segunda-feira, 25 de junho de 2007

Mais sobre sofrimento...

Recebi diversos comentários ao meu último texto em comunidades do Orkut, e o que me chamou a atenção foi a falta de empatia dos cristãos com aqueles que sofrem e duvidam. Muitos parecem crer que o único culpado do sofrimento é o sofredor, e parecem pensar, aliás, pensam, que os cristãos são imunes ao sofrimento, o que contradiz toda a Bíblia. Esquecem que a vida dos maiores personagens Bíblicos foi marcada pelo sofrimento, e em boa parte, um sofrimento que para eles parecia incompreensivel - será que nunca leram Jó? Não só o crente sofre, como deve sofrer - Bem-aventurados os perseguidos - é o que diz a Bíblia. Pra finalizar, um versículo que fiz questão de decorar esses dias foi Judas 22: "E, compadecei-vos daqueles que estão na dúvida". Tão diferente do mundo de certezas evangélico, essa é a verdadeira fé, que só pode surgir aonde existe dúvida!

"Só considera que a morte é o maior dos males, quem é materialista e acredita que só existe esta vida física, que seria o bem supremo." Retirado do site Montfort

Segue aqui uma resposta que eu escrevi há um tempo atrás em um debate sobre Deus e o sofrimento:

A Maior parte do sofrimento humano é fruto do pecado, C.S.Lewis calculou que chega a 80% e Hugh Silvester a 95%.
Pecado no sentido de toda e qualquer desobediência a um mandamento de Deus. Pessoas matam, roubam, sequestram e cometem diversos outros pecados, e colhemos consequências. Inclusive a AIDS, é em grande parte fruto da sexualidade desenfreada dos dias de hoje. Esse é o preço de um mundo com livre-arbitrio. Inclusive boa parte dos desastres naturais não são caprichos da natureza, mas sim reações ao descuido do homem para com a natureza, efeito estufa, descongelamento das calotas polares etc, tudo culpa do homem. Existem ainda, o mal que não pode ser explicado tão facilmente, o 20 ou 5% de mal que não pode ser explicado pelo pecado, os desastres naturais que não são reações ao descuido humano, o mal da gazela que sofre nas garras dos leões, que talvez não tenham uma resposta conclusiva, porém, pode-se ainda argumentar usando a Lei Natural. Tem que haver um padrão para servir de comparação, tem que haver um Deus, tem que haver um paraíso, um lugar perfeito.

Entrando na esfera da fé, o cristianismo oferece, o que penso ser, a mais plausível explicação para o estado atual do mundo. Em uma era remota, a raça humana caiu. Portanto nós somos criaturas caidas que vivem em um mundo decaido, o paraíso foi perdido. E por isso o mal domina o mundo de hoje. Todos nascemos pecadores, é a doutrina do pecado original que segundo C.G.Jung "é incrivelmente verdadeira", basta abrir um jornal e veremos que o ser humano de fato tende ao pecado. Mito ou realidade, a verdade é que a doutrina do pecado original na prática se mostra muito verdadeira, pela condição humana, pela condição da natureza, pelo anseio que nós temos por um lugar como tudo é como deveria ser, um lugar perfeito, talvez, saudades de um paraíso uma vez perdido, e que um dia será reconquistado.

"Eu acredito no Cristianismo, assim como eu acredito que o Sol nasce todo dia, não só porque eu o vejo, mas porque através dele eu posso ver todas as outras coisas" C.S.Lewis

2 comentários:

caroLINDA disse...

só pra dizer que tu manda muuuuuuuuuito na escrita!!!!!
VAI SER O MELHOR ESCRITOR DE TODOS OS TEMPOS!
te amo (L)

Vitor Pereira disse...

Texto retirado do site Montfort na integra:

Só quem pensa de modo muito superficial pode se escandalizar com o tsunami e as mortes que ele causou. Essas mesmas pessoas não pensam que, todos os dias, há milhares de mães que matam os seus próprios filhos, em seu ventre, praticando o aborto.
Milhões de abortos são perpetados diariamente no mundo. Isso é muito pior que o tsunami.
No último carnaval, só em São Paulo, houve mais de 150 assassinatos.
Por ano, no Brasil, são assassinadas mais pessoas do que morreram na guerra do Vietnã.
O Tsunami não tem culpa.
Os abortos e homicídios são criminosos.
Todo dia morrem milhões de pessoas por doenças. E Deus permite isso.
Só considera que a morte é o maior dos males, quem é materialista e acredita que só existe esta vida física, que seria o bem supremo.
Pobres tolos que não conhecem o bem e questionam o mal relativo!
Pobres desesperados que julgam ser a vida física o bem supremo e que vêem esse bem se escapar entre os dedos todos os dias. Pobres desesperados que se agarram a uma vida que lhes foge com uma peneumonia, com um desastre, um assalto, ou com a AIDS.
O Tsunami não foi causado diretamente por Deus.
Deus fez as leis da natureza que funcionam por si mesmas. Deus é a causa primeira. As leis da natureza são as causas segundas.
Se eu tropeço e caio, quebrando uma perna, Deus não é o causador disso. Ele fez a lei da gravidade, que me permite andar. Mas, se não tomo cuidado, tropeço, e essa mesma lei que me ajuda a viver, pode me causar uma fratura.
Deus permite que as leis da natureza, atuando, possam causar males relativos. Mas não é Deus quem fez diretamente o tsunami matar. Ele poderia ter feito isso, para punir, como ele puniu e exterminou os homossexuais de Sodoma. Mas, normalmente, Deus só permite que as leis naturais causem desastres. Normalmente, são as causas segundas, as leis da natureza, que causam o tsunami, e não Deus, a causa primeira.
E a morte não é o pior mal que pode nos acontecer .
O pior mal é o pecado, que nos leva ao inferno.
O maior mal é não ter Deus na alma. O maior mal é não amar a Deus, que é a Verdade, o Bem, e a Beleza absolutas.
Nós todos estamos condenados a morrer, quer seja de infecção numa unha encravada, quer por um tsunami. Eu vou morrer em breve. Você também vai morrer. Um câncer está à minha espreita, como o criminoso atrás das sombras da noite.
O importante é morrer bem.
E só morre bem quem viveu bem, cumprindo a lei de Deus.
Quem não sabe por que vive, não compreende por que se morre.
Quem não tem motivos para viver, não sabe por que morrer. E como bem disse um poeta, já que vamos morrer, é melhor morrer com glória.
É melhor viver com honra, para saber morrer com glória.
É isso que nos ensina o sol, cujo morrer no horizonte é cheio de glória.

"Et je voudrias mourrir un jour sous um ciel rose,
en disant un bon mot pour une belle cause"

["E eu quisera morrer um dia sob um céu de fogo,
dizendo uma boa palavra por uma bela causa"].

Sim, morrer por Deus e pela Igreja!
Em uma manhã azul. Ao sol!

Os homens de nossa época não sabem por que vivem, e por isso não sabem porque morrem.
Você citou Voltaire como um grande filósofo.
Esse homem, que falava de liberdade, mas vivia também do tráfico negreiro, além de outras fontes espúrias, dizia a seus amigos:
"Menti, menti, sempre. Sempre se acreditará em alguma coisa do que dissemos".
Dele, um outro filósofo também cheio de erros, Joseph de Maistre, disse:
"Sodoma se envergonharia de Voltaire, Paris o exaltava".
Esse Voltaitre que concluia todas as suas cartas dizendo: "Esmagai o Infame", isto é, Jesus Cristo, esse homem que viveu caluniando, mentindo e sofismando, esse homem de vida corrupta, teve morte horrorosa, por desespero, comendo seus próprios excrementos.
Voltaire??!!
Horroriza-me citá-lo, e lamento ter que escrever o nome dele -- o infame -- no site Montfort.

E você me cita Jó, pensando que ele era judeu, e ele não o era. E você argumenta com o livro de Jó, notando que os maus prosperavam, enquanto Jó que era santo padecia.
Mas não vê você que ainda hoje é assim? Que sempre foi assim? Que sempre será assim? Os bons serão sempre injustiçados e terão que sofrer.
Pois não sabe você que o nome Jó significa "homem das dores", e que Jó foi figura profética de Cristo, o Homem das dores por antonomásia?
Cristo, o Filho de Deus, sem ter culpa alguma, sofreu paixão terrível, e morte na cruz, para pagar os meus pecados. (E os seus, também).
E os pecados dos coitados mortos pelo tsunami.
E, dos mais coitados ainda, pelos pecados dos que não compreendem os tsunamis. Pois os pecados deste é o de falta de sabedoria. E quem não tem sabedoria não pode saber o que é o sabor de ser e de ser sábio.
Os sofrimentos da vida, meu caro Marcelo, são conseqüência do pecado de Adão, do pecado original, que não consistiu em "comer uma maçã", e sim em tentar ser Deus através da magia e do satanismo.
Cristo padeceu por nós, sem ter culpa.
Nós devemos padecer por Cristo, porque temos culpa.
Por isso, quando sofremos com paciência os males que Deus permite que caiam sobre nós, como Jó e como Cristo, devemos aceitá-los. Por isso Jesus disse que seu discípulos seriam perseguidos e caluniados, e sofreriam males e perseguições.

Bem pergunta, então, um poeta:
"Seria só para Cristo a coroa de espinhos, e para nós as coroas de rosas?"
A grande lei da vida é a do sofrimento. Daí Jesus nos dizer:
"Quem quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome sua cruz e me siga"
Ele não disse para tomar a guitarra, ou a cordinha do lulu, mas a sua cruz, e segui-lo.
A cruz que é segundo São Paulo, "escândalo para os judeus, e loucura para os pagãos".
Se o século em que vivemos não compreende a cruz, ele é pagão.

Você é pagão?
Você não recebeu a cruz em sua testa, no dia do Batismo?
Você não quer seguir a Jesus crucificado?

O Catolicismo é a religião da Cruz.
No Calvário, lembra São Luis de Montfort, havia três cruzes: a de Jesus inocente, a do ladrão arrependido, e a do ladrão blasfemador desesperado.
E foi assim para nos ensinar que todos na vida sofrem.
Sofrem os inocentes, como Cristo.
Sofrem os pecadores arrependidos, como o ladrão arrependido que ganhou o céu com isso.
Sofrem os pecadores pertinazes, como o ladrão blasfemador e desesperado.

E não sabe você que o sinal do cristão é o sinal da cruz?
E este sinal nós o fazemos largamente da cabeça ao coração, do ombro esquerdo ao direito, para significar qua aceitamos todas as cruzes e sofrimentos que Deus, Nosso Senhor, nos enviar ou permitir, nesta vida.
Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

 
Free Host | lasik surgery new york