terça-feira, 27 de maio de 2008

Eu li... Merece Confiança o Novo Testamento? - F.F. Bruce

Merece Confiança o Novo Testamento?
F.F. Bruce


Essa é uma obra clássica de F.F.Bruce no campo da apologética histórica do Novo Testamento. Livro pequeno e fundamental para a atividade apologética. Mas será necessário mesmo investigarmos a validade histórica do Novo Testamento? Não é suficiente a ética e a mensagem positiva do Sermão do Monte e dos evangelhos? F.F. Bruce responde a essas objeções dizendo que isso pode valer para qualquer religião ou sistema filosófico, mas, o cristianismo tem sua validade profundamente arraigada na história, o Cristianismo é mais do que os ensinamentos de Cristo, é a história da Salvação que começou na Queda e culmina em um fato histórico - a ressurreição do Filho de Deus. "Uma vez que se arroga o Cristianismo o caráter de revelação histórica" diz o autor "longe está de ser irrelevante a consideração de seus documentos básicos no enfoque da crítica histórica". A linha de argumentação de Bruce é demonstrar que as bases para a fidedignidade do Novo Testamento em geral e os Evangelhos em particular, é muito superior quando comparado com as bases para a fidedignidade de textos clássicos da antiquidade. Por exemplo, A Íliada de Homero que tem 643 manuscritos antigos e 500 anos separam o original da primeira cópia, o que é muito frágil se comparado com o Novo Testamento e suas 5600 cópias e 50 anos entre os originais e a primeira cópia. E nessa comparação o autor é sem dúvidas bem sucedido. Se o crítico quiser rejeitar os textos do Novo Testamento como lendários ou não confiáveis terá que emitir o mesmo julgamento em relação a praticamente todos os textos antigos - é esse o dilema que Bruce derruba sobre os ombros dos criticos.

Mas o que acontece na realidade é um julgamento bastante injusto. De dois pesos e duas medidas. O que se exige do Novo Testamento não se exige de nenhum outro texto antigo, tudo isso é baseado num pressuposto naturalista não justificado. Se relata milagres, logo, é falso, pressupõe arbitrariamente os criticos. E contra isso não há evidência textual e histórica que possa vencer. A raíz do problema, como demonstra Bruce, não está na história, mas sim em pressupostos filosóficos injustos e arbitrariamente aplicados à teologia. É claro, não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que cada vírgula do Novo Testamento pode ser comprovada historica e textualmente. Mas o que importa na avaliação de um texto histórico são os pontos centrais, e nesses pontos o Novo Testamento passa por qualquer prova. E são a partir desses particulares que inferimos quanto ao universal. Para aqueles que têm fé há base segura para se crer na inerrância, ainda que certos pontos conflitam com algumas descobertas da história, porém, a partir dos particulares podemos conceder o benefício da dúvida ao texto como um todo. Para aqueles que não crêem na inerrância, é certo que confiam em outros historiadores mesmo sendo não inerrantes, mas que nem por isso deixam de ser confiáveis. Se confiamos em um historiador qualquer por observarmos que suas conclusões são coerentes com a realidade, podemos igualmente confiar nos autores do Novo Testamento, pois estes são igualmente - senão mais - coerentes com os fatos históricos.

Apesar de ser um livro antigo, as suas informações ainda são sólidas. Conta Bruce de uma ocasião em que Hegel estava dando uma aula de filosofia da história e um aluno lhe replicou "Mas, Professor, os fatos lhe são contrários". A resposta de Hegel? "Tanto pior para os fatos!" Isso exemplifica o tipo de atitude que os criticos têm para com a Bíblia que nada têm de racional. Se um cético analisar imparcialmente a história dos textos neotestamentários terá duas opções, ou admitir a confiabilidade destes ou negar a sua própria racionalidade.

3 comentários:

Daniel Grubba disse...

Fala Vitor.
Muito boa esta fase NT hein? Eu estou no semestre de NT no seminário também. Portanto, gostei muito da resenha deste livro. Gostaria de indicar o livro de Robert Gundry - Panorama do NT - Ed. Vida Nova.
E ai, o novo blog ? Pensei na palavra latina veritas.
Deus abençoe,
Daniel

Vitor Grando disse...

Na verdade, Daniel, não estou estudando especificamente NT no seminário! Apenas Hist. da Formação da Bíblia e Ciências da Bíblia, mas estou me antecipando para os "demônios" que eu vou ter que enfrentar, não quero deixar passar um! Estou procurando ler bastante sobre critica textual, é uma disciplina fantástica e controversa! Vou procurar esse livro que você me indicou...

Ah... gostei do nome! Vamos amadurecer essa idéia...

Um grande abraço!

Zwinglio Rodrigues disse...

Vitor, paz.

Apenas para reforçar a indicação do Grubba quero dizer que o livro de Gundry é deveras bom.

Eu estudei esse livro no Seminário.

Abraços!!

 
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