criado por um ser "parecido com o homem mas exaltado em cada aspecto, um super homem idealizado, reflete a grotesca ignorância dos povos primitivos." Ele afirmou que nenhuma pessoa inteligente pode aceitar os absurdos da cosmovisão religiosa.

Freud descreveu o conceito de Deus como uma simples projeção do desejo infantil de proteção por um pai todo-poderoso. Ele acrescentou que "a religião é uma tentativa de controlar o mundo sensorial, no qual estamos situados, por um mundo que desejamos que é desenvolvido dentro de nós como um resultado de anormalidades biológicas e psicológicas."

Ele concluiu que a visão religiosa é "tão patética e absurda e... infantil que é humilhante e vergonhoso pensar que a maioria das pessoas jamais se sobreporão a isso." Apenas por um breve período quando era estudante sob a orientação de um brilhante filósofo chamado Franz Brentano, um crente devoto, Freud duvidou de seu ateísmo, mas ele afirmou que continuou descrente pelo resto de sua vida. Um ano antes de sua morte, Freud escreveu para Charles Sanger, "Nem na minha vida privada nem nos meus escritos eu deixei em segredo o fato de ser um completo descrente."

Quando examinamos o relato cuidadosamente nós descobrimos que Freud talvez não estivesse tão certo de seu ateísmo quanto ele proclamava. Certamente ele se referia a si mesmo frequentemente como "um Judeu infiel" e ele rejeitou completamente a visão religiosa do universo, especialmente a visão Judaico-Cristã. Ele certamente atacou essa visão com todo seu poderio intelectual e de todas as perspectivas possíveis. Mas ainda assim, por alguma razão ele permaneceu ocupado com estas questões; ele simplesmente não conseguia deixá-las de lado. Ele passou os últimos trinta anos de sua vida escrevendo sobre tais questões.

Num estudo autobiográfico ele disse que essas questões filosóficas e religiosas o interessaram por toda sua vida desde sua juventude. Um grande número de evidências revelam que a cosmovisão de Freud não o deixavam confortável. A fé, de forma alguma, era caso concluído para ele, e ele era extremamente ambivalente quanto à existência de Deus.

Anna Freud, filha e Freud que faleceu há alguns anos atrás, me explicou a única forma de conhecer seu pai: "Não leia suas biografias;" ela instruiu, "leia suas cartas." Por todas suas cartas, Freud faz afirmações como, "Se algum dia nós nos encontrarmos lá em cima", "minha única, e secreta oração," e afirmações sobre a graça de Deus. Durante os últimos trinta anos de sua vida, Freud manteve uma constante troca de centenas de cartas com o teólogo Suiço, Oskar Pfister. É interessante notar que sua correspondência mais longa foi exatamente com este teólogo. Ele admirava Pfister e escreveu, "Você é um verdadeiro servo de Deus... que sente a necessidade de fazer um bem espiritual para todos que você encontra. Você fez isso por mim também." Ele, posteriormente, disse que Pfister estava, "na honrosa posição de poder levar homens à Deus."

Será isso apenas formas de expressão? Poderíamos dizer isso de qualquer um, menos de Freud, que alegava que mesmo um ato falho da fala tem um sentido.

O Problema da Dor e do Sofrimento

Eu tenho estudado os escritos de Freud como também suas cartas por muitos anos e eu concluí que o principal obstáculo que Freud tinha com a idéia de um ser inteligente além do universo era sua incapacidade de conciliar um Deus bom e todo-poderoso com o sofrimento que todos nós experimentamos em certa intensidade. Numa carta para Pfister, em 1928, Freud escreveu, "E por último, deixe-me ser indelicado. Como diabos você concilia tudo que experimentamos e esperamos nesse mundo com sua suposição de um ordem moral mundial?" E depois, numa preleção em 1944, ele disse: "Não parece ser o caso de haver um poder no universo que observa o bem-estar dos indivíduos com cuidado paternal e dirige seus interesses em direção à um final feliz. Pelo contrário, os destinos da raça humana não podem ser harmonizados nem com a hipótese de uma benevolência universal nem com a parcialmente contraditória hipótese de justiça universal. Terremotos, tsunamis, complicações que não fazem nenhum distinção entre os virtuosos e piedosos e os imorais e descrentes. Mesmo quando o que está em questão não é a natureza inanimada, mas quando o destino individual depende de suas relações com outras pessoas, não é de maneira alguma a regra de que o mal é punido e o bem recompensado. Frequentemente são os espertos e impíos que usufruem das boas coisas do mundo e o piedoso não usufrui de nada. São poderes obscuros, insensíveis e sem amor que determinam nosso destino. Os sistemas de recompensas e punições, que a religião descreve como governo do universo, parece não existir." Eu me pergunto quantos de nós pelo menos uma vez não nos sentimos assim. Freud parecia não estar ciente, é claro, de que na cosmovisão Biblíca o governo do universo está temporariamente em mãos inimigas. Antes de Anna Freud falecer, eu lhe perguntei sobre a dificuldade de seu pai com o problema do sofrimento, e ela expressou grande curiosidade em relação a isso. Num determinado momento ela me disse, "Como você explica o sofrimento no mundo? Há alguém lá em cima que diz, 'Você terá câncer. Você tuberculose', e distribui adversidades?" Eu disse que não sabia exatamente como responder à pergunta, mas eu sei que ela respeitava Oskar Pfister. Eu disse que pessoas como Pfister descreveriam a presença de um poder maligno no universo que é responsável por parte do sofrimento. Anna pareceu interessada nessa noção e voltou frequentemente a ela na nossa conversa. Devemos lembrar que Freud sofreu consideravelmente em sua vida, emocionalmente como um Judeu crescido na profundamente Católica Viena, e fisicamente com o câncer intratável na boca com o qual ele lutou por dezesseis anos de sua vida. Os procedimentos médicos não eram bem desenvolvidos na época e o causaram uma grande dose de dor física. Então precisamos ter isso em mente quando tentamos entender como ele se sentia. C.S.Lewis, ao longo da primeira metade de sua vida, também se descreveu, como Freud, como um "completo descrente". Se Freud duvidou de sua descrença quando estava na faculdade, Lewis se regozijava na sua descrença quando estudante em Oxford. Ele expressou um forte cinismo e hostilidade em relação à pessoas que ele chamava de "crentes" e compartilhava do pessimismo de Freud em relação a vida. Quando tinha trinta e três anos, já um membro popular de Oxford, Lewis experimentou uma profunda e radical mudança em sua vida e em seu pensamento. Ele rejeitou a cosmovisão materialista e ateísta e abraçou uma forte fé em Deus e em Jesus Cristo. Essa conversão de uma cosmovisão para outra começou uma fonte inesgotável de livros acadêmicos e populares que influenciaram milhões de pessoas.


Na segunda parte de Quando Cosmovisões Colidem, o Dr. Armand Nicholi discute as visões de C.S. Lewis sobre a vida, a dor e a morte. Aguardem...


Traduzido do original, disponível em: http://www.leaderu.com/real/ri9801/nicholi.html

Projeto Paul Washer

domingo, 30 de novembro de 2008

Uma Perspectiva Cristã Sobre a Homossexualidade - William Lane Craig


William L. Craig é doutor em Teologia pela Universidade de Munique e em Filosofia pela Universidade de Birmingham. Craig é o maior apologista Cristão de nossos tempos. Hábil debatedor, ele já enfrentou grandes pensadores céticos como Antony Flew, Bart Ehrman, John D. Crossan nos campi de Universidades como Harvard, Oxford e Princeton debatendo tópicos como a existência de Deus e a historicidade da ressurreição de Cristo. É autor dos livros A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã. Neste artigo ele desenvolve uma perspectiva cristã sobre a delicada, e contemporânea, questão da homossexualidade.

Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
DespertaiBereanos.blogspot.com

Uma das questões mais importantes e voláteis que a Igreja enfrenta hoje é a questão da homossexualidade como um estilo de vida alternativo. A Igreja não pode se esquivar dessa questão. Eventos como o brutal assassinato de Matthew Shepherd, o estudante homossexual de Wyoming, ou os recentes escândalos envolvendo padres pedófilos, que abalaram a Igreja Católica, servem para trazer essa questão para o centro da cultura Americana

Cristãos que rejeitam a legitimidade do estilo de vida homossexual são geralmente taxados de homofóbicos, intolerantes e até odiosos. Há uma grande intimidação em relação a essa questão. Algumas igrejas inclusive têm aprovado o estilo de vida homossexual e aceitam aqueles que praticam a homossexualidade como ministros da igreja.

E não pense que isso só tem acontecido em igrejas liberais. Um grupo de evangélicos chamado Evangelicals Concerned é um grupo de pessoas que aparentam ser cristãos nascidos-de-novo, crentes na Bíblia, mas também homossexuais praticantes. Eles alegam que a Bíblia não proíbe a atividade homossexual ou que seus mandamentos não são válidos para hoje, mas são apenas reflexo da cultura na qual eles foram escritos. Essas pessoas podem ser ortodoxas em relação à Jesus e todas as outras áreas de ensino; mas eles pensam que é correto ser um homossexual praticante. Eu lembro de ouvir um acadêmico do Novo Testamento numa conferência profissional relatar a história de que uma vez foi falar em um de seus encontros. "As pessoas estavam seriamente preocupadas sobre o que você iria dizer," seu anfitrião disse depois do encontro. "Por quê?" ele perguntou surpreso. "Você sabe que eu não sou homofóbico!" "Ah, não, não era essa a preocupação", seu anfitrião afirmou. "Eles temiam que fosse você ser muito histórico-crítico!"

Então quem somos nós para dizer que esses aparentes cristãos sinceros estão errados?

Essa é uma pergunta muito importante. Quem somos nós para dizer que eles estão errados? Mas essa pergunta levanta uma pergunta ainda mais profunda, que deve ser respondida primeiro: o certo e o errado realmente existem? Antes de determinar o quê é certo ou errado, você tem que saber se realmente há um certo e errado.

Bem, qual é a base para dizer que o certo e o errado existem, que realmente há uma diferença entre os dois? Tradicionalmente, a resposta tem sido que os valores morais se baseiam em Deus. Deus é, pela Sua própria natureza, perfeitamente santo e bom. Ele é justo, paciente, misericordioso, generoso - tudo que é bom vem dele e é um reflexo de Seu caráter. Agora, a natureza perfeitamente boa de Deus se traduz em mandamentos para nós, que se tornam nossos deveres morais, por exemplo, "Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, entendimento e força", "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", "Não matarás, furtarás, ou cometerás adultério". Essas coisas são certas ou erradas baseadas nos mandamentos de Deus, e os mandamentos de Deus não são arbitrários, mas fluem necessariamente de Sua natureza perfeita.

Esse é o entendimento Cristão de certo ou errado. Existe realmente um ser como Deus, que criou o mundo e nos criou à Sua imagem. E ele, realmente, nos ordenou certas coisas. Somos, realmente, obrigados a fazer certas coisas (e a não fazer outras). Moralidade não está apenas em sua mente. Ela é real. Quando falhamos em cumprir os mandamentos de Deus, nós estamos culpados perante Ele e necessitamos de Seu perdão. O problema não é só que nos sentimos culpados; nós realmente somos culpados, não importando como nos sentimos. Eu posso não me sentir culpado porque eu tenho uma consciência insensível, cauterizada pelo pecado; mas se eu tiver quebrado um mandamento de Deus, eu sou culpado, não importando como eu me sinta.

Então, por exemplo, se os Nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra e alcançassem o objetivo de lavar a mente ou exterminar quem quer que discordasse deles, para que então todos pensassem que o Holocausto tivesse sido algo bom, ainda assim seria errado, porque Deus afirma que é errado, não importando a opinião humana. Moralidade é baseada em Deus, então o certo e o errado existem realmente e não são afetados pelas opiniões humanas.

Eu enfatizei esse ponto por ser tão estranho para muitas pessoas na nossa sociedade hoje. Hoje muitas pessoas pensam no certo e errado não como uma questão de fato, mas como uma questão de gosto. Por exemplo, não há nenhum fato objetivo em brócolis é gostoso. É gostoso para alguns, mas ruim para outros. Pode ser ruim para você, mas é bom para mim! As pessoas pensam o mesmo em relação aos valores morais. Algo pode ser errado para você, mas certo para mim. Não há nenhum certo e errado na verdade. É apenas uma questão de opinião.

Agora, se não há nenhum Deus, então eu penso que essas pessoas estão absolutamente corretas. Na ausência de Deus tudo se torna relativo. Certo e errado se tornam relativos de acordo com diferentes culturas e sociedades. Sem Deus quem dirá que os valores de uma cultura são melhores do que os de outra? Richard Taylor, que é um proeminente filósofo americano - e não é cristão -, esclarece isso enfaticamente. Observe atentamente o que ele diz:

A idéia de... obrigação moral é clara o bastante, estabelecida essa referência a algum legislador superior... mais do que à referência ao estado. Em outras palavras, nossas obrigações morais podem... ser entendidas como aquelas que são impostas por Deus... Mas e se esse legislador mais-alto-que-o-homem não for mais levado em consideração? O conceito de obrigação moral... ainda assim fará sentido?[1]

Ele diz que a resposta é "Não." Eu cito: "O conceito de obrigação moral não é inteligível à parte da idéia de Deus. As palavras permanecem, mas o sentido se foi" [2]

Ele continua e diz:

A era moderna, repudiando a idéia de legislador divino, todavia, tem tentado manter as idéias de moralmente certo e errado, sem se dar conta que ao colocar Deus de lado eles também aboliram o sentido do certo e errado. Assim, até pessoas instruídas algumas vezes declaram que certas coisas como guerra, ou aborto, ou a violação de certos direitos humanos são moralmente erradas, e pensam que disseram alguma coisa verdadeira e com sentido. As pessoas instruídas não precisam ser lembradas, entretanto, que tais questões nunca foram respondidas à parte da religião.[3]


Você percebe o que esse filósofo não-Cristão está dizendo? Se não há Deus, se não há legislador divino, então não há nenhuma lei moral. Se não há lei moral, então não há nenhum certo e errado. Certo e errado são simples convenções humanas e leis variam de sociedade em sociedade. Mesmo se todas concordarem, continuariam sendo invenções humanas.

Então se Deus não existe, certo e errado não existem também. Qualquer coisa é válida, incluindo a homossexualidade. Então, uma das melhores maneiras de defender a legitimidade do estilo de vida homossexual é se tornar ateu. Mas o problema é que muitos defensores da homossexualidade não querem se tornar ateus. Em particular, eles querem afirmar que o certo e o errado existem. Então você os ouve fazendo julgamentos morais a todo tempo, por exemplo: "É errado discriminar os homossexuais". E esses julgamentos morais não são para serem entendidos como relativos a uma cultura ou sociedade. Eles condenariam uma sociedade como a Alemanha Nazista que lançou os homossexuais em campos de concentração, junto com os judeus e outros indesejáveis. Quando o Colorado formulou uma emenda proibindo certos direitos especiais para os homossexuais, Barbara Streisand convocou um boicote ao estado dizendo, "O clima moral no Colorado se tornou inaceitável".


Mas vimos que esses tipos de julgamentos morais não têm sentido a menos que Deus exista. Se Deus não existe, tudo é válido, incluindo a discriminação e perseguição aos homossexuais. Mas não para por aí: homícidio, estupro, tortura, abuso infantil - nenhuma dessas coisas seriam erradas, pois sem Deus não existe certo e errado. Tudo é permitido.

Então se podemos fazer julgamentos morais sobre o que é certo ou errado, temos que afirmar que Deus existe. Mas, então, a mesma pergunta que nós começamos - "Quem é você para dizer que a homossexualidade é errada?" - pode ser devolvida aos ativistas homossexuais: "Quem é você para dizer que a homossexualidade é certa?" Se Deus existe, então não podemos ignorar o que Ele diz sobre o assunto. A resposta correta ao "Quem é você...?" é "Eu? Não sou ninguém! Deus determina o que é certo e errado, e eu só estou interessado em aprender e obedecer o que Ele diz."

Então deixe-me recapitular o que vimos até aqui. A questão da legitimidade do estilo de vida homossexual é uma pergunta sobre o que Deus tem a ver com isso. Se não há Deus, então não há certo e errado, e não faz diferença que estilo de vida você escolhe - o perseguidor dos homossexuais é moralmente equivalente ao defensor da homossexualidade. Mas se Deus existe, não podemos seguir nos baseando em nossas opiniões. Temos que descobrir o que Deus acha sobre o assunto.

Então como descobrir o que Deus pensa? O Cristão diz, veja na Bíblia. E a Bíblia nos diz que Deus abomina os atos homossexuais. Logo, eles estão errados.

Então, basicamente o raciocínio é o seguinte:

(1) Somos todos obrigados a fazer a vontade de Deus.

(2) A vontade de Deus é expressa na Bíblia.

(3) A Bíblia proíbe o comportamento homossexual.

(4) Logo, o comportamento homossexual é contrário à vontade de Deus, ou é errado.

Agora se alguém resistir a este raciocínio, ele deve negar ou (2) A Vontade de Deus é expressa na Bíblia ou (3) A Bíblia proíbe o comportamento homossexual.

Vamos ver o ponto (3) primeiro: A Bíblia, de fato, proíbe o comportamento homossexual? Agora, veja como eu coloco a questão. Eu não perguntei se a Bíblia proíbe a homossexualidade, mas sim se a Bíblia proíbe o comportamento homossexual? Essa é uma distinção importante. Ser homossexual é um estado ou uma orientação; uma pessoa que tem orientação homossexual pode jamais expressar essa orientação em ações. Por contraste, uma pessoa pode se envolver em atos homossexuais mesmo sendo de uma orientação heterossexual. O que a Bíblia condena são as ações e comportamento homossexual. A idéia de uma pessoa sendo homossexual por orientação é uma característica da psicologia moderna e pode ter sido desconhecida para as pessoas do mundo antigo. Eles estavam familiarizados com os atos homossexuais, e é isso que a Bíblia proíbe.

Isso tem implicações enormes. Significa que todo esse debate sobre a questão de se a homossexualidade é algo que já nasce com o individuo ou é resultado de como você foi criado, na verdade não importa no final. O que importa não é como você recebeu sua orientação, mas o que você faz com ela. Alguns defensores da homossexualidade anseiam em provar que seus genes, e não sua criação, que determinam se você é homossexual porque então o comportamento homossexual seria normal e correto. Mas essa conclusão não se segue de jeito algum. Só porque você é geneticamente pré-disposto a algum comportamento não significa que tal comportamento é moralmente correto. Para exemplificar, alguns pesquisadores suspeitam que haja um gene que predispõe algumas pessoas ao alcoolismo. Isso significa que é correto para as pessoas com tal pré-disposição ir em frente e beber e se tornar um alcoólico? Óbvio que não! Se serve para qualquer coisa, serve para alertá-lo que deve se abster do alcoól para prevenir que isso aconteça. Agora a verdade da questão é que nós não compreendemos completamente os papéis exercidos pela hereditariedade e a criação na produção da homossexualidade. Mas isso realmente não importa. Mesmo se a homossexualidade fosse completamente genética, esse fato ainda assim não seria nada distinto de um defeito de nascimento, como fissuras palatinas ou epilepsia. Não quer dizer que é normal e que não devamos tentar corrigir.

De qualquer forma, mesmo se a homossexualidade resultar da genética ou da criação, as pessoas geralmente não escolhem serem homossexuais. Muitos homossexuais testemunham o quão agonizante é se encontrar com esses desejos e lutar contra eles, e eles te dirão que nunca escolheram ser assim. E a Bíblia não condena uma pessoa por ter orientação homossexual. O que ela condena são os atos homossexuais. É perfeitamente possível ser homossexual e ainda assim ser um cristão cheio do Espírito e nascido de novo.

Assim como um alcoólico que está limpo se levanta num encontro dos AA e diz, "Eu sou alcoólico", assim também um homossexual que está vivendo sem a prática e se mantendo puro deve estar pronto para se levantar um encontro de oração e dizer, "Eu sou um homossexual. Mas pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo, eu tenho vivido separado para Cristo". E eu espero que tenhamos a coragem e amor de recebê-lo como irmão ou irmã em Cristo.


Então, mais uma vez, a pergunta é: A Bíblia proíbe o comportamento homossexual? Bem, eu já disse que sim. A Bíblia é tão realista! Você pode esperar que ela não mencione um tópico como o comportamento homossexual, mas, de fato, existem seis lugares na Bíblia - três no Antigo Testamento e três no Novo Testamento - onde essa questão é abordada diretamente - para não mencionar todas as passagens que lidam com o casamento e a sexualidade que tem implicações para essa questão. Em todas as seis passagens os atos homossexuais são inequivocamente condenados.


Em Levítico 18.22 diz que é abominação um homem se deitar com outro homem como se fosse mulher. Em Levítico 20.13 a pena de morte é prescrita em Israel para tal ato, junto com adultério, incesto e bestialidade. Agora, algumas vezes os defensores da homossexualidade interpretam essas passagens à luz de outras proibições do Antigo Testamento contra o contato com animais impuros como porcos. Assim como os Cristãos não obedecem todas as leis cerimoniais do Antigo Testamento, assim também, eles dizem, não temos que obedecer as proibições em relação aos atos homossexuais. Mas o problema com esse argumento é que o Novo Testamento reafirma a validade das proibições do Antigo Testamento sobre o comportamento homossexual, como veremos abaixo. Isso mostra que essas passagens não eram somente parte das leis cerimoniais do Antigo Testamento, que já se passaram, mas sim parte da eterna lei moral de Deus. O comportamento homossexual é um pecado sério para Deus. O terceiro lugar onde os atos homossexuais são mencionados no Antigo Testamento é na terrível história de Gênesis 19 da tentativa de abuso aos visitantes de Ló pelos homens de Sodoma, de onde se deriva a palavra sodomia. Deus destruiu Sodoma por causa da perversidade deles.

Agora, se isso não é o bastante, o Novo Testamento também proíbe o comportamento homossexual. Em 1 Coríntios 6.9-10 Paulo escreve, "Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idolatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus." A palavra traduzida como "sodomita" se refere, na literatura Grega, ao intercurso sexual passivo ou ativo entre homens. (Como eu disse, a Bíblia é muito realista!). Essa palavra também é citada em 1 Timóteo 1.10 junto com fornicadores, ladrões, mentirosos e assassinos como "contrário à sã doutrina". O mais longo tratamento da atividade homossexual está em Romanos 1.24-28. Aqui Paulo fala sobre como as pessoas se desviaram do Deus Criador e passaram a adorar falsos deuses criados por si mesmos.

Ele diz,

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.


Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.


Acadêmicos liberais tem feito acrobacias para tentar dar outra explicação que não o sentido claro expresso nesses versículos. Alguns disseram que Paulo só está condenando a prática pagã do abuso de menores pelos homens. Mas tal interpretação é obviamente errada, visto que Paulo diz nos versos 24 e 27 que esses atos homossexuais são cometidos "homens com homens" e no verso 26 ele fala de atos de lesbianismo também. Outros acadêmicos têm dito que Paulo só está condenando os heterossexuais que se envolvem em atos homossexuais, mas não os homossexuais que o fazem. Mas essa interpretação é inventada e anacrônica. Já dissemos que foi apenas nos tempos modernos que a idéia de homossexual com orientação heterossexual se desenvolveu. O que Paulo está condenando são os atos homossexuais, não importando a orientação. Dado o contexto dessa passagem do Antigo Testamento e do que diz Paulo em 1 Coríntios 6.9-10 e 1 Timóteo 1.10, é claro que Paulo está proibindo tais atos. Ele vê esse comportamento como evidência de uma mente corrompida que se afastou de Deus e foi entregue por Ele à degeneração moral.

Então a Bíblia é muito clara no que diz respeito ao comportamento homossexual. É contrário ao plano de Deus e é pecado. Mesmo se não existissem todas essas passagens explicitas que lidam com os atos homossexuais, tais atos ainda seriam proibidos sob o mandamento "Não adulterarás". O plano de Deus para a atividade sexual humana é reservado para o casamento: qualquer atividade sexual fora da segurança dos laços matrimoniais - seja sexo pré-matrimonial ou extraconjugal, homo ou heterossexual - é proibida. O sexo foi desenhado por Deus para o casamento.


Alguém pode dizer que Deus fez o sexo para o casamento, então vamos permitir que os homossexuais se casem para que não estejam cometendo adultério! Mas essa sugestão é uma interpretação completamente errada da intenção de Deus para o casamento. Na história da criação em Gênesis, nos é dito como Deus fez a mulher como uma auxiliadora ideal ao homem, o complemento perfeito dado por Deus. Então é dito, "Por essa razão, deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se ambos uma só carne". Esse é o padrão de Deus para o casamento, e no Novo Testamento Paulo cita essa passagem e então diz, "Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja" (Ef. 5.32). Paulo diz que a união entre o homem e sua mulher é um símbolo vivo da unidade entre Cristo e seu povo, a Igreja. Quando pensamos nisso, podemos ver que terrível sacrilégio, que desprezo pelo plano de Deus, é a união homossexual. Isso ataca a intenção de Deus para a humanidade no momento da criação.

O que foi dito acima também demonstra o quão bobo é quando algum defensor da homossexualidade diz, "Jesus nunca condenou o comportamento homossexual, então por que deveríamos condenar?" Jesus não mencionou especificamente muitas coisas que sabemos que são erradas, tais como bestialidade ou tortura, mas isso não significa que ele as aprovou. O que Jesus faz é citar Gênesis para afirmar o padrão de Deus para o casamento como base de seu próprio ensinamento sobre o divórcio. Em Marcos 10.6-8, Ele diz, "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne." Dois homens se tornando uma só carne no intercurso homossexual seria uma violação da ordem e intenção de Deus. Ele criou homem e mulher para seria indissoluvelmente unidos no casamento, não dois homens ou duas mulheres.

Para recapitular, então, a Bíblia clara e consistentemente proíbe a atividade homossexual. Então se a vontade de Deus é expressa na Bíblia, daí se segue que o comportamento homossexual é contrário à vontade de Deus.

Mas suponha que alguém negue o ponto (2) que a vontade de Deus é expressa na Bíblia. Suponha que ele diga que as proibições contra o comportamento homossexual eram válidas para aquele tempo e aquela cultura, mas não são mais válidas hoje. Afinal, a maioria de nós provavelmente concordaria que certos mandamentos na Bíblia são relativos à cultura. Por exemplo, a Bíblia diz que as mulheres cristãs não deveriam usar jóias e os homens não deveriam ter cabelos compridos. Mas a maioria de nós diria que apesar desses mandamentos terem uma essência atemporal - por exemplo, a regra de se vestir modestamente - esse príncipio pode ser expresso diferentemente em diferentes culturas. Da mesma forma, algumas pessoas estão dizendo que as proibições da Bíblia contra o comportamento homossexual não são mais válidas para nossos dias e Era.

Mas eu penso que essa objeção representa um sério erro de interpretação. Não há evidência de que o mandamento de Paulo em relação aos atos homossexuais sejam culturalmente relativos. Longe de ser um reflexo da cultura no qual ele escreveu, os mandamentos de Paulo eram totalmente contra-culturais! A atividade homossexual era difundida na Grécia antiga e na sociedade Romana como é hoje nos Estados Unidos, e ainda assim Paulo se posicionou contra a cultura e se opôs a ela. Mais importante, temos visto que as proibições da Bíblia contra a atividade homossexual estão enraizadas, não na cultura, mas no padrão estabelecido por Deus para o casamento logo na criação. Você não pode negar que a proibição da Bíblia sobre as relações homossexuais expressam a vontade de Deus a menos que rejeite também que o próprio casamento represente a vontade de Deus.

Bem, suponha que alguém diga, "Eu acredito em Deus, mas não no Deus da Bíblia. Por isso eu não acredito que a Bíblia expressa a vontade de Deus." O que você diria a essa pessoa?


Parece-me que existem duas formas de responder. Primeiro, você poderia tentar mostrar para ela que Deus se revelou na Bíblia. Essa é a tarefa da apologética cristã. Você pode falar sobre as evidências para a ressurreição de Jesus ou profecias cumpridas. As Escrituras nos ordenam a ter tal defesa pronta para compartilhar com qualquer um que nos perguntar por que acreditamos no que acreditamos (1Pe 3.15).

Ou segundo, você pode tentar mostrar que o comportamento homossexual é errado apelando para verdades morais aceitas pela maioria que mesmo pessoas que não crêem na Bíblia aceitam. Enquanto essa abordagem é mais difícil, todavia, eu acredito ser crucial se nós Cristãos quisermos impactar nossa cultura contemporânea. Vivemos em uma sociedade que é cada vez mais secular, cada vez mais pós-Cristã. Não podemos apenas apelar para a Bíblia se quisermos influenciar os legisladores ou as escolas públicas ou outras instituições já que a maioria das pessoas não acredita mais na Bíblia. Devemos apresentar razões que tenham um apelo maior.

Por exemplo, eu acho que muitas pessoas concordariam com o principio de que é errado se envolver em comportamento auto-destrutivo. Pois tal comportamento destrói o ser humano que é inerentemente valioso. Assim, muitas pessoas, eu acho, diriam que é errado se tornar alcoólico ou fumante viciado. Elas diriam que é bom comer bem e se exercitar. Além do mais, eu acho que quase todo mundo concordaria com o príncipio de que é errado se envolver em comportamento que prejudique uma outra pessoa. Por exemplo, nós restringimos os fumantes a certas áreas para que outras pessoas não inalem fumaça passivamente, e formulamos leis contra a embriaguês na direção para que pessoas inocentes não se machuquem. Quase todo mundo concorda que você não tem direito de se envolver em comportamento que seja destrutivo a outro ser humano.

Mas não é difícil demonstrar que o comportamento homossexual é um dos comportamentos mais auto-destrutivos e prejudiciais que uma pessoa pode se envolver. O fato não é publicamente divulgado. Hollywood e a mídia inflexivelmente tendem a colocar um ar de alegria sobre a homossexualidade, enquanto na verdade é um estilo de vida depressivo, perturbador e perigoso, tão viciante e destrutivo quando o alcoolismo ou o fumo. Mas as estatísticas que eu vou compartilhar com você estão bem documentadas pelo Dr. Thomas Schmidt no seu memorável livro Straight and Narrow?[4]

Para começar, existe uma quase compulsiva promiscuidade associada com o comportamento homossexual. 75% dos homens homossexuais têm mais de 100 parceiros durante toda a vida. Mais da metade desses parceiros são estranhos. Apenas 8% dos homens homossexuais e 7% das mulheres homossexuais têm relacionamentos que duram mais de três anos. Ninguém sabe a razão dessa promiscuidade estranha e obsessiva. Pode ser que os homossexuais estão tentando satisfazer uma profunda necessidade psicológica através das relações sexuais, necessidade que nunca é satisfeita. Homens homossexuais têm em média 20 parceiros por ano. De acordo com o Dr. Schmidt,

"O número de homens homossexuais que experimenta algo como fidelidade vitalícia se torna, falando estatisticamente, quase sem sentido. A promiscuidade entre homens homossexuais não é um simples estereótipo, e não é simplesmente a experiência maioritária - é praticamente a única experiência. Fidelidade vitalícia é quase não-existente na experiência homossexual."

Aliada à promiscuidade compulsiva o uso de drogas é difundido entre os homossexuais para aprofundar suas experiências sexuais. Os homossexuais de um modo geral são três vezes mais propensos a terem problemas com bebidas do que a população média. Estudos revelam que 47% dos homens homossexuais têm um histórico de abuso de alcoól e 51% têm um histórico de abuso de drogas. Há uma correlação direta entre o número de parceiros e o nível de drogas consumidas.

Além do mais, de acordo com Schmidt, "Existem enormes evidências de que algumas desordens mentais ocorrem com muito mais frequência entre homossexuais." Por exemplo, 40% dos homens homossexuais tem um histórico de depressão profunda. Os homens de um modo geral apresentam um histórico de depressão de apenas 3%. De forma similar, 37% das mulheres homossexuais têm um histórico de depressão. Isso leva a um alto índice de suícidio. Os homossexuais são três vezes mais propensos a tentativas de suícidio do que a população média. De fato, homens homossexuais tem um índice de tentativa de suícidio seis vezes maior do que dos homens heterossexuais, e as mulheres homossexuais tentam se suicidar duas vezes mais do que mulheres heterossexuais. Nem a depressão nem o suícidio são os únicos problemas. Os estudos revelam que os homossexuais são mais propensos à prática de pedofilia do que os homens heterossexuais. Qualquer que seja a causa dessas desordens, o fato é que qualquer um que considere a possibilidade de se envolver num estilo de vida homossexual não pode se iludir sobre onde ele está entrando.

Outro segredo bem guardado é quão fisicamente perigoso o comportamento homossexual é. Não vou descrever o tipo de atividade sexual praticada pelos homossexuais, mas deixe-me dizer que nossos corpos, macho e fêmea, foram desenhados para o intercurso sexual de uma forma que os corpos de dois homens não foram. Como resultado, a atividade homossexual, 80% é de homens, é muito destrutiva, resultando em problemas como danos à prostáta, úlceras e rupturas, incontinência crônica e diarréia.

Além desses problemas físicos, as doenças sexualmente transmissiveís são muito disseminadas entre a população homossexual. 75% dos homens homossexuais têm uma ou mais doenças sexualmente transmissíveis, não incluindo a AIDS. Isso inclui todo o tipo de infecções não-virais como gonorréia, sífilis, infecções bacterianas e parasitas. Também é comum entre os homossexuais doenças virais como herpes e hepatite B (que afeta 65% dos homens homossexuais), ambas sendo incuráveis, bem como a hepatite A e verrugas anais, que afetam 40% dos homens homossexuais. E eu sequer incluí a AIDS. Talvez a mais chocante e terrível estatística é que, deixando de lado aqueles que morrem devido a AIDS, a expectativa de vida do homem homossexual é de 45 anos aproximadamente. E a do homem comum é de 70 anos.Se você incluir aqueles quem morrem de AIDS, que agora afeta 30% dos homens homossexuais, a expectativa de vida cai para 39 anos de idade.


Então eu acredito que se pode fazer uma boa defesa de que o comportamento homossexual é errado apenas baseando-se em príncipios morais aceitos geralmente. Assim, totalmente à parte da proibição Bíblica, existem boas razões para considerar a atividade homossexual como errada.

Isso tem importantes implicações para a política pública em relação ao comportamento homossexual. Pois políticas e leis públicas são baseadas em príncipios morais aceitos por todos. É por causa disso, por exemplo, que temos leis que regulam a venda de bebidas alcoólicas de várias formas ou leis proibindo o jogo ou restringindo o fumo. Essas restrições sobre a liberdade individual são impostas para o bem comum. Da mesma forma, alguns estados, como nosso estado da Geórgia, têm leis proibindo a sodomia, e a Suprema Corte afirmou que tais leis são constitucionais. Embora essas leis não sejam obrigatórias, elas são legais à luz do risco apresentado por tal comportamento.


Agora em outros casos, leis obrigatóricas em relação à homossexualidade podem ser propostas, e os Cristãos tem que pensar bem sobre isso em relação aos individuos. Por exemplo, um Cristão pode não ver nenhuma razão para que não seja dada oportunidade igual de compra e aluguel de imóveis para pessoas que são homossexuais. Mas eu posso imaginar que um Cristão pode apresentar um projeto de lei contra as oportunidades de trabalho iguais para homossexuais. Pois alguns empregos podem ser inapropriados para tais pessoas. Por exemplo, você gostaria que uma lésbica praticante fosse a professora de educação física da sua filha na escola? Você gostaria de que o técnico do seu filho fosse um homossexual que entrasse no vestiário junto com os garotos? Eu não apoiaria uma lei que forçasse as escolas públicas a contratar essas pessoas.

Ou novamante, as aulas de saúde das escolas públicas deveriam ensinar que a homossexualidade é um estilo de vida legítimo, ou será que os estudantes deveriam ler Heather has Two Mommies (Heather tem duas mamães)? As uniões homossexuais devem ser reconhecidas como sendo tão legais quanto os casamentos homossexuais? Deveria se permitir que os homossexuais adotassem crianças? Em todos esses casos, se pode argumentar a favor de restrições às liberdades homossexuais se baseando no bem público e na saúde pública geral. Não é uma questão de impor os valores pessoais de alguém sobre outro alguém, visto que isso se baseia nos mesmos príncipios morais que são usados, por exemplo, para banir o uso de drogas ou restringir o uso de armas. A liberdade não significa licença para se envolver em ações que possam prejudicar os outros.

Recapitulando, vimos que, primeiro, o certo e errado existem porque se baseiam em Deus. Então se quisermos saber o que é certo ou errado, devemos ver o que Deus diz sobre isso. Segundo, vimos que a Bíblia consistentemente e claramente proíbe os atos homossexuais, assim como proíbe todo o ato sexual fora do matrimônio. Terceiro, vimos que as proibições Bíblicas em relação a tais comportamentos não podem ser explicadas à luz do contexto cultural nas quais fram escritas porque tais proibições estão pautadas no plano divino para o casamento homem-mulher. Além do mais, mesmo à parte da Bíblia, existem príncipios morais geralmente aceitos que implicam que o comportamento homossexual é errado.

Agora, que aplicações práticas isso tem para todos nós como individuos?

Primeiro, se você é um homossexual ou tenha essa inclinação, se mantenha puro. Se você não é casado, deve praticar abstinência de toda atividade sexual. Eu sei que isso é difícil, mas o que Deus está pedindo que você faça é simplesmente o mesmo que ele requer de todas as pessoas solteiras. Isso significa não só manter seu corpo puro, mas especialmente sua mente. Assim como o homem heterossexual deve evitar a pornografia e a imaginação, você, também, precisa manter sua vida e pensamento limpos. Resista à tentação de racionalizar o pecado dizendo, "Deus me fez assim." Deus deixou muito claro que ele não quer que você ceda aos seus pecados, mas sim que você O honre mantendo o corpo e a mente puros. Finalmente, procure aconselhamento profissional Cristão. Com tempo e esforço, você pode vir a usufruir de relações normais e heterossexuais com sua esposa. Há esperança.

Segundo, para aqueles que são heterossexuais, precisamos nos lembrar que ser homossexual não é nenhum pecado. A maioria dos homossexuais não escolheu tal orientação e gostaria de mudar se pudesse. Precisamos aceitar e apoiar carinhosamente irmãos e irmãs que lutam com esse problema. E, em geral, precisamos estender o amor de Deus a essas pessoas. Palavras vulgares e piadas sobre homossexuais jamais devem passar pelos lábios de um Cristão. Se você se encontrar tendo prazer quando alguma aflição cai sobre um homossexual ou se tem sentimentos de ódio aos homossexuais, então você precisa refletir bastante e com afinco nas palavras de Jesus relatadas em Mateus: "Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para Sodoma e Gomorra do que para você." (Mt. 10.15; 11.42).


Notas

1 Richard Taylor, Ethics, Faith, and Reason (Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-Hall, 1985), pp. 83-4.

2 Ibid.

3 Ibid., pp. 2-3.

4 Thomas Schmidt, Straight and Narrow? (Downer’s Gove, Ill.: Inter-Varsity Press, 1995).

Sorteio do Livro "Questões Últimas da Vida"


Graças à contribuição do nosso leitor Osmar Neves temos mais um excelente livro - dessa vez em português! - para sortear entre nossos leitores! Depois do sucesso do sorteio do livro God, Freedom & Evil do Alvin Plantinga, agora, junto com o blog Apologia, sortearemos "Questões Últimas da Vida" do grande filósofo e apologista cristão Ronald Nash. Essa é a nossa maneira de promover ainda mais a cosmovisão cristã. Certamente é uma excelente introdução à filosofia que será muito útil aos futuros filósofos e apologistas cristãos. Seguem as informações do livro:

Uma introdução à filosofia


Questões Últimas da Vida é uma obra exclusiva entre todas as introduções à Filosofia. Ela proporciona aos estudiosos uma perspectiva de fôlego e profundidade antes não disponíveis em obra dessa natureza.


“Por muitos anos, tive dificuldade para encontrar um livro-texto satisfatório para meus cursos de Introdução à Filosofia. Todos os livros que examinei e muitos dos que usei pareciam ter sido escritos não para estudantes, mas para um grupo relativamente pequeno de filósofos. Agora que está completo, este é o tipo de texto que gostaria de ter tido às mãos quando comecei a ensinar.


Este livro apresenta uma síntese de três abordagens diferentes: a primeira seção (Capítulo 1) lida com problemas e questões filosóficas importantes; a segunda (parte 1) trata de seis sistemas principais na história da filosofia, e a terceira (parte 2) relaciona o conteúdo tratado nas duas primeiras ao pensamento de cosmovisão. A diferença entre este e outros textos para iniciantes é a ênfase dada à noção de cosmovisão.”


Ronald Nash, do Prefácio

Parte 1, Seis Sistemas Conceituais, explora as seguintes filosofias:

- Naturalismo
- Platão
- Aristóteles
- Plotino
- Agostinho
- Tomás de Aquino

Parte 2, Questões Filosóficas Importantes, lança luz sobre:

- A Lei da Não-Contradição
- Mundos Possíveis
- Epistemologia I: O que aconteceu com a verdade?
- Epistemologia II: Dois sistemas Epistemológicos
- Epistemologia III: Epistemologia Reformada
- Deus I: A Existência de Deus
- Deus II: A Natureza de Deus
- Metafísica: Algumas Questões Sobre Indeterminismo
- Ética I
- Ética II
- Natureza Humana: O Problema Mente-Corpo e Sobrevivência Após a Morte

Ronald Nash, grande filósofo e apologeta, faleceu a 10 de março de 2008. Foi por longo tempo professor na Western Kentucky University, no Reformed Theological Seminary e, até 2005, no Southern Baptist Theological Seminary. Nash foi herdeiro da tradição teológica de Carl F. H. Henry e um admirador e estudioso de Agostinho, seu pensador favorito.

SORTEIO JÁ REALIZADO!



 
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