quarta-feira, 11 de julho de 2007

Humanidade: A Raiz de Todo o Mal

Uma crítica ao pensamento de Richard Dawkins

Introdução

Há tempos eu ansiava por ler The God Delusion e assistir ao documentário The Root of All Evil do renomado biólogo-evolucionista-ateu Richard Dawkins. Parte do meu anseio foi realizado, assisti à primeira parte do documentário intitulada The God Delusion, mesmo titulo do livro. Eu gosto de ter a fé desafiada e confrontada, gosto de ouvir opiniões contrárias, gosto de quebrar a cabeça e ser obrigado a aprofundar as raízes da minha fé, portanto, ninguém melhor pra isso do que o ateu mais feroz da atualidade – o temido Richard Dawkins – bom, pelo menos era o que eu imaginava. Assistir ao documentário me deixou frustrado – Ta ai o ateu mais brilhante da atualidade! E ai?... – pois é, e ai nada! Se Richard Dawkins e seus argumentos consistem na maior arma dos ateus contra os religiosos, presumo que essa arma não passe de uma pistola de chumbinho – cano duplo para ser mais cortês. Dawkins entope seu documentário de falácias, opiniões próprias e um “leve” toque de arrogância. As criticas mais embasadas se resumem às referentes à conduta dos religiosos e não à religião em si. O argumento principal é que a religião é a “raiz de todo mal”. Terrorismo, homens-bomba, atentados etc etc etc... Como cristão me sinto à vontade para desprezar tal argumento, pois, ao contrário do Islamismo, o cristianismo não apóia à guerra santa – amai os vossos inimigos – se em alguma época cristãos “guerrearam de forma santa” foi por vontade própria, e não embasados na religião.


Um “pequeno” detalhe que não podemos deixar de destacar é os “bons” frutos do ateísmo no século XX. Um ditador alemão de bigode influenciado por outro alemão de bigode (bigode um pouco maior), um filósofo que costumava dizer “Deus está morto” e que teve suas obras presenteadas às tropas do ditador alemão – 16.000.000 de mortos. Um outro ditador, russo e também de bigode que impôs seu ateísmo à URSS, matou 40.000 sacerdotes e fechou todas as catedrais transformando-as em museus do ateísmo – 3.000.000 de mortos segundo a URSS. 9.000.000, 20.000.000 ou até 60.000.000 segundo alguns outros historiadores russos, e como se não bastasse as mortes, em virtude de doenças, alcoolismo e das dificuldades econômicas, os homens russos, hoje em dia, têm uma esperança de vida de 59 anos de idade. A taxa de nascimentos caiu de forma tão acentuada que a população russa pode vir a encolher até o nível populacional de 1917. Setenta por cento dos casamentos russos terminam em divórcio, e uma mulher russa comum já fez quatro abortos (Yancey, Rumores de outro mundo, p.160). E na tentativa de liquidar o cristianismo da China – 70.000.000 de mortos. Saldo total: hummm....20...40...70...100... até 146.000.000 mortos! Para se ter uma ideia, na inquisição foram mortos 40.000 pessoas. E vale a pena lembrar que na inquisição os perseguidos eram os verdadeiros cristãos que lutavam contra a corrupção da Igreja dominada pelos pagãos que compravam cargos de autoridade na Igreja. A raiz de todo mal não é a religião, os homens só a usaram para dar vazão a sua própria natureza, que como a Bíblia nos ensina, é decaída e depravada. A prova disso é que quando Deus saiu de cena, a coisa não melhorou, mas piorou. É claro que existem ateus de caráter de fazer inveja a muitos crentes, mas a grande diferença do ateísmo para o cristianismo é que quando o cristão age de forma errada ele vai contra o que professa, já o ateu não erra jamais, pois para ele não há lei a ser infringida – Se Deus não existe tudo é permitido disse Dostoievski – se ele decide matar, ele pode, pois não tem fundamento moral para se basear. E porque não lembrar que as maiores Universidades do mundo – incluindo a de Dawkins, Oxford – foram fundadas por... cristãos? E será que Dawkins se esqueceu de Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa e a Cruz Vermelha? E Francis Bacon, Newton, Pasteur dentre outros cristãos que por insistirem que Deus era um ser racional e criador de criaturas racionais abriram o caminho para a ciência que Dawkins hoje estuda? Todos eles agiram de tal forma impulsionados pela religião, já o ateísmo não tem poder de impulsionar ninguém a nada. Julgar o Cristianismo pelo lado ruim é como julgar os apóstolos por Judas Iscariotes.


Parte I – The God Delusion


As afirmações do documentário seguem sem muita ponderação – é porque é – como quando Dawkins afirma simplesmente que não há razão para acreditar em Deus sem sequer pesar e ponderar qualquer argumento contrário. Ele chega a afirmar que a religião desencoraja o pensamento racional e estimula a manter nossa fé apesar das evidências contrárias, nos tornando mais virtuosos com isso. Não posso negar que de fato lideres cristãos ajam de tal forma e muitos cristãos não pensem de forma crítica e racional, porém, não estamos falando dos religiosos, mas da religião em si, como eu já disse. Mas o cristianismo não apóia tal pensamento, Deus nos convida a arrazoar (Is 1.18), a amá-lo de todo entendimento (Mt 22.37), a dar respostas àqueles que pedem (1Pe 3.15), e nos compadecer dos que duvidam (Jd 22). A definição de fé de Dawkins é absurda – fé é a suspensão do pensamento critico – e, portanto contrária à ciência. Como já demonstrei, não é assim que o Deus cristão age, e a verdadeira fé cristã é crer naquilo que você tem motivos racionais para crer, é claro que haverá sempre espaço para dúvida e é ai que entra a fé, da mesma forma o ateísmo também exige fé, pois também não nos dá total certeza, cabe a nós pesarmos as evidências prós e contras e nos decidirmos entre crer ou não crer, de qualquer forma, se eu crer e estiver errado eu morrerei e pronto, agora se eu não crer e estiver errado passarei a eternidade em um ambiente não muito aprazível.


Dawkins defende a ideia de que, ao contrário da religião, a ciência consiste no acumulo de evidências usadas para atualizar teorias de como as coisas funcionam e ele nos conta a história de um antigo professor de seus tempos de universitário que defendeu apaixonadamente uma certa teoria durante anos, até que um cientista americano veio à sua Universidade e mostrou que a teoria tão apaixonadamente defendida pelo professor estava errada. O professor o agradeceu por ter mostrado que ele estava errado esse tempo todo e ter colaborado com o avanço da verdade cientifica. Bom... verdade cientifica? Como pode uma verdade avançar e ser atualizada? Ou uma verdade é verdade, ou não é verdade, simples assim. O problema é que a ciência é baseada na interpretação humana, propensa à falhas, o que é verdade hoje amanhã não é e vice-versa. Já a teologia parte de uma Verdade revelada, e toda descoberta serve para nos aproximar dessa Verdade, quando uma descoberta contraria a Verdade, não deixamos simplesmente de acreditar nela, mas questionamos tal descoberta ou nossa interpretação da Verdade. Por exemplo, a Bíblia descreve diversas vezes o império hitita, mas até 1906 não havia nenhuma evidência para tal império, a evidência era “jamais existiu tal império”, até que Hugo Winkler em 1906 descobriu uma biblioteca com 10.000 titulos que documentava ostensivamente os hititas. Resultado: a evidência antiga estava errada, quem estava com a Verdade acertou, quem duvidava teve que dar o braço a torcer. Um exemplo de re-interpretação da Verdade é a teoria da evolução que nos abriu os olhos para a não literalidade de Gênesis que a própria Bíblia evidencia e Sto.Agostinho já dizia há 1700 anos. (Leia meu texto Evidências para a criação em seis dias não-literais). Nós seres-humanos somos propensos à falhas, Deus não, portanto é mais sábio permanecer com a Verdade revelada, e mais lógico acreditarmos que quando a descoberta humana contrária a Verdade revelada, o problema está com a primeira.


Um argumento, talvez mais complexo, é a pergunta que Dawkins deixa àqueles que dizem ser necessário um Deus para que todo o Universo tenha sido criado, que é “Quem criou Deus?”. Ora, já que os crentes dizem que o mundo precisa de um Criador, então o próprio criador também precisa de um criador, parece muito lógico, mas não é tanto assim. Deus é a causa primeira de toda criação, portanto é ilógico perguntarmos "quem criou Deus?" pois isso nos leva a um circulo infinito – Quem criou o criador de Deus? Quem criou o criador do criador...?. O argumento consiste no fato de que há poucas décadas atrás, os cientistas acreditavam que o Universo sempre existiu e nunca teve um inicio, portanto não precisavam se preocupar com o que veio antes – ele sempre existiu e pronto. Mas a questão é que hoje a teoria do Big Bang é provada, o Universo surgiu do nada e teve inicio em algum ponto distante do passado! O que nos leva a pergunta "Quem criou o Universo?", já que tudo que tem inicio tem que ter uma causa, diferente de Deus que sempre existiu e é a causa primeira de tudo. E dada à complexidade do Universo e sua aparência de ter sido planejado, deduzimos que algo ou alguém o arquitetou de forma inteligente. Norman Ramsey, Nobel de física em 1989 disse, “Bem, quando acreditávamos que o universo não teve inicio, não era necessário nos preocuparmos com o que veio antes. Mas uma vez que nós aceitamos a ideia de que o universo teve um inicio em um ponto especifico do passado, temos que pensar no que veio antes. Então, físicos agora estão pensando sobre questões que somente teólogos e filósofos se preocupavam no passado.”


Para finalizar, Dawkins ainda cita absurda parábola de Bertrand Russel, do bule que circula em torno do sol. Se disserem que há um bule orbitando em torno do sol, a maioria das pessoas não vai acreditar. Assim como não há como provar que o bule não esteja lá, a ciência não pode provar a não-existência de Deus, nem das fadas ou unicórnios. Mais uma vez, a arrogância de Dawkins se faz presente, fazendo uma afirmação falaciosa sem consultar uma opinião contrária. Nenhuma civilização divide sua história entre antes e depois do bule, nenhum bule deixou um livro escrito por 40 autores durante 1500 anos que tratam do mesmo assunto, além do mais, bules não tem inteligência, portanto o exemplo de Dawkins, ao comparar um objeto inanimado com um ser vivo inteligente, é por demais idiota e arrogante.


Parte II – The Vírus of Faith


No segundo episodio do documentário o nível da argumentação melhora consideravelmente, mas ainda deixa a desejar, no inicio o foco continua a ser a conduta dos religiosos e não a religião em si. Dawkins insiste em humilhar e diminuir os líderes religiosos com os quais conversa. Seleção natural? Sobrevivência do mais forte? Dawkins parece levar as premissas evolucionistas ao pé da letra. Não é de surpreender tamanha arrogância, pois conhecimento humano ensoberbece. Dawkins reclama daqueles que tentam impor sua cosmovisão aos outros, como pais que criam seus filhos na religião e em colégios religiosos. Mas o que Dawkins está fazendo nesse documentário senão impondo sua cosmovisão a todos? O que esses pais religiosos fazem não se compara a atitude arrogante de Dawkins que se julga dono da verdade e superior a todos que o contrariam.


Dawkins diz ser profundamente perturbador pensar que existem crentes que usam a ideia do inferno como meio de policiar a conduta moral do povo. Que tipo de sonhos uma criança terá quando atormentada pela ideia do inferno? Não seria crueldade? Bom, partindo da premissa de que Deus não existe, Dawkins está certo. Mas, se Deus existe, Dawkins está terrivelmente enganado, nesse caso, a crueldade seria não alertar as pessoas da realidade do inferno. Dawkins esquece que foi exatamente essa imagem terrível do inferno usada por Jonathan Edwards e outros evangelistas para revolucionar e salvar sua Inglaterra do estado caótico que se encontrava no século XVIII. Essa estratégia, não é tão ruim quanto parece, mas muito pelo contrário.


Finalmente, Dawkins começa a atacar a religião em si. Criticando a moral cristã com base no Antigo Testamento e algumas passagens que descrevem crueldades indignas de um Deus “todo-amoroso”. O que Dawkins esquece é o Antigo Testamento descreve a realidade assim como ela é, cruel e atroz, a mesma realidade que lemos nas páginas dos jornais de hoje em dia. O Antigo Testamento não é um livro que trata de ficção, como Dawkins gosta de afirmar, mas sim um livro terrivelmente real. Mas da mesma forma que Deus não aprova as crueldades que ocorrem hoje no mundo, nem tudo que a Bíblia cita, Deus aprova. É necessário distinguir entre o que a Bíblia relata e o que ela aprova. O livro de Juizes descreve uma mulher que foi morta, dividida em 12 pedaços e cada um enviado a uma das tribos de Israel. Cruel? Sim. A Bíblia aprova? Não. Um homem oferece sua própria filha para preservar a vida de um hóspede alvo dos desejos de seus vizinhos. Cruel? Sim. A Bíblia aprova? Não! Mas, é claro, esse principio não se aplica a toda a passagem cruel da Bíblia, existem passagens em que Deus manda matar povos inteiros incluindo mulheres e crianças. Cruel? À primeira vista sim. Mas a verdade é que Deus mata a todos – incluído eu e você – mais cedo ou mais tarde. Ele é o Autor da Vida, e, portanto, Aquele que detêm os direitos de tirá-la. Muito pode ser dito sobre a suposta crueldade divina do Antigo Testamento, mas eu concluo com uma citação cujo autor não me recordo: “Só considera que a morte é o maior dos males, quem é materialista e acredita que só existe esta vida física, que seria o bem supremo."


Em seguida, a critica de Dawkins é contra o centro da teologia neotestamentária, a sadomasoquista doutrina da expiação. Deus sendo torturado e executado como expiação pelos nossos pecados. “Se Deus queria perdoar nossos pecados,” diz Dawkins, “porque não simplesmente perdoa-los? A quem Deus quer impressionar?”. Isso mostra que Dawkins sequer se deu ao trabalho de pensar a respeito da doutrina da expiação. Deus não é só misericórdia, mas também justiça. Um juiz, por mais misericordioso que seja, não pode simplesmente perdoar um criminoso sem que o preço pelo seu crime seja pago, pois isso não seria justiça de forma alguma. É simples assim, e creio que não há necessidades de explicações mais aprofundadas. A doutrina é clara para qualquer pessoa destituída da arrogância “Dawkinsiana”. Se a doutrina é tão absurda para Dawkins, ele terá a escolha de recusá-la e pagar pelo seu crime, todo ser humano pode fazer essa escolha, o preço? A própria alma.


Conclusão

Esse documentário serviu para mostrar que o ateísmo de Dawkins, assim como de boa parte dos ateus, não tem raízes racionais. O orgulho e a arrogância são os verdadeiros motivos que mantêm pessoas como Dawkins afastadas de Deus. Pessoas arrogantes não lidam bem com autoridades, não é diferente com a Autoridade Última. Essa é a verdadeira razão que leva uma pessoa a dedicar a vida a provar a não-existência de Deus. O ateísmo junto com a infantil tendência à provocação, peculiar nos escritos de Dawkins e outros ateus contemporâneos, e o ar de heroísmo desses homens, me faz lembrar do que Freud chamou de projeçãp. Nós temos a tendência de projetar a imagem que temos dos nossos pais na infância, para as autoridades na fase adulta, inclusive a Autoridade Última, é só uma hipótese, mas sinceramente gostaria de poder perguntar a eles sobre seus pais. O ateísmo tem muito mais razões psicológicas do que intelectuais, melhor dizendo, psicológicas travestidas de intelectuais. Seja a arrogância, experiências traumáticas, ou conflitos com os pais.


Lembro que quando eu estava dando meus primeiros passos na fé cristã eu tremia perante qualquer ateu ou argumento que pudesse derrubar a minha fé, com minha mentalidade racional ao extremo e critico do jeito que sou, passei por períodos de intensas dúvidas e cheguei a pensar em abandonar a fé por tudo não passar de uma grande mentira. Hoje, minha fé foi aprofundada e enraizada. Toda dúvida só serviu para tornar minha fé ainda mais inabalável. Por isso eu encaro esses ataques à religião, que estão muito populares hoje em dia, não só com Dawkins, mas também Michael Onfray, Sam Harris e Daniel C. Dennett, como positivos a fé cristã. É importante lembrarmos que foram nos períodos de mais intensa perseguição que a Igreja mais cresceu, creio que todos esses ataques intelectuais serão responsáveis para limpar o cristianismo de crenças supersticiosas, aniquilar as religiões falsas, aprimorar a conduta dos cristãos e aprofundar nossa fé. Amém.

Vitor Pereira 05.07.2007

domingo, 8 de julho de 2007

Os Dois Tipos de Religiosos

"Para entendermos melhor o que aconteceu, talvez fosse útil apelar para a classificação de fé religiosa elaborada por Gordon W. Allport. Ele usava duas categorias: religiosidade extrínseca e intrínseca. Pessoas de religiosidade extrínseca são aquelas cujas expressões de fé são motivadas por uma necessidade de obter status ou de serem aceitas pelos outros. Usualmente a fé de uma criança, motivada pela necessidade de agradar aos pais, recai nessa categoria. Pessoas intrinsecamente religiosas são aquelas que internalizam a sua fé de modo que ela se torna a influência motivadora primária das suas vidas. Muitos integrantes desse grupo relatam experiências vividas em determinado momento das suas vidas em que abraçaram a fé; alguns se referem a essa experiência como uma espécie de renascimento. A pesquisa médica moderna mostrou que a religiosidade extrínseca pode ter um efeito negativo sobre a saúde física e emocional, enquanto a fé intrínseca muitas vezes tem resultados positivos cientificamente demonstráveis."
Deus em Questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida. pg 62.
Armand Nicholi

Eu li "Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade" - Sigmund Freud...

...e gostei!

Uma das principais obras de Sigmund Freud, essencial a todos aqueles que tenham interesse pela psicanálise ou pela vida e obra de Freud. Apesar de muito bom, é um livro bem "chato" de ler, portanto talvez não interesse ao leigo. Freud mostra a influência da vida sexual da infância na formação do individuo.

" É a mais polêmica contribuição de Freud a respeito da sexualidade. Ele estabelece aqui originais estudos sobre os temas das aberrações sexuais, sexualidade infantil e adolescência. Seu principal guia é o conceito de Pulsão Sexual, que começa a ser descrito justamente nesse texto."

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Sexo, Repressão e Supressão

"Lewis destacava, com perspicácia, que precisamos entender o que Freud quer dizer quando se refere ao excesso de repressão, como gerador de sintomas neuróticos. Não devemos, escreve Lewis, confundir o termo "repressão" com "supressão" - como tantos em nossa cultura tendem a fazer. A palavra "repressão" é um termo técnivo que se refere a um processo inconsciente que, quando excessivo, pode ocasionar sintomas como esses. A repressão excessiva, frisa Lewis com precisão, usualmente ocorre cedo na vida, e quando ela ocorre, não temos consciência desse acontecimento: "A sexualidade reprimida não parece sexualidade nenhuma para o paciente". Já a supressão, por outro lado, é o controle consciente dos nossos impulsos. Ao confundir os dois, muitos [integrantes] da nossa cultura concluem que qualquer tipo de controle de impulsos sexuais faça mal à saúde. Lewis argumenta que isso é bobagem. Na realidade a falta de controle é que faz mal à saúde. Lewis escreve: "a entrega a todos os nossos desejos obviamente leva à... doença, à inveja, à mentira, à dissimulação e a tudo que é contrário à saúde... Qualquer felicidade, mesmo desse mundo, exige bastante moderação..."
Na nossa cultura, a mídia contribuiu para a confusão entre a repressão e a supressão. "De imagem em imagem, de filme em filme, de novela em novela", nota Lewis, "passamos a associar a idéia de indulgência sexual às noções de saúde, normalidade, juventude, franqueza e bom humor". Ele alega que essa associação gera uma falsa impressão e é uma mentira. "Como todas as mentiras poderosas", explica Lewis, "ela se baseia na verdade... de que o sexo em si mesmo... seja 'normal' e 'saudável'... A mentira consiste na sugestão de que qualquer ato sexual para o qual você possa ser tentado no momento também seja saudável e normal"."

Deus em Questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida - Armand Nicholi. pg 149.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Eu li Deus em Questão - Armand Nicholi...

...E gostei!
Deus em Questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida
Dr. Armand Nicholi


Excelente livro, vencedor do Prêmio Areté 2006 na categoria apologética. A visão cética de Freud é posta lado-a-lado com a visão cristã de C.S.Lewis. Vale a pena ler, essencial para os que se interessam por psicanálise e apologética.

Sinopse:
Grande parte dos maiores pensadores já se confrontou com a questão crucial de acreditar ou não em Deus. O século 20 produziu dois homens que, de forma brilhante, cada qual à sua maneira, levantaram novos argumentos – um, a favor e o outro, contra – sobre essa questão.

Em Deus em Questão, os argumentos de C. S. Lewis e Sigmund Freud são postos lado a lado. Ambos refletiram cuidadosamente sobre os pontos fracos e as alternativas aos seus posicionamentos. Ambos consideraram o problema da dor e do sofrimento, a natureza do amor e do sexo, e o sentido último da vida e da morte. Depois de “assistirmos” a todo esse debate, podemos tomar os nossos lugares do lado que quisermos, num dos confrontos mais profundos da história.


“Esta elegante e convincente comparação entre a visão de mundo de Freud e a de C. S. Lewis é uma oportunidade de reflexão dialógica sobre as mais importantes questões que a humanidade sempre se fez: Deus existe? Ele se importa comigo? Este livro destina-se a todos que buscam, sinceramente, respostas sobre a verdade, o sentido da vida e a existência de Deus.”
Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas em Genoma Humano, EUA

“Armand Nicholi acertou na mosca com essa história irresistível e tão bem contada sobre as duas âncoras – e o dilema – do pensamento moderno. A partir da vida desses dois verdadeiros gênios, podemos identificar o nosso próprio desejo e busca.”
Ken Burns, diretor do premiado documentário The Civil War e do histórico Jazz, megassérie apresentada no Brasil pelo canal GNT

“Alguns livros são equilibrados, acadêmicos e objetivos. Outros são desafiadores e comoventes e prendem a nossa atenção. Quando um livro consegue reunir tudo isso, torna-se simplesmente inesquecível. Deus em Questão é assim. É tão empolgante quanto um romance, com uma diferença: nós escrevemos o final.”
Peter Kreeft, PhD, professor de filosofia do Boston College, autor de “Buscar Sentido no Sofrimento” (Edições Loyola) e “O Diálogo” (Mundo Cristão)

“Assisti a algumas das aulas impressionantemente concorridas de Armand Nicholi em Harvard, que foram uma das experiências mais gratificantes da minha vida. Depois de vinte e cinco anos de ensino e pesquisa sobre Freud e Lewis, o autor coloca o resultado à disposição de todos. Este livro mudará a sua vida.”
Dr. Timothy Johnson, editor da área médica do ABC News

“Deus em Questão é profundo e fascinante. Quem procura o verdadeiro significado da vida precisa ler este maravilhoso livro.”
Ralph Larson, presidente e diretor executivo da Johnson & Johnson

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Obediência - a visão do líder

Jesus lavando os pés dos discipulos.

Parte 1 - O Mandamento
Em diversas passagens a Bíblia é clara em relação ao chamado à obediência, aos nossos pais, ao governo, às autoridades eclesiásticas e todas as demais autoridades. Pois essas são instituídas pelo próprio Deus (Rm 13.1-2, 1Pe 2.13-14, Tt 3.1, Jd 9, Hb 13.17). Muitos tentam justificar sua desobediência com o autoritarismo de seus pais ou da corrupção do governo. Porém a Bíblia não nos dá essa opção, ainda mais se levarmos em conta o contexto histórico em que os textos que exigem obediência foram escritos. Nos tempos neotestamentários, o cristianismo não era essa moleza que é hoje, não havia pastores prometendo prosperidade financeira, física e emocional. A mensagem era “aceite a Cristo e esteja preparado para sofrer”, o próprio Jesus reservou duas bem-aventuranças aos perseguidos (Mt 5.10-11), e uma rápida lida nas páginas de Atos dos Apóstolos nos mostram essa assustadora realidade. Nero, imperador romano da época, colocou nos cristãos a culpa pelo incêndio em Roma, que foi sua responsabilidade. D.James Kennedy diz sobre Nero em seu livro “E Se Jesus não tivesse nascido?”:


“Era uma época cruel, caracterizada por tiranias e despotismo. Tome o imperador Nero como exemplo. Ele havia recebido o que havia de melhor na educação filosófica pagã e, ainda assim, degenerou para tornar-se um dos piores homens que a mente poderia conceber. Muitas vezes freqüentava bordéis disfarçado. Praticava, como diz um historiador, “indecências em garotos [...] batendo, ferindo, assassinando”. Ele teve uma amante com a qual queria ter um romance, mas sua esposa se opôs. O que fazer em um caso como esse? Bem, isso deveria ser óbvio para toda e qualquer pessoa: você simplesmente mata sua esposa – e foi o que ele fez. Mas sua mãe se opôs. Portanto, matou sua mãe. Mas ele não era totalmente desprovido de sentimentos. Na verdade, quando olhou para o corpo de sua mãe no funeral, disse “Eu não sabia que tinha uma mãe tão bonita”.

A seguir, casou-se com sua amante. Mas um dia, esta cometeu o triste erro de aborrecê-lo por ter chegado tarde das corridas. Estava nos últimos meses de gravidez e Nero a chutou no estômago, matando-a com a criança. Lembre-se de que este era o governante do mundo naquela época! Foi realmente um tempo cruel.”


Foram nessas condições que os apóstolos viveram e pregaram a mensagem do Evangelho. Dentre eles, somente João morreu de morte natural. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, Tiago apedrejado e Tomé transpassado por uma lança. Não foi a toa que Tertuliano, um dos pais da Igreja, disse “o sangue dos mártires é a semente da Igreja”. Foi nesse período de perseguição intensa que a Igreja mais apresentou saúde e crescimento. E ainda assim, debaixo de toda essa perseguição os apóstolos escreveram nos exortando a obedecer! Portanto, não podemos usar como desculpa para desobediência a corrupção do governo, ou o autoritarismo de nossos pais terrenos. A ordem é obedeça! Obedecer não somente ao líder bom e cordato, mas também ao perverso (1Pe 2.18). Jesus, filho de Deus, obedecia aos seus pais (Lc 2.51). Se alguém tinha direito de desobedecer, esse alguém era Ele. Mas ele não o fez e, portanto não podemos ter a pretensão de achar que somos bons demais para nos submeter, quem pensa dessa forma é porque é inseguro demais para se rebaixar. Obediência é a maior exigência que Deus faz ao Homem. Por ser Deus invisível, as pessoas o recriam a sua própria imagem e semelhança, moldam um ‘deus’ confortável a elas, “eu me submeterei a Deus contanto que concorde com Ele”, isso não é submissão em lugar algum, nós devemos nos submeter a Deus quer concordemos quer não, devemos confiar que Ele, por ser o criador da vida, sabe exatamente o que é melhor para nós e como viver a vida da melhor forma. Muitas vezes obedeceremos sem saber o porquê, a exemplo dos hebreus que seguiram muitas leis que não faziam sentido para eles, mas hoje a ciência revela o porquê de muitas delas. Mas o propósito desse artigo não é ser mais um peso nas costas dos liderados, as exigências de líderes autoritários já são pesadas o bastante. Portanto passaremos ao nosso segundo ponto.


Parte 2 - O Lado do líder
Paul Tournier, em Culpa e Graça diz:


"Filhos, obedecei a vossos pais", escreve o apóstolo Paulo (Ef 6:1). Os pais devotos evocam este versículo para exigirem de seus filhos uma submissão servil, mesmo depois de terem deixado de ser crianças. Mas estes pais dão pouca atenção ao que o apóstolo acrescenta logo a seguir: "Pais, não provoqueis vossos filhos à ira" (Ef 6:4) nem ao que ele acrescente ainda em outra passagem: "... para que não fiquem desanimados" (Cl 3:21).”


Lideres em geral, pais e pastores em especial, exigem muito de seus liderados. Mas esquecem da sua responsabilidade em conquistar a obediência de seus liderados, infelizmente no mundo em que vivemos, as pessoas se preocupam muito mais com seus direitos do que com suas responsabilidades. Não podemos esquecer que nossas atitudes como lideres podem gerar rebeldia e insubmissão nos nossos liderados. Opressão e autoritarismo geram rebeldia. Nas Igrejas, em especial nas Igrejas de visão celular e G12, muito é falado sobre obediência e autoridade espiritual. Mas sempre direcionado ao lado do liderado, nunca do líder. Onde entra a responsabilidade do líder? Não adianta gastarmos o precioso tempo de nossos cultos falando sobre obediência, dizendo que o discípulo tem que obedecer, tem que ser submisso, que rebeldia é pecado de feitiçaria (1Sm 15.22-23) se nós não ensinarmos o líder a conquistar a obediência e autoridade sobre seus liderados, ou discípulos. Margareth Thatcher disse:Estar no poder é como ser uma dama, se você tiver que lembrar as pessoas que você é, você não é”. O bom líder não precisa lembrar que é líder, seus discípulos agem devido a sua autoridade sobre eles, autoridade essa que não pode ser imposta, mas somente conquistada. Muitas vezes acreditamos que por possuirmos um titulo de líder, todos os liderados são obrigados a obedecer, enquanto é o líder que faz a posição e não a posição que faz o líder, em outras palavras, o bom líder independe de um titulo. O próprio Jesus não nos coage a agir pela força, mas pelo amor e serviço e nos convida a fazer o mesmo (Mt 20.26-28, Mt 23.11).


Parte 3 - O que gera rebeldia?
Líder, quando você se irar com a rebeldia do seu discípulo, antes de descarregar sua ira nele, se pergunte quanto você tem servido por ele, quanto você tem se oferecido a ele, quanto você tem gastado em ouvi-lo, em amá-lo, em se relacionar com ele, em suprir as necessidades dele. Sonde a sua vida e reflita se a rebeldia do seu discípulo, na verdade não é reflexo da sua rebeldia com o seu líder. Às vezes o discípulo está apenas reproduzindo o que viu em você. Lembre-se que nem todos podem ser líderes, como muitos gostam de ensinar, mas a liderança é privilégio daqueles disposto a servir, se sacrificar, amar, e abrir mão do ego, esses sim, podem liderar. Muitas vezes nós, lideres, só nos preocupamos com nossos direitos, e não refletimos nas terríveis responsabilidades de sermos lideres. Se a gente só pregar sobre obediência, podemos acabar transformando a Igreja em um rebanho de ovelhas cegas e lideres autoritários. Por isso se faz necessário, que o líder olhe mais para si mesmo quando vê rebeldia em seus liderados. Rebeldia é muitas vezes um grito por liberdade, liberdade essa castrada por leis, coerção e repreensão de líderes que não sabem liderar. Sabe porque você precisa pregar repetidas vezes sobre obediência para seus discípulos? Porque eles não te vêem como um líder, você não tem autoridade sobre eles. Não estou dizendo que não devemos pregar e enfatizar a obediência. Devemos sim. O principio precisa ser passado. Mas se nós lideres pararmos um pouco de tentar mudar nossos discípulos, e lembrarmos de mudar a nós mesmos, é certo que conquistaremos autoridade, respeito e obediência sem nem precisar abrir a boca.


Parte 4 - Quando desobedecer?
Sempre que a ordem da liderança entra em conflito com a autoridade de Deus, prevalece a segunda. “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Por isso se faz necessário o profundo conhecimento teológico para não cairmos nas garras de pastores mal intencionados, ou líderes que pecam não por malicia, mas por ignorância. O que é comum devido ao espírito antiintelectualista que assombra nossas Igrejas nos dias de hoje. Um exemplo Bíblico de desobediência é o caso das parteiras em Êxodo 1.15-22, o rei do Egito ordenou que elas matassem todo recém nascido do sexo masculino, mas por temor a Deus (Ex 1.17) elas não obedeceram à ordem do rei e foram abençoadas por Deus por tal atitude (Ex 1.20-21). Somente nesse caso nos é permitido desobedecer, não nos é permitido julgarmos o coração de um líder, não sabemos qual líder tem o coração de Davi e qual tem o coração de Saul, as aparências enganam na maioria das vezes. Deixemos que o próprio Deus cuide dos “Sauls” que existem por ai.


Parte 5 - Porque obedecer?
Obedecer não é fácil, é duro, por sermos uma raça decaída e contaminada pelo pecado inerente a natureza humana, o orgulho e a ambição falam muito alto e nos impedem de nos submetermos. Fácil não é, mas é necessário. Devemos obedecer porque Deus assim ordenou. As autoridades são pessoas que tem muito mais experiência que nós e geralmente já passaram pelo que estamos passando e podem nos aconselhar melhor. Quem nunca desobedeceu aos pais e quebrou a cara? É necessário que vivamos numa hierarquia, alguém tem que dar a última palavra, caso contrário, viveríamos em um caos. Cada um faria o que quer e o mundo não subsistiria nem sequer um dia.


Lembrem-se lideres:

“Não é dado ao líder o direito de não dar bons exemplos”
Luiz Marins, antropólogo empresarial.


Vitor Pereira 15/03/2007

Recursos recomendados:

YANCEY, Philip. STAFFORD, Tim. Desventuras da Vida Cristã. São Paulo. Mundo Cristão. 2005.

EDWARDS, Gene. Perfil de Três Reis. São Paulo. Vida. 1987.



Comentem!!


domingo, 1 de julho de 2007

é 1000!

Dia 30 de Junho de 2007 às 2:28:39 pm é a data do milésimo acesso ao blog! Em menos de 2 meses já superamos 1000 acessos, obrigado a todos os visitantes. E espero que esse blog possa continuar contribuindo com o despertar de milhares de bereanos na Igreja Cristã do Brasil!

 
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