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domingo, 8 de março de 2009

Sexualidade e o Mundo Contemporâneo




1. Introdução: Como falar sobre moralidade e sexo?


1.1 Como falar sobre moralidade?


É necessário levantar alguns pontos importantes antes de podermos entrar direto no assunto deste artigo. Falar sobre moralidade e sexualidade é algo bastante delicado e, portanto, faz-se necessário tecer algumas palavras de introdução para evitar alguns equívocos comuns ao se tratar destes assuntos. O que eu quero que o leitor tenha em mente é que eu não tenho a pretensão de criar uma regra moral a partir dos argumentos abaixo, simplesmente porque não cabe ao homem decidir de forma absoluta e universal sobre qualquer regra moral, pois isso é uma prerrogativa de Deus – se Ele, de fato, existir -, Ele sim pode decidir tais coisas pelo fato de Sua natureza ser essencialmente boa e de ser absoluto sobre o universo, mas como vivemos numa cultura que não pressupõe a existência do Deus cristão, não podemos impor a moralidade cristã sobre nossa cultura. O que podemos fazer, e de fato fazemos, para formular o código moral da sociedade é pesar as consequências positivas e negativas de um determinado ato e a partir disso afirmar que tal atitude não deve, ou deve, ser praticada para o bem geral da sociedade. Toda ação que julgamos imoral é, no fundo, julgada como tal a partir desses princípios. Eu acredito no Deus cristão e na moralidade sexual tradicional – casamento com fidelidade total ao parceiro, ou a abstinência total - mas meu intuito não é argumentar a partir da Bíblia a favor deste ponto, mas sim analisar as consequências da sexualidade como ela é encarada no mundo contemporâneo e mostrar se ela é nociva ou positiva para o bem da sociedade.


1.2 Como falar sobre sexo?


Antes de falarmos sobre o sexo, que é um assunto extremamente delicado, precisamos pensar um pouco sobre como se debate um assunto, qualquer assunto, inclusive o sexo. Num debate se apresentam argumentos, razões, premissas que sustentem uma determinada conclusão. Pesando argumentos pró e contra decidimos qual conclusão é a mais provável, pelo menos é assim que se deve debater. Todavia, existe um famoso ditado que diz que futebol, política e religião não se discutem. Por que isso? Por uma simples razão: tais assuntos são, na maioria das vezes, não debatidos com a razão, mas sim com a emoção, com a paixão. Meu time é o melhor não importa se ele não vence um jogo há um ano, ele continuará sendo o maior e pronto. Se meu político se envolve em algum escândalo, não importa, ele continuará sendo o melhor. Quando o assunto é religião, então nem se fala. Isso é devido ao fato de que tais opções são feitas com base num gosto pessoal, na paixão, e não numa ponderação racional e crítica dos argumentos pró e contra uma determinada opção. Isso, portanto, impossibilita um debate maduro. O mesmo vale para o sexo. O sexo é um assunto difícil de ser debatido racionalmente, pois falamos de sexo influenciados pela paixão. Por isso é quase impossível aceitar um argumento contra o nosso estilo de vida sexual, porque há algo dentro de nós que fala mais alto do que a razão. Experimente formular o seu melhor argumento contra o estilo de vida homossexual, usando evidências psicológicas e sociológicas e apresente a um grupo de homossexuais militantes, você provavelmente encontrará uma forte e até agressiva oposição e seus argumentos serão ignorados. Se você fizer o contrário, apresentando sua defesa da liberação sexual a um grupo de religiosos fundamentalistas, a reação pode ser até pior. Sabemos que na Igreja o sexo é um grande tabu e, geralmente, aquele que defende um estilo sexual diferente do consenso é fortemente rejeitado. Ou até se você defender alguma outra crença diferente da ortodoxia vigente na Igreja, você provavelmente não encontrará argumentação, mas sim rejeição. Isso tudo porque, pensamos mais com nossa paixão do que nossa razão e precisamos aprender a pensar racionalmente sobre aqueles assuntos que defendemos apaixonadamente sem deixar a paixão contaminar nossa argumentação. Cientes, então, de que é com a frieza da razão que se argumenta, podemos encarar o tão polêmico assunto que é o sexo.


2. Sexualidade e Saúde Mental


Uma das principais críticas que o mundo secular lança contra a moralidade sexual tradicional é o argumento de que o controle dos impulsos sexuais e a abstinência sexual extraconjugal são repressores e, portanto, causadora de diversas neuroses emocionais. Geralmente, a psicanálise e o seu conceito de repressão ou recalque, cunhado por Sigmund Freud, é usada como base para sustentar tal tese. Os impulsos reprimidos seriam causadores de sintomas neuróticos e desequilíbrio mental.


Essa idéia é profundamente enraizada na mentalidade secular e difícil de ser extirpada, pois, como vimos, o ser humano está sempre buscando racionalizar suas ações pecaminosas para aliviar sua consciência (lembrem-se da questão das paixões). Apesar disso, essa idéia não encontra muito respaldo psicanalítico como veremos logo adiante, mas para começar com uma ilustração, lembro-me de um trecho do livro E Se Jesus Não Tivesse Nascido? de James Kennedy, no qual ele comenta e compara duas pessoas que ele teve a oportunidade de conhecer: uma mulher que há anos dormia com diversos homens, e um homem que só havia beijado apenas a sua esposa em toda a sua vida. Pelos padrões seculares a conclusão óbvia é de que a mulher deveria ser uma pessoa muito realizada, feliz e satisfeita sexualmente; já o homem um frustrado com severas dificuldades mentais. No entanto, a verdade é que ele conheceu a mulher num hospital psiquiátrico e o homem é Billy Graham, o grande evangelista e conselheiro de boa parte dos presidentes americanos. Ora, o problema desse preconceito secular não está na psicanálise e nem com Freud, mas sim nas distorções que o secularismo faz para sustentar suas teses. Freud jamais foi a favor da liberação sexual, foi sim a favor da liberdade de se falar livremente sobre sexo, mas não na liberdade de agir. Vamos ver o que o próprio Freud diz em relação a isso:


“Achar que a psicanálise busca qualquer cura para as desordens neuróticas, dando livre vazão à sexualidade, é um equívoco sério, que só pode ser desculpado a partir da ignorância. Quando conscientizarmos as pessoas de seus desejos sexuais reprimidos, por meio da análise, isso, pelo contrário, lhes permite ter domínio sobre eles mesmos, coisa que a repressão prévia era incapaz de conseguir. Seria mais certeiro dizer que a análise liberta o neurótico das cadeias de sua sexualidade”¹


Freud está dizendo que quem usa a psicanálise para sustentar a liberação sexual é um ignorante, além disso, ele afirma que:


“’Uma... comunidade está perfeitamente justificada, psicologicamente’ a proibir o comportamento sexual de crianças ‘pois não haverá perspectiva de refrear os apetites sexuais dos adultos, se a base para tanto não tiver sido preparada na infância”²


E ele ainda alertava que quando os padrões sexuais desaparecem, como aconteceu “no declínio das civilizações antigas, o amor ficou destituído de valor e a vida, vazia”³.


Mas se é essa a opinião de Freud, de onde vem a confusão? Não podemos confundir o termo “repressão” com “supressão” – como muitos costumam fazer. A palavra “repressão” é um termo técnico que se refere a um processo inconsciente que, quando excessivo, pode ocasionar sintomas neuróticos. A repressão excessiva geralmente ocorre cedo na vida, e quando ela ocorre, não temos consciência desse acontecimento. A sexualidade reprimida não parece sexualidade para o paciente. Já a supressão, por outro lado, é o controle consciente dos nossos impulsos. Ao confundir os dois, muitos concluem que qualquer tipo de controle de impulsos sexuais faça mal à saúde, o que é uma bobagem, pois na realidade é a falta de controle que faz mal à saúde. C.S. Lewis escreve: “a entrega a todos os nossos desejos obviamente leva à... doença, à inveja, à mentira, à dissimulação e a tudo que é contrário à saúde... Qualquer felicidade, mesmo desse mundo, exige bastante moderação...”. Freud apenas criticava a hipocrisia sexual daquela época, essa sim era causadora de doenças neuróticas, portanto, como cristãos, devemos ter liberdade para falar de sexo, caso contrário, podemos estar criando uma comunidade de neuróticos sexuais que não saberão lidar com sua sexualidade, mas isso não implica na liberação de todo e qualquer impulso sexual. Wilhelm Reich, pioneiro da libertação sexual e uma cultuada figura nos anos 60, dizia que toda neurose é sintoma de falha sexual e a única salvação para o homem era o "orgasmo definitivo". Mas apesar de exigir liberdade sexual para si tendo inúmeros casos extraconjugais, ele não suportava a idéia de que sua mulher pudesse viver sob a mesma filosofia,. E eu lhes digo o porquê: a filosofia da liberação sexual simplesmente não funciona, é perniciosa e destruidora de emoções e de uniões matrimoniais, não há homem [e mulher] que consiga viver sob tal filosofia. Idéias como as de Reich permeiam a sociedade contemporânea, pois aparentemente nos são muito aprazíveis, todavia  implicam graves consequências. Para terminar, uma pesquisa da revista norte-americana Redbook com 100.000 mulheres mostrou que aquelas mais liberais sexualmente eram as menos satisfeitas com sua vida sexual, e as que se classificaram como “muito religiosas” eram as mais satisfeitas sexualmente. Ora, além ser mais saudável, a sexualidade tradicional, ao contrário do que pensam, produz ainda mais prazer sexual.


3. Sexualidade e Saúde Matrimonial


Hoje o casamento é uma instituição fora de moda na cultura ocidental, se um jovem  no auge de seus vinte e poucos anos afirma que tem um casamento marcado é capaz de ser visto com espanto de tão estranha que é a idéia de um casamento tradicional. O mundo de hoje vê o casamento como uma instituição retrógrada e repressora. É fácil se deixar levar por tal pensamento, pelo fato de que é um mito corrente na cultura popular, porém, o casamento representa uma função de grande importância na construção de uma sociedade saudável. Na obra clássica The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, o historiador inglês do século XVIII Edward Gibbon afirmou que uma das causas da queda do Império Romano foi justamente a destituição dos laços familiares no Império. Além disso, pessoas casadas lidam melhor com doenças, têm rendimento financeiro melhor e adotam estilos de vida mais saudáveis; já um divorciado chega a ter até o dobro de chances de cometer suicídio do que uma pessoa normal além de correr os mesmos riscos de sofrer um acidente cardíaco do que alguém que fuma um maço de cigarros por dia.[4] Seria o casamento instituição tão ultrapassada como se diz? Presumo que não.


Grande parte dos casamentos terminam em divórcio, mas por que isso acontece? A saúde de um relacionamento homem-mulher está intrinsecamente ligada ao estado sexual do casal, tanto à vida sexual presente, afinal, quantos casamentos resistem a um caso de adultério? Mas não é apenas a vida presente que influencia a saúde do relacionamento de um casal, a vida passada também. Ainda que tal ideia seja prontamente rejeitada pela esmagadora maioria, sendo mais um exemplo de racionalização de conduta; racionalização essa que subjuga o que é evidente. Hoje quando um casal se junta, na maioria das vezes já tiveram inúmeros outros parceiros, muitos sem o menor compromisso. Isso afeta a confiança mútua e ameaça o relacionamento de um casal (vide Reich), qual homem [mulher] gosta de saber que sua esposa [marido] já foi de outro homem [mulher]? Ou pior, de outros[as]? Tal situação desperta um sentimento de ódio e revolta tão grande que abala a confiança no parceiro(a) e tira o brilho e o valor do amor. Muitos homens passam a desprezar ou não tratar com o devido respeito sua parceira ao saber de seus relacionamentos passados, não que isso seja correto, mas é natural e, às vezes, até mesmo após o homem tirar a virgindade de sua própria parceira ele acaba por menosprezá-la, pois o valor do sexo é anulado. Fica evidente que sexo é muito mais do que troca de fluídos físicos. Não há, na maioria das vezes, ligação entre o sexo extraconjugal e amor, sexo extraconjugal é carnal e destituído de valor. O homem não passa a amar mais sua mulher após consumar o ato, é mais comum acontecer o contrário, mas ainda assim muitas mulheres acreditam que estão sendo mais amadas ao se entregarem ao parceiro, mas não estão. Ainda que o homem ame a mulher de verdade, muitas vezes o impulso fala tão alto que impede de tratar sua amada com o devido respeito, além disso, as relações sexuais pré-matrimoniais podem atrapalhar o casamento de diversas maneiras, desvalorizando, atrasando e gerando outras insatisfações. Donald Joy escreve que iniciar a prática sexual prematuramente causa um curto-circuito no processo de criação de vínculos emocionais. Ele cita um estudo com 100.000 mulheres que liga a experiência sexual precoce com insatisfação nos seus casamentos atuais, infelicidade com o nível de intimidade sexual e um predomínio de baixa auto-estima (Christianity Today, 3 de outubro de 1986). Os psicólogos Henry Cloud e John Townsend afirmam que a abstinência pré-matrimonial ensina o casal a expressar amor sem ser por via sexual. Muitos casais que iniciam a vida sexual antes do casamento não aprendem a expressar amor sem ser por via sexual. Assim, quando, no casamento, a paixão passa o casamento termina, já que a sexualidade prematura pode impedir o conhecimento mais íntimo e profundo do casal, o conhecimento mútuo e a expressão de amor por vias mais sublimes do que a sexualidade. Por isso, a sexualidade extra-conjugal gera muito mais problemas do que os resolve e deve ser evitada.


4. Sexualidade e Saúde Social


No mundo pós-moderno é crença comum que a moral sexual privada diz respeito apenas ao individuo, não cabendo a sociedade a tarefa de coibir a imoralidade sexual, portanto, todo tipo de sexualidade deve ser permitida ao individuo: casamento homossexual, divórcio, aborto entre tantos outros desvios. É verdade que não cabe à sociedade decidir o que um indivíduo faz com o seu próprio corpo, mas à sociedade cabem duas responsabilidade (1) Instrução moral e (2) A criação de leis que coíbam comportamentos imorais[5] Moralidade está intrinsecamente ligada à prosperidade das grandes civilizações – o que não acontece quando as paixões estão afloradas. Junto com a ascensão das grandes civilizações antigas pode-se observar também uma elevada moralidade, as pessoas evitavam a imoralidade sexual e havia até leis para refreá-las, até que chegava ao auge da civilização e a moralidade era relaxada e por fim abolida e daí seguia o declínio da civilização como já vimos no caso do Império Romano. Vejamos alguns exemplos mais palpáveis: Quantas famílias e indivíduos não tem a vida destruída por causa de adultério e divórcio? Quantos delinquentes não surgiram a partir de famílias sem pai? Pense na maior praga dos nossos tempos, a AIDS, bilhões de dólares gastos na saúde pública poderiam ser gastos com coisas mais importantes se tão somente as pessoas seguissem a moralidade tradicional de abstinência extraconjugal. Isso sem falar nas inúmeras outras DSTs! E a única maneira 100% segura de prevenir tais doenças é a adoção da moralidade sexual tradicional. Para exemplificar isso, Theresa Crenshaw, M.D., foi membro da Comissão da presidência dos EUA para tratar da AIDS. Ela é ex-presidente da American Association of Sex Educators, Counselors, and Therapists [6] e uma fez a seguinte pergunta a 550 terapeutas familiares e de casal em Chicago: "Quantos de vocês recomendariam camisinhas para a prevenção da AIDS?" A maioria das mãos levantaram. Então ela perguntou quantos fariam sexo com um soropositivo usando uma camisinha. Nenhuma mão permaneceu levantada. Ela advertiu dizendo que, "É irresponsável aconselhar estudantes, clientes e pacientes a fazer o que vocês mesmos não fariam, pois eles podem morrer por isso"[7]. Estudos mostram que preservativos não são 100% confiáveis nem para prevenir DSTS e nem a gravidez[8]. A verdade é que a liberação sexual iniciada na década de 60 trouxe grande parte dos problemas da sociedade contemporânea.


Conclusão


Vimos que as pessoas que pautam sua sexualidade na moralidade tradicional são mais satisfeitas sexualmente, vivem casamentos mais felizes, e formam uma melhor sociedade e todos esses fatores estão intrinsecamente ligados, já que indivíduos desequilibrados formam casamentos e sociedades desequilibradas e casamentos e sociedades desequilibradas formam indivíduos desequilibrados. Argumentos a favor da sexualidade extraconjugal, na maioria das vezes, são pautados na paixão e não na razão, por isso o que mais ouvimos são argumentos falaciosos como “estamos no século XXI” ou “A moralidade tradicional é retrógrada”. Então, se a sexualidade como vivida hoje é nociva porque abraçar uma filosofia tão nociva ao bem individual e social? Não há motivo que não o desejo de saciar todos os nossos mais profundos anseios. Pra mim, todos os tabus existentes em relação ao sexo presentes nas mais diversas culturas (inclusive na cultura secular) indicam que o sexo é mais do que um ato físico, existindo mais coisas envolvidas na relação sexual do que uma simples transmissão de fluídos corporais, tal reducionismo não capta toda a dimensão da sexualidade humana, acredito que apenas o Cristianismo responde adequadamente ao nosso êxtase sexual – a representação da união entre Cristo e a Sua Igreja. Se Deus existe realmente e se todo o universo é obra Sua, jamais compreenderemos a existência humana sem levar em conta essa realidade. G. K. Chesterton comentando sobre essa nossa fixação com o sexo disse as seguintes palavras:


“Dou um exemplo dentre uma centena: não tenho pessoalmente nenhuma afinidade com aquele entusiasmo pela virgindade física, que certamente tem sido uma marca do cristianismo histórico. Mas quando olho não para mim mesmo, mas para o mundo, percebo que esse entusiasmo não é apenas uma marca do cristianismo, mas uma marca do paganismo, uma marca da natureza profundamente humana em muitas esferas. Os gregos sentiram a virgindade quando esculpiram Ártemis; os romanos, quando vestiram as vestais; os piores e mais loucos dos grandes dramaturgos elisabetanos agarraram-se à pureza literal de uma mulher como se isso fosse o pilar central do mundo. Acima de tudo, o mundo moderno (mesmo enquanto zomba da inocência sexual) atirou-se a uma generosa idolatria da inocência sexual – a grande adoração moderna das crianças. Pois qualquer um que ame as crianças concordará que a peculiar beleza delas é ferida por uma insinuação do sexo físico.”[9]


Enquanto a raça humana existir o problema do sexo não será resolvido através de nenhum tipo de liberação sexual ou banalização do sexo. Philip Yancey afirmou que quando uma sociedade perde a fé em seus deuses, ou em Deus, poderes inferiores surgem para tomar o seu lugar. Chesterton afirmou que “todo homem que bate à porta de um bordel está procurando por Deus”. Hoje não restam dúvidas de qual é o deus da sociedade contemporânea.




NOTAS:


¹Id., Two Encyclopedia Articles, em The Standard Edition of the Complete Psychological Works, vol. XVIII, p. 252 apud NICHOLI, Armand. Deus em questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida. Minas Gerais: Ultimato, 2005, p. 145.



² The Sexual Enlightenment of Children, em The Standard Edition of Complete Psychological Works, vol. IX, p. 137 apud NICHOLI, Armand. Deus em questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida. Minas Gerais: Ultimato, 2005, p. 145.


³ On The Universal Tendency to Debasement in the Sphere of Love em The Standard Edition of the Complete Psychological Works, vol. XI, p. 188 apud NICHOLI, Armand. Deus em questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida. Minas Gerais: Ultimato, 2005, p. 145.


[4] YANCEY, Philip. Rumores de Outro Mundo: A Realidade Sobrenatural da Fé. São Paulo: Editora Vida, 2004, p. 128.


[5] Para uma análise da eficácia da legislação moral ver artigo Moralidade Legisladora de Michael Bauman em Ensaios Apologéticos de J.P.Moreland et al.


[6] Richard W. Smith, "Parent' s HIV Prevention Information Package:' n.d., p. 48. (Smith é “um professional da area da saúde com mais de 20 anos de experiência em epidemiologia de Doenças Sexualmente Transmissíveis e controle e prevenção de HIV” Ele mora em Trenton, NJ.)


[7] Theresa Crenshaw, M.D., "The Psychology of AIDS Prevention: Implementing Effective Strategies, "Transcript: National Conference on HIV, Washington, DC, November 1987, p. 4.l


[8] Ver artigo “Safe Sex and the Facts” de Raymond G. Bohlin, Ph.D em http://www.leaderu.com/orgs/probe/docs/safesex.html


[9] CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 256

domingo, 8 de julho de 2007

Eu li "Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade" - Sigmund Freud...

...e gostei!

Uma das principais obras de Sigmund Freud, essencial a todos aqueles que tenham interesse pela psicanálise ou pela vida e obra de Freud. Apesar de muito bom, é um livro bem "chato" de ler, portanto talvez não interesse ao leigo. Freud mostra a influência da vida sexual da infância na formação do individuo.

" É a mais polêmica contribuição de Freud a respeito da sexualidade. Ele estabelece aqui originais estudos sobre os temas das aberrações sexuais, sexualidade infantil e adolescência. Seu principal guia é o conceito de Pulsão Sexual, que começa a ser descrito justamente nesse texto."

quinta-feira, 18 de março de 2010

Deveríamos Apoiar o Casamento Homossexual? - Wolfhart Pannenberg



Wolfhart Pannenberg, dotado de uma incrível bagagem interdisciplinar e de uma excepcional habilidade de relacionar a Teologia com as demais disciplinas acadêmicas - incluindo a Filosofia, Sociologia, História e as Ciências Naturais - é provavelmente o mais proeminente teólogo contemporâneo. Foi aluno de Karl Barth, Edmund Schlink e Gerhard Von Rad. Pannenberg rompeu com a teologia de seus antecessores alemães , como Karl Barth, Tillich e Bultmann, que não viam a resurreição de Cristo como um fato histórico e, portanto, acessível ao escrutínio racional. Pannenberg não só rompeu com esta tradição como recolocou a Teologia na busca pela verdade, retirando-a do campo do subjetivismo extra-racional. Para ele a resurreição de Cristo é a chave para a compreensão da história. Seu magnum opus, sua Teologia Sistemática de três volumes, foi recentemente traduzido para o português pela editora Paulus. Recentemente se aposentou após 27 anos como professor de Teologia Sistemática da Universidade de Munique, Alemanha, e diretor do Instituto de Teologia Ecumênica. Tradução do alemão para o inglês por Markus Bockmuehl.

Para ler outro artigo do Pannenberg traduzido neste blog:
Como Pensar Sobre o Secularismo - Wolfhart Pannenberg


Mais informações sobre Pannenberg:
1 )Wolfhart Pannenberg's Quest for the Ultimate Truth - Stanley Grenz
2) Pannenberg - Theologian and Man
3) Wikipedia
4) Blog Teologia Contemporânea



Tradução: Vitor Grando
DespertaiBereanos.blogspot.com

Pode o amor ser pecaminoso? Toda a tradição doutrinária cristã ensina que há uma coisa chamada amor invertido, pervertido. Os seres humanos são criados para o amor, como criaturas do Deus que é amor. Ainda assim essa ordenação divina é corrompida sempre que as pessoas se afastam de Deus ou amam outras coisas mais do que Deus.

Jesus disse, “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim...” (Mt 10:37). Amor a Deus deve ter precedência sobre o amor aos nossos parentes, apesar do amor aos parentes ser uma ordem do quarto mandamento.

A vontade de Deus sendo a estrela guia de nossa identidade e auto-determinação. O que isso significa para o comportamento sexual pode ser visto no ensinamento de Jesus sobre o divórcio. Ao responder à pergunta dos Fariseus quanto a possibilidade do divórcio, Jesus cita a criação dos seres humanos. Aqui ele vê Deus expressando seu propósito para as criaturas: a criação confirma que Deus criou os seres humanos como macho e fêmea. Assim, deixa o homem pai e mãe para se unir a sua mulher, e os dois se tornam uma só carne.

Jesus conclui a partir disso que a união indissolúvel entre marido e esposa é a vontade de Deus para os seres humanos. A união indissolúvel do casamento, portanto, é o alvo da nossa criação como seres sexuais (Mc 10:2-9). Visto que quanto a este princípio a Bíblia não é temporal, as palavras de Jesus são o critério e o fundamento para todo pronunciamento cristão sobre a sexualidade, não somente para o casamento, mas toda nossa identidade como seres sexuais. De acordo com o ensinamento de Jesus, a sexualidade humana como macho e fêmea tem como alvo a união indissolúvel do casamento. Esse padrão instrui o ensinamento cristão sobre todo comportamento sexual.

A perspectiva de Jesus corresponde à tradição judaica, apesar de sua ênfase na indissolubilidade do casamento ir além da prescrição do divórcio dentro da lei Judaica (Dt 24.1). Era uma convicção judaica que os homens e as mulheres em suas identidades sexuais são planejados para a comunidade do casamento. Isso também vale para as determinações do Velho Testamento que fogem a esta norma, incluindo a fornicação, adultério e as relações homossexuais.

As determinações bíblicas quanto à prática homossexual são muito claras e não dão margem à ambiguidade em sua rejeição a tal prática, e todas suas afirmações sobre esse assunto concordam mutuamente sem exceções. O Código de Santidade, em Levítico, sem controvérsias afirma, “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é.” (Lv 18:22). Levítico 20 inclui o comportamento homossexual entre os crimes que merecem pena capital (Lv 20:13, é significativo que o mesmo se aplica ao adultério no versículo 10). Sobre este assunto, o Judaísmo sempre se viu como distinto das outras nações.

Essa mesma distinção continua a determinar as afirmações do Novo Testamento sobre a homossexualidade, em contraste à cultura Helenista que não via problema algum com as relações homossexuais. Em Romanos, Paulo inclui o comportamento homossexual entre as consequências de se afastar de Deus (1:27). Em 1 Coríntios, a prática homossexual está, junto da fornicação, adultério, idolatria, avareza, bebedeira, furto e roubo, entre os comportamentos que impedem a entrada no reino de Deus (6:9-10); Paulo afirma que através do batismo os cristão se tornaram livres do relacionamento com tais práticas (6:11)

O Novo Testamento não contém nenhuma passagem sequer que possa indicar uma afirmação mais positiva da prática homossexual que possa contrabalançar essas afirmações Paulinas. Assim, o testemunho bíblico inclui a prática do homossexualismo, sem exceções, entre os tipos de comportamentos que expressam notavelmente a humanidade afastada de Deus. Esse resultado exegético coloca amarras estreitas na visão sobre a homossexualidade que uma Igreja sob a autoridade das Escrituras pode ter. As afirmações bíblicas sobre este assunto simplesmente representam o resultado negativo à visão positiva da Bíblia sobre o propósito da criação do homem e da mulher como seres sexuais.

Estes textos que são negativos em relação ao comportamento homossexual não lidam simplesmente com opiniões marginais que pudessem ser negligenciadas sem prejuízo à mensagem cristã como um todo. Ainda mais, as afirmações bíblicas sobre a homossexualidade não podem ser relativizadas como expressões de uma cultura que hoje está ultrapassada. O testemunho bíblico era deliberadamente oposto à cultura que o circundava em nome da fé no Deus de Israel, que, na criação, designou o homem e a mulher para uma identidade particular.

Aqueles que advogam uma mudança na visão da Igreja sobre a homossexualidade geralmente apontam que as afirmações bíblicas não estavam cientes de modernas e importantes evidências antropológicas. Essa nova evidência, dizem, sugere que a homossexualidade deve ser vista como um constituinte da identidade psicossomática das pessoas homossexuais anterior a qualquer expressão sexual. (Para o bem da clareza é melhor falar aqui de uma inclinação homofílica como distante da prática homossexual.) Tal fenômeno ocorre não somente em pessoas ativas na homossexualidade. Mas a inclinação não precisa ditar a prática. É característica dos seres humanos que nossos impulsos sexuais não estão confinados a um âmbito do comportamento separado; eles permeiam nosso comportamento em toda área da vida. Isso, é claro, inclui as relações com pessoas do mesmo sexo. Entretanto, justamente porque as motivações eróticas estão envolvidas em todos os aspectos do comportamento humano, nós temos a tarefa de integrá-los ao todo da nossa vida e conduta.

A simples existência de inclinações homofílicas não leva automaticamente à prática homossexual. Ao invés, essas inclinações podem ser integradas numa vida na qual elas são subordinadas ao relacionamento com o sexo oposto onde, de fato, o assunto da atividade sexual não deveria ser o centro determinante da vocação e vida humanas. Como o sociólogo Helmut Schelsky corretamente colocou, uma das realizações do casamento como uma instituição é o aproveitamento da sexualidade humana a serviço de objetivos e tarefas posteriores.

A realidade das inclinações homofílicas, portanto, não precisam ser negadas e não devem ser condenadas. A questão, entretanto, é como lidar com tais inclinações dentro da tarefa humana de dirigir nosso comportamento de maneira responsável. Esse é o problema real; e é aqui que devemos lidar com a conclusão que a atividade homossexual é um desvio da norma para o comportamento sexual que foi dada aos homens e mulheres como criaturas de Deus. Para a Igreja esse é o caso não só da atividade homossexual, mas de qualquer atividade sexual que não tem como objetivo o casamento entre homem e mulher, em particular o adultério.

A Igreja tem que viver com o fato de que, nessa área da vida como em outras, desvios da norma não são excepcionais mas, antes, comuns e difundidos. A Igreja deve lidar com todos os envolvidos com tolerância e compreensão, mas também levá-los ao arrependimento. Ela não pode abandonar a distinção entre a norma e o comportamento que se desvia da norma.

Aqui estão os limites de uma Igreja cristã que está sujeita à autoridade das Escrituras. Aqueles que argumentam que a Igreja deve mudar esta norma devem estar cientes que estão promovendo divisões. Se uma igreja fosse se deixar levar ao ponto onde deixasse de tratar a atividade homossexual como um desvio da norma bíblica e reconhecesse as uniões homossexuais como uma parceria pessoal de amor equivalente ao casamento, tal igreja não mais estaria sobre bases bíblicas, mas contra o testemunho inequívoco das Escrituras. Uma igreja que desse esse passo deixaria de ser a Igreja una, santa, católica e apostólica.

Esclarecimento
: no mesmo momento em que foi publicada esta tradução aqui neste blog, outro blog,
o BlogFiel, produziu outra tradução do mesmo artigo que pode ser vista aqui:
http://blogfiel.com.br/2010/03/devemos-apoiar-o-casamento-gay-nao/
Apesar da coincidência as traduções são diferentes e, portanto, tiveram tradutores diferentes.


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quando Cosmovisões Colidem: C.S.Lewis e Freud - Parte I de II

Armand Nicholi


Série de palestras que deram origem ao livro acima.

Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
DespertaiBereanos.blogspot.com
Dr. Armand Nicholi é professor da Escola de Medicina de Harvard há 20 anos. Ele também ministra um curso popular na Universidade de Harvard sobre as cosmovisões contrastantes de Sigmund Freud e C.S.Lewis.


C.S. Lewis e Sigmund Freud: uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte.

O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. A parte dois aparece na The Real Issue de Março de 1998 e aborda a mudança de cosmovisão de Lewis e sua conversão

As cosmovisões de Sigmund Freud e C.S. Lewis, ambas predominantes na nossa cultura hoje, apresentam interpretações diametralmente opostas de quem nós somos, nossa identidade, de onde viemos, de nossa herança cultural e biológica e de nosso destino. Primeiro, vamos arrumar as bases para nossa discussão fazendo três perguntas. Quem é Sigmund Freud? Quem é C.S.Lewis? E o que é uma cosmovisão?

Poucos homens influenciaram mais a estrutura moral de nossa civilização do que Sigmund Freud e C.S. Lewis. Freud foi o médico Vienense que desenvolveu a psicanálise. Muitos historiadores colocam suas descobertas ao lado das de Plank e Einstein. Suas teorias proveram um novo entendimento sobre como nossas mentes funcionam. Suas idéias permeiam diversas disciplinas incluindo a medicina, literatura, sociologia, antropologia, história e o direito. A interpretação do comportamento humano no direito e na crítica literária é profundamente influenciada pela suas teorias. Seus conceitos estão tão permeados na nossa linguagem que nós usamos termos como repressão, complexo, projeção, narcisismo, ato falho e rivalidade fraterna sem sequer nos apercebemos de sua origem.

Devido ao inegável impacto de seu pensamento na nossa cultura, os estudiosos se referem a esse século como o "século de Freud". Por que isso? À luz do que sabemos hoje, Freud é continuamente criticado, desacreditado, e difamado; ainda assim sua figura continua a aparecer em capa de revistas e artigos de primeira página em jornais como o The New York Times. As recentes pesquisas históricas intensificaram o interesse nas controvérsias em torno de Freud e seu trabalho. Como parte de seu legado intelectual, Freud defendeu veementemente uma filosofia de vida secular, materialista e ateísta.

Apesar do fato de C.S.Lewis ter conquistado reconhecimento intelectual muito antes de sua morte em 1963, seus livros acadêmicos e populares continuaram a vender milhões de cópias por ano e sua influência continua a crescer. Durante a Segunda Guerra Mundial, os pronunciamentos de Lewis no rádio fizeram sua voz a segunda mais reconhecida na BBC perdendo apenas para Churchill. Nos anos que se seguiram, a foto de Lewis apareceu na capa da Times e outras revistas importantes.

Hoje, a grande quantidade de livros pessoais, biográficos e literários sobre Lewis, o grande número de sociedades sobre C.S.Lewis em universidades; os periódicos e jornais sobre C.S.Lewis; como também o recente filme e peça sobre sua vida confirmam o sempre crescente interesse nesse homem e na sua obra. Como um jovem membro da universidade de Oxford, Lewis mudou de uma visão secular e ateísta para uma espiritual; uma cosmovisão que Freud frequentemente atacava, mas a qual Lewis abraçou e definiu em muitos de seus escritos após a conversão. Tanto Lewis quanto Freud possuíam dons literários extraordinários. Freud ganhou o prêmio Goethe de literatura em 1930. Lewis, que ensinou em Oxford e foi catedrático de Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge, produziu alguns dos maiores criticismo literários e possui uma grande quantidade de livros acadêmicos e de ficção vastamente lidos.

Cosmovisões conflitantes.

Agora, sobre a questão da definição de "cosmovisão". Em 1933, numa preleção chamada "A questão da Weltanschauung," Freud definiu cosmovisão como "uma construção intelectual que resolve todos os problemas de nossa existência, uniformemente, sobre o fundamento de uma hipótese dominante."

Todos nós, quer nos apercebamos ou não, temos uma cosmovisão; temos uma filosofia de vida, nossa tentativa de fazer nossa existência ter sentido. Ela contêm nossas respostas às principais questões que dizem respeito ao sentido de nossas vidas, questões que nos perturbam em algum período de nossas vidas, e que nós frequentemente pensamos apenas quando acordamos às três da manhã. O resto do tempo que estamos sozinhos nós temos o rádio e a televisão ligados que impedem que fiquemos sozinhos com nós mesmos. Pascal dizia que a única razão de nossa infelicidade é que nós não conseguimos ficar sozinhos num quarto. Ele alegou que nós não gostamos de confrontar a realidade de nossas vidas; a condição humana é tão basicamente infeliz que nós fazemos de tudo para nos distrair de pensar nisso.

O vasto interesse e permanente influência das obras de Freud e Lewis se originam nem tanto de seus estilos literários singulares, mas mais do apelo universal que tem as questões que eles trabalharam; questões que permanecem extraordinariamente relevantes às nossas vidas pessoais e à nossa crise social e moral contemporânea.

A partir de visões diametralmente opostas, eles falaram sobre questões como, "Há sentido e propósito para a existência?" Freud diria, "Certamente não! Não podemos nem, do nosso ponto de vista científico, abordar a questão de se há ou não sentido para a vida." Mas ele afirmaria que se você observar o comportamento humano, perceberá que o principal propósito da vida parece ser a conquista da felicidade e do prazer. Assim Freud delineou o "principio do prazer" como uma das principais características de nossa existência.

Lewis, por outro lado, disse que o sentido e propósito são encontrados na compreensão do porquê estamos aqui em relação ao Criador que nos fez. Nosso propósito principal é estabelecer um relacionamento com esse Criador. Freud e Lewis também discutiram as fontes da moralidade e da consciência. Todos os dias nós acordamos e fazemos uma série de decisões que nos sustentam ao longo do dia. Essas decisões são geralmente baseadas no que nós consideramos que é certo: o que nós valorizamos, nosso código moral. Decidimos estudar com afinco e não usar as idéias de outras pessoas, por que de alguma forma isso é parte de nosso código moral. Já Freud disse que nosso código moral vem da experiência humana, como nossas leis de tráfego. Nós fazemos os códigos por que eles são convenientes para nós. Em algumas culturas você dirige na esquerda, em outras você dirige na direita.

Mas Lewis discordaria disso. Ele disse que apesar das diferenças culturais, há um código moral básico que transcende a cultura e o tempo. Essa lei não é inventada, como as leis de tráfego, mas é descoberta, como as verdades matemáticas. Então, Freud e Lewis tinham um entendimento completamente diferente da fonte da verdade moral.

Lewis e Freud também falaram sobre a existência de uma inteligência além do universo; Freud disse "Não", Lewis disse "Sim". Suas visões os levaram a discutir o problema dos milagres na era científica. Freud alegou que os milagres contradizem tudo que aprendemos através da observação empírica, eles não ocorrem de fato. Entretanto, Lewis perguntaria; "Como sabemos que eles não ocorrem? Se há alguma evidência, a filosofia que você trás para interpretar a evidência determina como você interpretará." Então, de acordo com Lewis, nós precisamos entender se nossa filosofia exclui os milagres e, portanto, afeta nossa interpretação da evidência.

Tanto Freud quanto Lewis falaram muito sobre a sexualidade humana. Freud considerava todo tipo de amor uma forma de sexualidade sublimada, até mesmo o amor entre amigos. Lewis disse que qualquer um que pense que a amizade é baseada em sexualidade nunca teve um amigo realmente.

Eles também discutiram o problema da dor e do sofrimento. Freud era extremamente perturbado por esse problema, e Lewis escreveu alguns maravilhosos livros que ajudam a explicar o problema do sofrimento que todos nós experimentamos. O Problema do Sofrimento [Editora Vida] é uma discussão bastante intelectual da questão. Quando a mulher de Lewis morreu, ele escreveu Anatomia de uma dor [Editora Vida], que eu recomendo enfaticamente. As pessoas da minha área dizem que esse é o melhor trabalho sobre o processo de luto.

E, é claro, ambos discutiram o que Freud chamou de "O doloroso mistério da morte". Mas eu voltarei a isso mais tarde. Cada uma das questões que eu abordei são filosóficas por natureza. É significante notar que os trabalhos filosóficos de Freud tiveram mais influência na secularização da cultura do que seus trabalhos científicos. Eu vou discutir dois desses temas.

Deus em Questão

Primeiro, a existência de uma inteligência para além do universo, o que os cientistas modernos chamam de "A questão de Deus". Norman Ramsay, professor de física de partículas em Harvard, ganhou o Prêmio Nobel de Fìsica em 1989. Ele me disse recentemente que mesmo em seu campo, os cientistas tem se tornado interessados na questão de se há ou não uma inteligência para além do universo. Ele disse que é uma área de interesse relativamente recente para eles e que tem sido provocada principalmente pela aceitação da teoria do Big Bang. Eu repliquei dizendo que eu não entendi bem a relação. Ele disse, "Bem, quando acreditava-se que o universo não tinha começo era mais fácil, pois ninguém tinha que se preocupar com o que veio antes. Mas desde que alguém aceita a idéia de que o universo teve um inicio num ponto especifico do tempo, tem que pensar também sobre o que ocorreu antes. Então os físicos agora estão pensando sobre questões que somente teólogos e filósofos pensaram no passado."

Ao olharmos para o mundo ao nosso redor, nós fazemos uma de duas suposições: ou vemos o mundo como um acidente e nossa existência neste planeta como uma questão de pura chance, ou presumimos alguma inteligência para além do universo que não só provê ao universo um desenho e ordem, mas também provê sentido e propósito à vida. Como vivemos nossas vidas, como terminamos nossas vidas, o que percebemos, como interpretamos o que percebemos, tudo é formado e influenciado consciente ou inconscientemente por uma dessas duas suposições básicas.

Tendo isso em mente, Freud dividiu todas as pessoas entre "crentes" e "descrentes". Descrentes incluem todos aqueles que se consideram cínicos, céticos, escarnecedores, agnósticos ou ateus. Crentes incluem o resto, cuja crença varia desde um mero assentimento intelectual de que há algo ou alguém além deste mundo até aqueles como Lewis, Agostinho, Tolstoy e Pascal que tiveram uma experiência transformadora depois da qual sua fé se tornou o principal princípio motivador e organizador de suas vidas.

Freud foi de encontro, clara e enfaticamente, à noção de que há "Alguém" além deste mundo. Ele descreve sua cosmovisão como secular e a chama de "cientifica", e ele alegou que não há nenhuma outra fonte de conhecimento do universo que não seja "a cautelosa observação, o que chamamos de pesquisa." Logo, nenhum conhecimento, ele disse, pode ser derivado de revelação ou intuição. Ele afirmou que a noção do universo criado por um ser "parecido com o homem mas exaltado em cada aspecto, um super homem idealizado, reflete a grotesca ignorância dos povos primitivos." Ele afirmou que nenhuma pessoa inteligente pode aceitar os absurdos da cosmovisão religiosa.

Freud descreveu o conceito de Deus como uma simples projeção do desejo infantil de proteção por um pai todo-poderoso. Ele acrescentou que "a religião é uma tentativa de controlar o mundo sensorial, no qual estamos situados, por um mundo que desejamos que é desenvolvido dentro de nós como um resultado de anormalidades biológicas e psicológicas."

Ele concluiu que a visão religiosa é "tão patética e absurda e... infantil que é humilhante e vergonhoso pensar que a maioria das pessoas jamais se sobreporão a isso." Apenas por um breve período quando era estudante sob a orientação de um brilhante filósofo chamado Franz Brentano, um crente devoto, Freud duvidou de seu ateísmo, mas ele afirmou que continuou descrente pelo resto de sua vida. Um ano antes de sua morte, Freud escreveu para Charles Sanger, "Nem na minha vida privada nem nos meus escritos eu deixei em segredo o fato de ser um completo descrente."

Quando examinamos o relato cuidadosamente nós descobrimos que Freud talvez não estivesse tão certo de seu ateísmo quanto ele proclamava. Certamente ele se referia a si mesmo frequentemente como "um Judeu infiel" e ele rejeitou completamente a visão religiosa do universo, especialmente a visão Judaico-Cristã. Ele certamente atacou essa visão com todo seu poderio intelectual e de todas as perspectivas possíveis. Mas ainda assim, por alguma razão ele permaneceu ocupado com estas questões; ele simplesmente não conseguia deixá-las de lado. Ele passou os últimos trinta anos de sua vida escrevendo sobre tais questões.

Num estudo autobiográfico ele disse que essas questões filosóficas e religiosas o interessaram por toda sua vida desde sua juventude. Um grande número de evidências revelam que a cosmovisão de Freud não o deixavam confortável. A fé, de forma alguma, era caso concluído para ele, e ele era extremamente ambivalente quanto à existência de Deus.

Anna Freud, filha e Freud que faleceu há alguns anos atrás, me explicou a única forma de conhecer seu pai: "Não leia suas biografias;" ela instruiu, "leia suas cartas." Por todas suas cartas, Freud faz afirmações como, "Se algum dia nós nos encontrarmos lá em cima", "minha única, e secreta oração," e afirmações sobre a graça de Deus. Durante os últimos trinta anos de sua vida, Freud manteve uma constante troca de centenas de cartas com o teólogo Suiço, Oskar Pfister. É interessante notar que sua correspondência mais longa foi exatamente com este teólogo. Ele admirava Pfister e escreveu, "Você é um verdadeiro servo de Deus... que sente a necessidade de fazer um bem espiritual para todos que você encontra. Você fez isso por mim também." Ele, posteriormente, disse que Pfister estava, "na honrosa posição de poder levar homens à Deus."

Será isso apenas formas de expressão? Poderíamos dizer isso de qualquer um, menos de Freud, que alegava que mesmo um ato falho da fala tem um sentido.

O Problema da Dor e do Sofrimento

Eu tenho estudado os escritos de Freud como também suas cartas por muitos anos e eu concluí que o principal obstáculo que Freud tinha com a idéia de um ser inteligente além do universo era sua incapacidade de conciliar um Deus bom e todo-poderoso com o sofrimento que todos nós experimentamos em certa intensidade. Numa carta para Pfister, em 1928, Freud escreveu, "E por último, deixe-me ser indelicado. Como diabos você concilia tudo que experimentamos e esperamos nesse mundo com sua suposição de um ordem moral mundial?" E depois, numa preleção em 1944, ele disse: "Não parece ser o caso de haver um poder no universo que observa o bem-estar dos indivíduos com cuidado paternal e dirige seus interesses em direção à um final feliz. Pelo contrário, os destinos da raça humana não podem ser harmonizados nem com a hipótese de uma benevolência universal nem com a parcialmente contraditória hipótese de justiça universal. Terremotos, tsunamis, complicações que não fazem nenhum distinção entre os virtuosos e piedosos e os imorais e descrentes. Mesmo quando o que está em questão não é a natureza inanimada, mas quando o destino individual depende de suas relações com outras pessoas, não é de maneira alguma a regra de que o mal é punido e o bem recompensado. Frequentemente são os espertos e impíos que usufruem das boas coisas do mundo e o piedoso não usufrui de nada. São poderes obscuros, insensíveis e sem amor que determinam nosso destino. Os sistemas de recompensas e punições, que a religião descreve como governo do universo, parece não existir." Eu me pergunto quantos de nós pelo menos uma vez não nos sentimos assim. Freud parecia não estar ciente, é claro, de que na cosmovisão Biblíca o governo do universo está temporariamente em mãos inimigas. Antes de Anna Freud falecer, eu lhe perguntei sobre a dificuldade de seu pai com o problema do sofrimento, e ela expressou grande curiosidade em relação a isso. Num determinado momento ela me disse, "Como você explica o sofrimento no mundo? Há alguém lá em cima que diz, 'Você terá câncer. Você tuberculose', e distribui adversidades?" Eu disse que não sabia exatamente como responder à pergunta, mas eu sei que ela respeitava Oskar Pfister. Eu disse que pessoas como Pfister descreveriam a presença de um poder maligno no universo que é responsável por parte do sofrimento. Anna pareceu interessada nessa noção e voltou frequentemente a ela na nossa conversa. Devemos lembrar que Freud sofreu consideravelmente em sua vida, emocionalmente como um Judeu crescido na profundamente Católica Viena, e fisicamente com o câncer intratável na boca com o qual ele lutou por dezesseis anos de sua vida. Os procedimentos médicos não eram bem desenvolvidos na época e o causaram uma grande dose de dor física. Então precisamos ter isso em mente quando tentamos entender como ele se sentia. C.S.Lewis, ao longo da primeira metade de sua vida, também se descreveu, como Freud, como um "completo descrente". Se Freud duvidou de sua descrença quando estava na faculdade, Lewis se regozijava na sua descrença quando estudante em Oxford. Ele expressou um forte cinismo e hostilidade em relação à pessoas que ele chamava de "crentes" e compartilhava do pessimismo de Freud em relação a vida. Quando tinha trinta e três anos, já um membro popular de Oxford, Lewis experimentou uma profunda e radical mudança em sua vida e em seu pensamento. Ele rejeitou a cosmovisão materialista e ateísta e abraçou uma forte fé em Deus e em Jesus Cristo. Essa conversão de uma cosmovisão para outra começou uma fonte inesgotável de livros acadêmicos e populares que influenciaram milhões de pessoas.


Na segunda parte de Quando Cosmovisões Colidem, o Dr. Armand Nicholi discute as visões de C.S. Lewis sobre a vida, a dor e a morte. Aguardem...


Traduzido do original, disponível em: http://www.leaderu.com/real/ri9801/nicholi.html

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Sexo, Repressão e Supressão

"Lewis destacava, com perspicácia, que precisamos entender o que Freud quer dizer quando se refere ao excesso de repressão, como gerador de sintomas neuróticos. Não devemos, escreve Lewis, confundir o termo "repressão" com "supressão" - como tantos em nossa cultura tendem a fazer. A palavra "repressão" é um termo técnivo que se refere a um processo inconsciente que, quando excessivo, pode ocasionar sintomas como esses. A repressão excessiva, frisa Lewis com precisão, usualmente ocorre cedo na vida, e quando ela ocorre, não temos consciência desse acontecimento: "A sexualidade reprimida não parece sexualidade nenhuma para o paciente". Já a supressão, por outro lado, é o controle consciente dos nossos impulsos. Ao confundir os dois, muitos [integrantes] da nossa cultura concluem que qualquer tipo de controle de impulsos sexuais faça mal à saúde. Lewis argumenta que isso é bobagem. Na realidade a falta de controle é que faz mal à saúde. Lewis escreve: "a entrega a todos os nossos desejos obviamente leva à... doença, à inveja, à mentira, à dissimulação e a tudo que é contrário à saúde... Qualquer felicidade, mesmo desse mundo, exige bastante moderação..."
Na nossa cultura, a mídia contribuiu para a confusão entre a repressão e a supressão. "De imagem em imagem, de filme em filme, de novela em novela", nota Lewis, "passamos a associar a idéia de indulgência sexual às noções de saúde, normalidade, juventude, franqueza e bom humor". Ele alega que essa associação gera uma falsa impressão e é uma mentira. "Como todas as mentiras poderosas", explica Lewis, "ela se baseia na verdade... de que o sexo em si mesmo... seja 'normal' e 'saudável'... A mentira consiste na sugestão de que qualquer ato sexual para o qual você possa ser tentado no momento também seja saudável e normal"."

Deus em Questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida - Armand Nicholi. pg 149.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Por que Esperar Pelo Sexo? Uma Análise das Mentiras que Nós Enfrentamos


por Alice Fryling
Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
DespertaiBereanos.blogspot.com



A História nos ensina que as pessoas acreditam no que elas querem ouvir. Mentiras podem soar muito verdadeiras quando as pessoas estão famintas por verdade. Até mesmo sociedades inteiras se deleitam em mentiras. A inquisição foi baseada na mentira de que algumas pessoas poderiam forçar outras a mudar suas crenças religiosas. Colonizadores Americanos acreditavam na mentira de que uma raça tinha o direito de possuir, comprar e vender pessoas de outras raças. Mais recentemente, centenas de milhares de pessoas acreditaram na mentira de Hitler de que a raça Judaica deveria ser erradicada. Muitos de nós mal pode imaginar como alguém pode ter crido nessas mentiras. Mas ainda assim nós engolimos outras mentiras o tempo todo.

Nossa sociedade está faminta por intimidade. E muitas das mentiras que acreditamos na nossa cultura têm a ver com nossa fome por relacionamento. Nós queremos aceitação, relacionamentos amorosos e intimidade profunda, e ainda acreditamos na mentira de que o sexo vai satisfazer nossa fome. É verdade que somos seres profundamente sexuais, mas é hora de examinar algumas das mentiras em que nos deleitamos: a mentira de que o sexo pré-matrimonial é um dos nossos direitos inalienáveis, a mentira de que o intercurso sexual é o caminho para intimidade, e a mentira de que a abstinência pré-matrimonial é, no mínimo, obsoleta e repressiva na pior das hipóteses. Isso é tudo mentira.

Compramos essas mentiras por que somos pessoas famintas. Nós somos pessoas que necessitam de amor, de toque e compreensão num mundo de laços familiares destituídos e disfunção epidêmica. Nossos desejos certamente não são novos; são tão antigos quanto a humanidade. A diferença é que no mundo hoje as pessoas estão tentando satisfazer essas necessidades das formas mais estranhas possíveis: através de máquinas (TV’s, CD players, e computadores), através de esportes, posses materiais, instituições e sexo. Especialmente através do sexo. “Experimente pelo menos uma vez e você será satisfeito.” “Procure variedade e você não vai se entediar.” “Uma vida sem sexo é uma vida sem afeto.” A experiência sexual se tornou um direito pessoal, uma necessidade que precisa ser satisfeita e uma norma que precisa ser aceita.

A tragédia de tudo isso é que as pessoas estão morrendo de inanição emocional, e estão procurando pelos alimentos errados. E quero identificar sete mentiras que nossa sociedade criou sobre o sexo. A verdade é que o sexo fora do casamento não é tudo isso que parece ser. Não há pode de ouro no final do arco-íris.


Mentira #1: Sexo cria intimidade. Sexo é uma expressão de intimidade, não um meio para se conquistar intimidade. A verdadeira intimidade frui da comunhão verbal e emocional. Verdadeira intimidade é construída sobre um compromisso de honestidade, amor e liberdade. Verdadeira intimidade não é primariamente a relação sexual. Intimidade, na verdade, não têm quase nada a ver com os órgãos sexuais. Uma prostituta expõe seu corpo para muitos, mas isso certamente não gera intimidade.

Intercurso sexual pré-matrimonial, na verdade, pode esconder falta de intimidade. Donald Joy escreve que iniciar a prática sexual prematuramente causa um curto-circuito no processo de criação de vínculos emocionais. Ele cita um estudo com 100.000 mulheres que liga a experiência sexual precoce com insatisfação nos seus casamentos atuais, infelicidade com o nível de intimidade sexual e um predomínio de baixa auto-estima (Christianity Today, Outubro 3, 1986)

Mentira #2: Começar a relação sexual cedo no relacionamento ajuda no processo de conhecimento mútuo e a se tornarem melhores parceiros mais tarde. Intercurso sexual e intensa exploração física cedo no relacionamento não reflete o sexo na sua melhor forma. Claro que há prazer sexual para aqueles que iniciam a experiência sexual pré-matrimonial. Mas eles estão perdendo o melhor caminho para a felicidade matrimonial. Sexo é uma arte que é mais bem aprendida se desenvolvida dentro da segurança do casamento. Eu me encontrei, uma vez, com uma estudante cuja frustração com suas relações sexuais a motivou a vencer a vergonha e me perguntar na cara dura: “O sexo dentro do casamento é tão ruim quanto fora do casamento?” Ela chegara ao fim do arco-íris, procurando pelo pote de ouro, e encontrou apenas desilusão.

Quando a intimidade física irrestrita domina o relacionamento, outras partes do relacionamento sofrem. Em casamentos saudáveis, o sexo não é principal mas é colocado ao lado dos aspectos intelectual, emocional e prático da vida. Cônjuges passam menos tempo na cama do que conversado, resolvendo problemas, e em comunhão emocional. A mentira de que o sexo pré-matrimonial nos prepara para o casamento nega o fato de que a felicidade sexual se desenvolve somente através de anos de relacionamento intimo. O ápice do prazer sexual, dizem os psicólogos, geralmente vêm após dez a vinte anos após o casamento.

O bom sexo começa na mente. Depende do conhecimento intimo de seu parceiro. A Bíblia usa a palavra “conhecer” para descrever o intercurso sexual: “Adão conheceu sua esposa Eva e ela concebeu...” (Genêsis 4:1). Essa escolha de palavras eleva a sexualidade humana de mero sexo animal onde a disponibilidade é o principal requisito para uma completa e intima expressão de amor e compromisso.

Mentira #3: Sexo casual sem compromisso é divertido e libertador. Aqueles que decidem por relacionamentos sexuais rápidos estão se decidindo por um sexo que não satisfaz. O jornalista George Leonard observa que “recreação sexual casual é dificilmente um deleite – nem mesmo um farto sanduíche. É dieta de fast-food servida em marmitas. Os deleites da vida estão disponíveis apenas para aqueles que estão desejosos e dispostos a encarar a vida num nível pessoal profundo, entregando tudo, sem esperar nada em troca.” (citado por Joyce Hugget em Dating, Sex & Friendship, InterVarsity Press, p.82.) Para a mulher, particularmente, o sexo pode revelar medos escondidos e falta de confiança. O bom sexo – que pode ser um agente de cura ao longo do tempo – requer confiança, confiança que é desenvolvida melhor no contexto de um compromisso irrevogável de casamento.

Mentira #4: Se você não expressar sua sexualidade livremente, você deve ser recalcado, doente ou afetado. Esse é uma mentira que pode ser muito intimidante, mas o fato é que sexo precoce é nocivo para a saúde emocional, física e cultural. A edição de Fevereiro de 1991 do Journal of Pediatrics relata que pesquisadores da Universidade de Indiana descobriram que adolescentes sexualmente ativos são mais propensos ao abuso de álcool e drogas ilícitas, e são mais propensos a terem problemas na escola. Eles relataram que meninas sexualmente ativas eram mais propensas à depressão, baixa auto-estima, solidão e tentativas de suicídio.

Sexo pré-matrimonial pode ser nocivo para a saúde emocional do seu futuro casamento. Deixa um parâmetro de comparações, suspeitas e desconfiança. “Eu sou tão atraente (ou sexualmente atraente) como sua(eu) última(o) parceira(o)?” “Se ela não esperou por mim antes de nos casarmos, porque eu acreditaria que ela se guarda apenas pra mim agora?” “Se alguém melhor se aproximar, será que serei abandonado?”

Sexo pré-matrimonial é nocivo também para sua saúde física. Doenças sexualmente transmissíveis têm recebido bastante atenção da mídia nos últimos anos. Tempo igual não têm sido dado a opinião de vários especialistas médicos de que a abstinência extra-conjugal é, sem dúvidas, a melhorar maneira de evitar essas doenças.

Promiscuidade sexual é, também, nociva para a saúde de nossa civilização. Um estudo com mais de oitenta sociedades das mais primitivas e antigas até as mais modernas revelou “uma invariável correlação entre o nível de restrições sexuais e o nível de progresso social. Culturas mais permissivas sexualmente apresentaram menor energia cultural, criatividade, desenvolvimento intelectual e individual, e uma ascensão cultural mais lenta...´(Reo Christenson, Christianity Today, Fevereiro 19, 1982). Por que, então, nós – como indivíduos e sociedade – trocamos nossa energia, criatividade, e desenvolvimento intelectual pelo prazer sexual momentâneo? Porque nós temos crido numa mentira.

Mentira #5: Sexo é liberdade. Sexo pré-matrimonial é dificilmente uma expressão de liberdade. Jovens que se tornam sexualmente ativos em resposta à pressão de ter que ser sofisticado e independente na verdade se tornam vitimas da opinião pública. Ninguém está realmente livre se está pessoa se envolve em qualquer atividade para impressionar a maioria.


Mentira #6: Certamente Deus compreende que esse é o século 21! Como pode estar errado aquilo que a sociedade diz que é normal? As Escrituras são claras ao mostrar a relação sexual extraconjugal como pecado. Mesmo se não tivéssemos nenhuma outra evidência, a Palavra de Deus deixa claro que o sexo fora do casamento não é apenas ruim para nós mesmos, mas é também errado. No sétimo mandamento aos Israelitas, Deus disse “Não adulterarás” (Êxodo 20:14). Jesus foi ainda mais inclusivo ao descrever o mal que jaz dentro de nossos corações, incluindo a “imoralidade sexual” (Marcos 7:21). Paulo exortou os Coríntios a “se absterem da imoralidade sexual” (veja 1 Coríntios 6:18-19), e aos Efésios ele disse que entre eles não deveria haver sequer “menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza ou de cobiça pois essas coisas não são próprias aos santos.” (Efésios 5:3). O autor da carta aos Hebreus escreveu, “Honrado seja, entre todos, o matrimônio e o leito sem mácula; pois aos devassos e adúlteros, Deus os julgará.” (Hebreus 13.4)


Eu não creio que Deus nos deu essas regras por ser um estraga prazeres. Mas muito pelo contrário, porque Deus nos criou e porque ele nos ama mais do que podemos imaginar, ele nos revela como ter a melhor e mais satisfatória vida sexual: dentro do casamento. Aí que o sexo é divertido! Abstinência pré-matrimonial e fidelidade matrimonial não é uma negação dos meus direitos ou meus prazeres. É escolher experimentar o sexo no contexto mais saudável e feliz possível.


Mentira #7: Por que esperar? Como você pode saber com certeza que esperar é melhor? Talvez não valha a pena esperar. Talvez seja melhor experimentar as oportunidades que você surgirem. Obediência aos mandamentos de Deus inclui confiar que ele sabe o que é melhor para nós – mesmo quando nós não entendemos totalmente seus motivos. As escolhas que nós fazemos no nosso comportamento sexual requerem fé em verdades que podemos não entender. Deus exigiu que os Israelitas obedecessem a dezenas de leis, muitas das quais eram boas para a saúde do povo mesmo eles não sabendo o por quê. Veja um exemplo de Levítico 15:2, 9-10 “Esta, pois, será a sua imundícia, por causa do seu fluxo; se a sua carne vasa o seu fluxo ou se a sua carne estanca o seu fluxo, esta é a sua imundícia... também toda a sela, em que cavalgar o que tem o fluxo, será imunda, e qualquer que tocar em alguma coisa que esteve debaixo dele, será imundo até à tarde; e aquele que a levar, lavará as suas roupas, e se banhará em água, e será imundo até à tarde”. Milhares de anos atrás, ninguém havia ouvido falar de germes e micro-organismos que transmitiam doenças. Se algum jovem tivesse reclamado da injustiça de Deus ao não deixá-lo montar o mesmo cavalo que o seu amigo que teve o fluxo, teria ele entendido se Deus tivesse explicado as doenças venéreas para ele em detalhes científicos? Não é provável. Da mesma forma, existem razões espirituais, emocionais, físicas e psicológicas para Deus ter limitado o intercurso sexual ao casamento. Alguns das razões estão além do nosso entendimento. Nós simplesmente devemos crer que Deus sabe o que é melhor para nós.


Quando vivemos dentro dos limites de Deus, nós vivemos pela fé num Deus amoroso. Pureza sexual é uma expressão de nossa confiança na bondade de Deus, uma indicação da nossa confiança em Jesus. “Vós sereis meus amigos” disse Jesus” “ se fizerdes o que eu vos mando” (João 15.14). “Fé é a certeza das coisas que se não vêem, e a convicção de fatos que se esperam” (Hebreus 11.1). Viver pela fé significa aplicar essa definição de fé a situação vivida. Nós exercitamos fé e obediência, não por causa do que sabemos, mas por causa da pessoa que nós amamos, o próprio Jesus. Mas podemos aprender através de pessoas que já fizeram suas escolhas. Eu perguntei à minha amiga Liz, uma psicoterapeuta, ‘Com qual freqüência você vê pacientes que gostariam de não ter explorado sua sexualidade tão antes do casamento?” “Ah, freqüentemente,” ela disse. Então eu perguntei, “E com que freqüência você vê pacientes que gostariam de ter ido além na intimidade sexual antes do casamento?” Seus olhos se abriram, e ela olhou pra mim surpresa e enfaticamente, “Nunca!” Essa é uma das grandes questões de fé na vida.


Se você decidir esperar, isso exigirá de você uma grande coragem e muita força. Se você decidir não esperar, você nunca saberá o que perdeu. Você não pode seguir pelos dois caminhos. Ninguém pode provar que a abstinência pré-matrimonial funciona. Eu acredito que as evidências médicas, psicológicas, e sociológicas apóiam a posição de que o sexo fora do casamento não é bom para nós. Mas em última instância, é uma questão de fé. Para homens e mulheres cristãos no final do século vinte, as escolhas que fazemos em relação ao nosso comportamento sexual podem ser uma das principais formas de Deus nos desafiar a crer. Nos atreveremos a ser diferentes? Nos atreveremos a confiar na veracidade da Palavra de Deus mesmo quando esta contradiz a maioria das mentiras ao nosso redor? Eu acredito que Deus está nos desafiando a ter esse tipo radical de fé


segunda-feira, 25 de junho de 2007

Mais sobre sofrimento...

Recebi diversos comentários ao meu último texto em comunidades do Orkut, e o que me chamou a atenção foi a falta de empatia dos cristãos com aqueles que sofrem e duvidam. Muitos parecem crer que o único culpado do sofrimento é o sofredor, e parecem pensar, aliás, pensam, que os cristãos são imunes ao sofrimento, o que contradiz toda a Bíblia. Esquecem que a vida dos maiores personagens Bíblicos foi marcada pelo sofrimento, e em boa parte, um sofrimento que para eles parecia incompreensivel - será que nunca leram Jó? Não só o crente sofre, como deve sofrer - Bem-aventurados os perseguidos - é o que diz a Bíblia. Pra finalizar, um versículo que fiz questão de decorar esses dias foi Judas 22: "E, compadecei-vos daqueles que estão na dúvida". Tão diferente do mundo de certezas evangélico, essa é a verdadeira fé, que só pode surgir aonde existe dúvida!

"Só considera que a morte é o maior dos males, quem é materialista e acredita que só existe esta vida física, que seria o bem supremo." Retirado do site Montfort

Segue aqui uma resposta que eu escrevi há um tempo atrás em um debate sobre Deus e o sofrimento:

A Maior parte do sofrimento humano é fruto do pecado, C.S.Lewis calculou que chega a 80% e Hugh Silvester a 95%.
Pecado no sentido de toda e qualquer desobediência a um mandamento de Deus. Pessoas matam, roubam, sequestram e cometem diversos outros pecados, e colhemos consequências. Inclusive a AIDS, é em grande parte fruto da sexualidade desenfreada dos dias de hoje. Esse é o preço de um mundo com livre-arbitrio. Inclusive boa parte dos desastres naturais não são caprichos da natureza, mas sim reações ao descuido do homem para com a natureza, efeito estufa, descongelamento das calotas polares etc, tudo culpa do homem. Existem ainda, o mal que não pode ser explicado tão facilmente, o 20 ou 5% de mal que não pode ser explicado pelo pecado, os desastres naturais que não são reações ao descuido humano, o mal da gazela que sofre nas garras dos leões, que talvez não tenham uma resposta conclusiva, porém, pode-se ainda argumentar usando a Lei Natural. Tem que haver um padrão para servir de comparação, tem que haver um Deus, tem que haver um paraíso, um lugar perfeito.

Entrando na esfera da fé, o cristianismo oferece, o que penso ser, a mais plausível explicação para o estado atual do mundo. Em uma era remota, a raça humana caiu. Portanto nós somos criaturas caidas que vivem em um mundo decaido, o paraíso foi perdido. E por isso o mal domina o mundo de hoje. Todos nascemos pecadores, é a doutrina do pecado original que segundo C.G.Jung "é incrivelmente verdadeira", basta abrir um jornal e veremos que o ser humano de fato tende ao pecado. Mito ou realidade, a verdade é que a doutrina do pecado original na prática se mostra muito verdadeira, pela condição humana, pela condição da natureza, pelo anseio que nós temos por um lugar como tudo é como deveria ser, um lugar perfeito, talvez, saudades de um paraíso uma vez perdido, e que um dia será reconquistado.

"Eu acredito no Cristianismo, assim como eu acredito que o Sol nasce todo dia, não só porque eu o vejo, mas porque através dele eu posso ver todas as outras coisas" C.S.Lewis

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O que estão fazendo com o nosso futuro?

Um exemplo do estado caótico de nossa sociedade

É difícil falar de moral nesse mundo sem ser taxado de moralista, ainda mais quando quem fala é um religioso. Tá bom, é verdade que tal preconceito tem seus fundamentos sólidos, afinal, o discurso dos religiosos é realmente moralista (que é diferente de discurso moral) e geralmente é hipócrita e insensível. Pregamos uma moralidade utópica que não praticamos, colocamos um fardo sobre os outros que nós não movemos com nem com um dedo. Além disso, quando um "crente" expõe sua moral, este geralmente o faz sobre bases metafísicas altamente especulativas, não que seja errado alguém orientar sua moralidade em torno de um príncipio absoluto sobrenatural, mas quando se trata da vida social e política, essa moralidade tem que ser traduzida em termos comuns a todos os cidadãos, ou seja, se somos contra a homossexualidade (que é diferente do homossexual) não podemos usar de nosso livro sagrado para fazer com que todos concordem conosco, antes devemos traduzir essa nossa crença em uma exposição racional e fundamentada para sustentar nossa posição.

É necessário sim falarmos de moral sem medo de sermos taxados de moralistas, um teólogo que evita falar de moral provavalmente é um alienado da situação em que o mundo se encontra. Me refiro à vivência no meio no qual a filosofia liberal é vista na prática. O convivio social entre os jovens é um exemplo, um exemplo prático que eu testemunho diariamente e que evita com que eu me seduza por toda essa ladainha que o liberalismo promete.

Mas onde eu quero chegar exatamente com toda essa enrolação é num fato que me chocou e indignou na semana passada ao zapear os canais de TV e parar naquilo que um dia até foi um canal interessante de se ver, a MTV. Se você quer testemunhar a situação em que a juventude atual se encontra, principalmente a norte-americana, basta um dia assistindo MTV, isso se você suportar tamanha futilidade.

Um programa especifíco que eu assisti na quinta-feira passada na MTV, foi A Shot At Love com Tila Tequila. Tila Tequila é uma modelo e cantora vietnamita de orientação bissexual - até ai nada que escandalize, afinal, se alguém ainda se escandaliza com bissexualismo está precisando se atualizar. O que me chocou foi o conteúdo do programa que até agora eu reluto em acreditar que o ser humano tenha chegado a tal ponto de imbecilidade. A Shot At Love é um reality-show onde a tal modelo decide entre 16 homens e 16 mulheres com quais ela vai "namorar "(namorar? preciso me atualizar!). As 32 pessoas ficam na casa da Tila Tequila (Tequila?) competindo em diversas provas ,das mais imbecis que se possa imaginar, para conquistar o "coração" da modelo. É aí que vemos o festival de idiotices, imbecilidades, futilidades etc e tal... Cada prova vale alguns momentos a sós com Tila, nos quais sobram sexualidade, "pegação" e sacanagem. Todos os 32 idiotas fazem coisas idiotas em nome do que eles chamam de amor (???). Somente no programa desta quinta-feira tive o desprazer de ver mulheres tatuando (isso, tatuagem definitiva) o nome da tal modelo no corpo como prova de amor (amor???). O outro em meio a juras de amor, prova seu sentimento andando descalço sobre cacos de vidro! É chocante testemunhar tamanha idiotice por um motivo ainda mais idiota! Mas que ráios fizeram com essa maltratada palavra "amor"? Isso foi apenas em menos de 1 hora de programa! Como não enxergar o futuro negro da nossa sociedade se é esse tipo de lixo que enfiam na cabeça dos adolescentes? As crianças hoje crescem sem o menor senso moral, sem o menor referencial moral, espiritual, de nada! Será que é muito falar que isso não passa de pura sacanagem? "Deus está morto" proferem os pensadores modernos, e é por isso que o mundo inteiro hoje fede, é o cheiro de um cadáver cósmico. Moralidade, por mais que os liberais não queiram assumir, sempre acompanhou a ascensão das grandes civilizações antigas e, da mesma forma, a imoralidade sempre acompanhou o declínio dessas mesmas civilizações.

A TV faz uma violenta apologética ao bissexualismo e qualquer um que ouse questionar os valores morais da nossa sociedade é taxado de moralista, problemático, recalcado - Freud se contorceria no túmulo se ouvisse o que fizeram com sua teoria. A supressão sexual, que é o controle consciente dos impulsos sexuais diferente do recalque (ou repressão), é necessária à nossa saúde física, emocional e espiritual e era exatamente esse o pensamento Freudiano. Pelos menos nós, cristãos, não deveríamos nos render à esses valores e idéias criados por uma sociedade cujo intento, pelo menos parece, é se auto-destruir.

Vale a pena ler esse trecho do livro Deus em Questão: C.S.Lewis e Freud debatem Deus, Sexo, Amor e o Sentido da Vida.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Os pegadores e as vagabundas



Recente pesquisa na Inglaterra revela que as mulheres de hoje têm 3 vezes mais parceiros do que suas avós. O resto é previsível: diz-se que tal atitude é normal e saudável e o homem que repudia é o preconceituoso... Meu comentário vem logo abaixo do texto.

É mais ou menos nisso que elas querem se transformar...
Retirado de Revista Época:


Jovens mulheres têm três vezes mais parceiros sexuais do que tinham suas avós na mesma idade, segundo uma pesquisa com 3 mil moças de até 24 anos na Inglaterra. A pesquisa revelou que elas já tinham feito sexo com, em média, 5,65 homens. Uma em cada dez entrevistadas disse ter ido para a cama com mais de dez parceiros. Assim que os dados foram divulgados no blog Sexpedia, da jornalista Fernanda Colavitti, em epoca.com.br, uma espécie de ódio machista se abateu contra aquelas que muitos chamavam de “vagabundas”. Os comentários raivosos refletem a reação sincera de muitos homens ao encontrar uma mulher livre para exercer seu desejo. No Ocidente, até os anos 70 a virgindade era o tabu. Era vergonhoso para um homem casar com defloradas. O hímen era exibido como troféu. Felizmente, esse tempo passou.

Agora, é como se os machistas usassem a quantidade de parceiros para rotular uma mulher como “direita” ou “fácil”. “Posso ser machista e antiquado, mas mulher que teve mais de cinco parceiros não merece respeito”, diz o comentário do internauta Juliano ao post no Sexpedia. “Não sou preconceituoso, mas me incomodaria casar com uma mulher que muita gente já provou”, afirma Ricardo. “Saudades de quando havia uma distinção entre mulheres corretas e vagabundas”, diz Evandro. “Não quero pegar resto dos outros”, escreve Renato.

É sintomático como essa atitude muda completamente quando entra em jogo o número de parceiras sexuais do homem. Aí, o “garanhão” de antigamente hoje se chama “pegador”. Bom de cama, contribui como macho para a reprodução da espécie, faz pose de experiente e conquista um indisfarçável respeito de seus pares masculinos. Mas a mulher que transa com muitos é logo tachada de “vagabunda”. Qual seria o número mágico de parceiros sexuais que transforma uma jovem normal em promíscua aos olhos machistas? Três, cinco, dez, 20? “O número não importa tanto”, diz o psicanalista Francisco Daudt. “O que mais apavora um homem nessa hora é o fantasma de, sem saber, criar um filho que não seja dele.”

Os homens mais agressivos com as mulheres livres sentem dificuldade de lidar com a ideia de que elas têm desejo sexual próprio. “É como se a virilidade deles fosse transferida para elas”, afirma o psicanalista Contardo Calligaris. São homens capazes de agredir uma mulher por estar de saia curta. A vida sexual deles costuma ser frustrante, limitada e triste.
O antigo “garanhão” virou “pegador”. Mas mulher com vários parceiros é tachada de “vagabunda”. É ridículo.

“Quando eles chamam a mulher de rodada, como um carro de terceira mão, isso não tem a ver com o uso de seu corpo, mas com o medo que ela desperta”, diz Calligaris. “O rapaz pensa: ela sabe fazer sexo melhor que eu. Meu desempenho será comparado ao de outros, mais experientes.” De acordo com a sexóloga Carmita Abdo, “vagabunda é aquela mulher que você quer, mas não te quer”. Aquela que transou com vários não estaria interessada em estabilidade. “Será que eu vou dar conta?”, pensa ele. Como se pudesse controlar a futura dor de uma rejeição ou troca.

Ninguém está sugerindo que é mais feliz quem faz sexo com muita gente, seja homem ou mulher. Mas as moças têm o direito de, caso queiram, experimentar o sexo com responsabilidade e sem culpa. Às vezes, elas próprias mentem. Em epoca.com.br, Luiza fez o seguinte comentário: “Tive de 20 a 25 parceiros e tenho 27 anos. Como sei que a maioria dos homens é machista, sempre digo que tive dois parceiros, o ex e o atual! Muitos homens são bobos. Outros não colocam o número de parceiros como fator determinante do caráter de uma mulher. Esses merecem respeito”.
Os machistas são exceção? Ou a maioria dos adolescentes e adultos de hoje pensa como eles? “Nos últimos anos, os adolescentes se tornaram muito mais caretas”, diz Calligaris. “Essa história de beijar dez ou 20 numa balada parecia ser uma continuação da liberação sexual. Nada disso. É superfície.” Para que insistir em saber quantos parceiros alguém teve no passado? Como diz Daudt, “se soubéssemos em detalhe a vida sexual que cada um leva, e as fantasias de cada um, ninguém ficaria com ninguém”.

Comentário meu:


"Estou para ver o homem que intenta casar que não se preocupe com o passado sexual de sua pretendente. Sinto muito, senhoritas, mas é a verdade. É claro que a virgindade não deve valer apenas para a mulher, mas, se o homem quer uma mulher, digamos, casta ele deve seguir o mesmo caminho. É a simples natureza humana. Infelizmente, a maneira como lidamos com a sexualidade hoje é nociva à instituição do matrimônio e, consequentemente, à construção de uma família que, por sua vez, é o sustentáculo de qualquer sociedade. É triste que as mulheres estejam seguindo o péssimo exemplo dos homens - "comendo todo mundo". Ah! Não dá para deixar de rir das patéticas 'explicações' dos psicanalistas e sexólogos - desconfio que sejam estes os que não tem uma vida sexual muito satisfatória se é que sabem o que é vida sexual"

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sou Crente, Mas Não Sou Bobo - Gabeira Neles!

Leia e entenda por que eu mudei minha cabeça.


Algumas considerações iniciais: (1) Escrevo esse discurso de forma inflamada, portanto, não se surpreendam se o texto não estiver gramaticalmente correto e as idéias não estiverem expostas de maneira clara. (2) A motivação para escrever esse texto é o ódio à mentira e à ignorância presente em nosso meio - o meio evangélico. Revolta-me ver como facilmente nos tornamos massa de manobra e nos tornamos vítimas da astúcia do diabo. (3) Esse texto pode ofender as sensibilidades religiosas farisaicas de alguns alienados, mas não estou nem aí (4) O que segue foram minhas palavras numa comunidade no Orkut antes da votação do 1º turno:

Qual o candidato à prefeitura da sua cidade em quem você não votará de jeito nenhum, mesmo que a vaca tussa?...

Não voto no
Crivella, pelo simples fato do candidato ser evangélico e eu não ter o menor interesse que a imagem dos evangélicos seja ainda mais deturpada nesse País.

Não voto no
Gabeira, confesso que o pouco que vi de sua campanha na TV me chamou a atenção. Mas colocando na balança os prós e os contras, não voto nele por discordar de suas teorias "moderninhas" que, as que já foram postas em práticas em outros lugares do mundo, se reveleram um desastre. Vide a frustrante legalização da maconha na Holanda que se trouxe algum benefício, dentre muitos malefícios, foi a possibilidade de comprar o Ecstasy mais baratinho da Europa. =] A outra, em relação as questões envolvendo o homossexualismo, ainda não trouxe consequências nocivas para qualquer sociedade mas isso é questão de tempo. Quem viver verá! Aceitem ou não, a moralidade foi parte inseparável da ascensão e declínio das grandes civilizações antigas mas, como já dito, quem não observa a história está fadado a repeti-la. Destruam as famílias e acabarão por destruir a sociedade.

Portanto, rejeito qualquer acusação de que eu não me preocupe com o futuro da nossa sociedade, dos nossos jovens e com o Reino de Deus. Acusações como essas, para mim, não passam de falácias.

Minha opinião em relação ao Crivella permanece até hoje. Não votei e não voto nele. É certo que precisamos de políticos com príncipios cristãos no comando da nossa sociedade, mas infelizmente isso não existe. Não existem políticos evangélicos capacitados para um cargo de tamanha importância. Lembro-me de uma história que o grande evangelista norte-americano Bill Bright conta: logo após a eleição de Ronald Reagan à presidência dos Estados Unidos, Reagan telefonou para Bill pedindo para que ele selecionasse os principais cristãos com instrução suficiente para ocupar cargos de assessoria à presidência dos EUA. Bill aceitou o pedido entusiasmado, mas seu entusiasmo durou pouco, por quê? Simples, em toda a América do Norte, Bill Bright só conseguiu um único cristão com a capacidade intelectual de ocupar um cargo de tamanha importância, C. Everett Koop - cirurgião geral dos Estados Unidos. No nosso país é a mesma coisa, não há cristãos suficientemente gabaritados para ocuparem um cargo de prefeito de uma cidade como o Rio de Janeiro.

Quanto ao Gabeira, tive que dar o braço a torcer, me senti obrigado a mudar de opinião. Intelectual, social e moralmente obrigado a abrir mão de minhas posições iniciais e admitir: Gabeira é o único político com capacidade para assumir a prefeitura do Rio de Janeiro. A campanha de Gabeira é de primeiro mundo. Sem sujeira nas ruas, sem panfletos apócrifos, sem ofensas aos outros candidatos, sem promessas utópicas. realista, sincera, ora, mas essas características não são características de um político honesto e integro? O Gabeira antes mesmo de ser eleito prova que é o candidato ideal. Por outro lado a campanha do Eduardo Paes em nada difere de todas as demais campanhas que já estamos acostumados - e cansados - de ouvir. Ofensas aos seus adversários, panfletagem apócrifa, promessas utópicas (pergunte a um médico o que ele acha da historinha das UPAs), enfim, Paes é mais um, e eu estou cansado de "mais um". Quero, e como carioca eu mereço, um político diferente. Alguém que nunca passeou por diversos partidos, nunca traiu os seus próprios príncipios, alguém que sempre lutou, mesmo eu não acreditando que sua forma de lutar tenha sido sempre a melhor, mas ele lutou e luta.

Gabeira é melhor e mais gabaritado, mas e suas opiniões contrárias aos príncipios cristãos? Não devemos temê-las? Certamente, aquilo que é contrário ao Reino de Deus deve ser temido, não só pelo Reino em si, mas o que é contrário ao Reino é, também, contrário à justiça social e saúde de uma sociedade. As duas coisas estão interligadas. O que é bom para o Reino é bom para a sociedade. Como eu já disse, seria ótimo votar em um político cristão, mas como isso não existe, o que sobra são aqueles que não compartilham dos nossos valores. Gabeira pode até ter opiniões com as quais eu não concordo, mas para começar ele não tem poder para colocá-las em prática como prefeito, além do que, ele não as mencionou em sua campanha. A realidade é que nós atacamos, em grande parte, o seu passado e não o seu presente. Mas será que Paes é, então, o nosso Salvador? Ora, Santa Ignorância! É claro que não. Vocês, evangélicos, acham mesmo que há alguém neste mundo que compartilha dos nossos valores em relaxão à sexualidade? Isso é ilusão. Acham que existe alguém que nunca fumou maconha? Poucos, mas dentre esses poucos Paes não está incluso, ele mesmo admitiu recentemente. Então vamos deixar de lado nossas opiniões que se derivam não do nosso cristianismo, mas sim do nosso fanatismo e ignorância, abrir nossas cabecinhas (cuidado, pode doer!), colocar os prós e contras na balança e decidir comparando qualidades e defeitos de cada candidato, mas não colocando uma carapuça preconceituosa sobre um candidato e fazendo dela o alvo de nossos ataques, isso além de ignorância é covardia!

Mas se ainda acha que Gabeira é a encarnação do diabo por crer em príncipios que divergem dos nossos, pare e reflita um pouco. Dispa-se desse falso moralismo farisaico e se pergunte: moralidade cristã é pertinente apenas à área sexual e de vícios, ou seja, de pecados mais evidentes? Nosso moralismo evangélico parece indicar que sim, mas a verdadeira moralidade cristã diz que não. Ofender e denegrir a imagem de um adversário é coerente com os príncipios cristãos? Não. Espalhar panfletos apócrifos incluindo mentiras e distorções das propostas dos outros candidatos é coerente com os príncipios cristãos? Não. Criticar veementemente o presidente Lula e depois com a maior cara-de-pau se aliar a ele é coerente com os príncipios cristãos? Não. Mudar de partido frequentemente mostrando que além de não ser fiel, não é coerente com ideologia nenhuma é coerente com os príncipios cristãos? Seu aliado, Sérgio Cabral, decretar ponto facultativo na segunda-feira após as eleições é coerente com os príncipios cristãos (Leiam o que diz Lucia Hipólito)? De maneira alguma! Não sejamos cegos, povo de Deus, o que Deus exige de nós não é apenas moralismo sexual farisaico (não se enganem pensando que Paes é um puritano sexual), mas dignidade, honestidade, sinceridade, fome de sede e de justiça social. Vemos isso em Eduardo Paes? Deixo para vocês a resposta, mas pensem antes, a campanha dele difere de todas as campanhas que, repito, estamos acostumados e cansados de ouvir? É evidente que não. Sugiro que releiam os Evangelhos antes das eleições e vejam as atitudes de Jesus para com os partidos político-religiosos da época, pelo menos leia Mateus 23. Os Saduceus, Fariseus e Escribas eram os mais moralistas de todos, condenavam duramente a imoralidade sexual - certamente condenariam o Gabeira - mas Jesus mostrou que não era isso o principal e não era isso que Ele exigia. Uma das coisas que faltava era justiça social. Eles cumpriam a Lei à risca, mas as viúvas passavam fome, mendigos não recebiam sequer um pão e os enfermos eram colocados em segundo plano, em outras palavras, faltava justiça social, eles tinham tudo o que alguns iludidos estão achando que Paes tem, mas não tinham o principal, o que eu acredito que Gabeira tem. Lembrem-se de Amós, o profeta da justiça. Ou da passagem de Isaías 58.6-7:

Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?
Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?

E se vocês ainda acham que os príncipios de Paes divergem muito de Gabeira, então, sugero que observe as seguintes imagens:

Paes e seu aliado Sérgio Cabral

Sérgio Cabral após o seu discurso no palanque da Parada Gay de Copacabana

E agora, José? Vai continuar acreditando que o Paes é o nosso Messias? Não dá né!

Bom, é "cada um no seu quadrado", quer votar no Paes, então, vote, mas não faça isso apelando para o Reino de Deus ou para motivos dúbios. Ah, meus irmãos, legalizar a maconha? Será mesmo? Vejam aqui se as opiniões de Gabeira permanecem as mesmas. Eu já me decidi, a realidade é clara, o único que apresenta uma campanha de alto nível é Gabeira. Por isso, cristãos, acho que está na hora de mostrarmos que não somos mais uma massa de alienados, mas sim uma parte importante da sociedade e que se preocupa com o bem desta e aproveito para parabenizar os pastores evangélicos que apoiam o Gabeira (Veja: http://gabeira.com/gabeira43/?p=781). Ainda existe uma luz - e nós somos a luz!

 
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