sexta-feira, 23 de maio de 2008

Será que a religião é tão problemática como nós pensamos que é?

Será essa a grande vilã?


O mundo todo insiste em culpar a religião por toda a sorte de mal que ocorre, seja o mal causado ao outro ou o mal que os religiosos, por ignorância, cometem contra si mesmos. É freqüente lermos uma reportagem no jornal, ou até mesmo na TV, sobre religiosos que movidos pelas suas crenças, muitas vezes infundadas, tiveram atitudes insanas. Não é tão incomum ouvirmos uma história sobre um homem que decepou o próprio pênis para fugir da cobiça sexual, ou uma mulher que morre devido a um longo jejum deixando seus filhos abandonados. E por causa dessas atitudes nós atribuímos à religião a culpa de levar pessoas a cometeram atrocidades como essas, eu mesmo já me vi muitas vezes fazendo isso, e, a principio atribuir a culpa à religião é o mais plausível a se fazer. Mas será que estamos certos em repugnar a religião por levar pessoas a destruírem suas próprias vidas e de sua família? É claro que quando algo motiva alguém a cometer um equivoco, esse algo tem sua parcela de culpa, portanto, a religião tem culpa quando embaralha a cabeça de alguém, mas será ela a única a fazer isso? Tire um breve tempo - não é preciso muito – para refletir sobre a nossa sociedade, e encontrarás a resposta.

Para conseguir ficar mais atrativo para as mulheres e se destacar frente ao padrão da sociedade que julga um homem não pelo que ele é, mas por quantas mulheres ele conquista, muitos injetam “litros” de anabolizantes que resultam num físico anormal que muitas vezes se transforma numa patologia séria e fatal. O mesmo vale para àquelas mulheres que seguem uma rigorosa dieta alimentar – alface, alface e alface – ou que injetam silicone no peito, na bunda, na coxa, nos lábios (vaginais também), às vezes nem sequer com supervisão médica! Para serem aceitos pelos amigos, muitos jovens perdem suas vidas no álcool, nas drogas, na prostituição, no crime. Para provar ser o mais forte do bonde do jiu-jitsu um homem espanca o outro até a morte. E pelo futebol? Quem se atreve a se aproximar de um grupo de torcedores do Flamengo com a camisa do Vasco? As pessoas matam até por futebol! Tome a ciência como exemplo. Ninguém dúvida dos inúmeros benefícios que a ciência nos trouxe - saúde, conforto, informação, praticidade - mas também se não fosse pela ciência, certamente a história de Hiroshima seria diferente. Devemos por isso abolir o progresso cientifico? Isso sim seria insano! Pensem agora naqueles crentes insuportáveis, aqueles que se você vacilar em usar a palavra “adoro” – adoro esse pudim!- retrucam com um “Irmão, adorarás somente ao Senhor Teu Deus!”, ou aqueles que ficam chocados quando você liga o rádio numa estação de música secular, seguem aquele padrão de conduta e de linguajar “crentês”. Insuportável! Mas agora pense também que esses mesmos crentes antes de se converter muito provavelmente seriam aquele tipo de gente que você julgava insuportável, sem cultura, ignorante, que só sabe falar de funk, mulheres “bundudas” e outros papinhos de doer a cabeça, no fundo, são as mesmas pessoas, com a diferença de que uns falam besteirol “crentês” os outros besteirol “mundanês”. Mas no caso do segundo, temos algo para atribuir “culpa” - a religião. Nós devemos antes reconhecer onde está o problema e não acabar com tudo aquilo que serve de inspiração para o homem. Alister E. McGrath disse "A causa de inspiração pode ser tanto inspiração para o bem quanto para o mal" e quanto maior for o poder motivacional de uma causa, maiores serão suas conseqüências se benéficas ou se maléficas. As pessoas fazem insanidades por motivações diversas, uma dessas motivações é também a religião. Mas o problema está sim na raça humana que têm o poder de deturpar coisas intrinsecamente neutras ou até positivas como é o caso do cristianismo. Isso é plenamente de acordo com o ensinamento cristão sobre a queda da Humanidade. Nós somos seres caídos e, portanto, depravados totalmente como diria Calvino. Nossas motivações são egoístas, diz o Cristianismo, e ai jaz a raíz de todo mal.

Eu acho que com um pouco mais de esforço a lista cresceria sem parar. Mas creio que os exemplos citados servem para ilustrar a minha idéia. Ao invés de repugnar a religião quando esta leva alguém a cometer uma atitude insana, devemos olhar diretamente no coração do problema. A verdade é que pessoas cometem atitudes ridículas motivadas não só por religião, mas também pelo futebol, aceitação dos outros, estética e um sem-número de razões. Fica claro que o problema não é com o futebol quando alguém mata um torcedor rival, o problema não é com o sexo quando pessoas contraem HIV ou têm uma gravidez indesejada – que muitas vezes termina em aborto. E é claro, o problema não é com a religião quanto esta leva alguém a fazer o que não deve. Patologia por patologia, a religião têm as suas, e o resto da sociedade também.

Vitor Grando

5 comentários:

Hélio disse...

Oi, Vítor!

Que surpresa agradável vir aqui e ler mais este ótimo artigo teu!
Nesses dias eu estava justamente pensando (de novo) sobre a questão da religião, ou da religiosidade, e em como as pessoas aproveitam o preconceito anti-religioso para justificar as atitudes mais absurdas, dentro e fora da igreja. Inclusive ressuscitei um texto do blog antigo, sobre a religiosidade, pois acho que esta é uma questão que nós temos que bater bastante na tecla, pra fazer a nossa parte na pregação da Verdade e na desconstrução deste preconceito.

Um grande abraço,

Hélio

Kessia disse...

Olá Vítor!
Cheguei aqui através de um link no blog do Hélio..

Adorei seu blog e este texto.

A natureza humana é realmente algo intrigante.
Desde o ínicio, o próprio Adão não resistiu e culpou Eva e o próprio Deus pelo seu erro.
Não assumir os próprios erros talvez seja a primeira evidência desta natureza..
Acho que por isso que na Bíblia Deus instiste em nos lembrar, inúmeras vezes, q antes de julgarmos os outros, devemos julgar-nos a nós mesmos..
Deve ser para que percebamos que no fim, somos todos iguais…

Fique com Deus!

Daniel Grubba disse...

E porque até agora ninguém sugeriu o fim do ateísmo em virtude de tantas catástrofes humanitárias que já foram cometidas em regimes comunistas orgulhosamente ateístas ? As tentativas de construir sociedades sem Deus, sem valores morais objetivos, resultaram em episódios negros na história da humanidade. Devemos igualmente pedir o fim do ateísmo fundamentalista como eles fazem com a religião? Pedir o fim da religião é um absurdo porque não leva em consideração os aspectos positivos que foram motivados pela idéia da existência do Bem supremo. Além do mais, de onde foi que eles tiraram esta idéia de bem e mal?

Abraços,
Daniel

Celinha disse...

Oi Vitor!!
Gostei muito do artigo. Parabéns!!
É isso aí. Muitas pessoas são extremistas, tipo aquelas, 8 ou 80 e por isso chegam a ser fanáticas em qualquer idéia ou ideal que nutram!
Jesus era simples em todos os sentidos e com sua pregação do Reino dos céus levou tantos ao Pai!!

Anônimo disse...

Legal seu artigo. Taí! Parabens.

 
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